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Moda Coração sertanejo, mesmo longe do Pajeú Mostrando de onde veio, o artista Maciel Melo trouxe muitas referências do Sertão para seu lar

Por: Gabriela Bento

Publicado em: 28/04/2017 08:00 Atualizado em:

A decoração da casa pode dizer muito sobre o dono. No lar do cantor, compositor, ator e escritor Maciel Melo não é diferente. Com o "coração tão sertanejo", ele trouxe um pouco de Guaracy, município do Sertão do Pajeú, para Aldeia, Camaragibe-PE. No lar do cantor, tem várias referências da origem da qual ele tanto se orgulha, inclusive um fogão de lenha, onde prepara comidas regionais para receber grandes amigos. Além de peças tradicionalmente nordestinas, há muitos livros e instrumentos musicais por toda parte. Apesar de muito criativo, a casa de Maciel prioriza o simples. O artista só precisa de um cantinho e uma rede para produzir e descansar. 

Da terra dos poetas e filho de sanfoneiro, o cantor acredita ter nascido com o destino premeditado. "O meu pai era músico, mas não me ensinou nada. Ele queria que fosse engenheiro, advogado ou jornalista. Mas não teve jeito, acabei enveredando para o lado da música", conta. Ficou famoso por canções como Caboclo Sonhador e Dama de Ouro. Afora inúmeras composições, atuou na novela Velho Chico, produção da Rede Globo, e escreveu livros. Uma autobiografia romanceada, intitulada A Poeira e a Estrada, e o livro de crônicas Refúgios da Interrogações, previsto para ser lançado em julho deste ano.

Sempre imerso na cultura nordestina, ainda pequeno o artista aprendeu a reunir os amigos para fazer um forró pé de serra. Por ser tradição no Sertão do Pajeú, quando veio para Pernambuco, Maciel logo providenciou 'aquela sombra bela' para celebrar o bom da vida. "Fui criado no meio dos cantadores de viola, no meio dos forrozeiros. Com 14 anos, fui para o mundo ser artista. Por minha história, continuei com o costume de trazer amigos para casa. Então, eu mesmo vou inventando. Acabei fazendo um espaço só para isso", explica. 

Para seguir a tradição à risca, na sombra do cantor tem azulejos, itens feitos de barro, fogão à lenha, mobília em madeira e uma foto do mestre Luiz Gonzaga. "Eu pensei em fazer uma coisa meio rústica, tipo acampamento de pescador. Coloquei somente um telhado e algumas coisas, não gosto de nada sofisticado demais. Aqui é 'arrudeado' de árvores e não tem paredes", esclarece. 

Morar mais próximo da capital pernambucana foi necessário para seguir agendas. A calma e o verde da natureza de Aldeia foram pontos decisivos na escolha do artista. "Parece que estou na minha terra, onde nasci. Tem muito mato e passarinhos. Aqui é o meu sossego, onde eu escrevo", comenta. Para ele, a relação com o lar é algo sublime. "Quando você chega em casa, quer paz. É um ninho. Trago poucos amigos. Só aqueles com energia boa".

Na sala do artista, tem muito do que ele é. Os instrumentos, livros e uma rede compõem o ambiente que, para ele, é a melhor parte da casa. Perto da sua área de criação, Maciel ainda deixa os seus instrumentos sempre à mão. 

"Aqui deito na rede, eu adoro. E escrevo, componho, leio, pesquiso". No espaço, há quadros e um cantinho para refeições. "Eu gosto de cozinhar. Quer um café?", pergunta, mostrando que, afora todas as habilidades, é bom anfitrião.

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