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Slow beauty Sem água e sem embalagem: você já ouviu falar em xampu sólido? Marcas como a britânica Lush apostam no consumo de menores quantidades, produtos de composição sólida e sem embalagem, máximas aprovadas pelo público

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Publicado em: 19/04/2017 07:52 Atualizado em: 17/04/2017 15:59

Parecem macarons, os biscoitos sequinhos por fora e molhados por dentro, mas são cosméticos. Foto: Lush/Divulgação
Parecem macarons, os biscoitos sequinhos por fora e molhados por dentro, mas são cosméticos. Foto: Lush/Divulgação

A ideia é consumir menos e de forma mais consciente. Agrupados sob os rótulos de slow fashion (moda lenta) e slow beauty (beleza lenta), produtos minimalistas e ecologicamente corretos vêm ganhando vitrine nos últimos anos, em sintonia com a necessidade crescente de conservação do meio ambiente e a busca por longevidade e bem estar. Composições sólidas e itens sem embalagem são alguns dos recursos usados pela indústria cosmética para aderir à tendência, cujas sementes foram plantadas há cerca de duas décadas em países europeus. 

A denominação slow beauty, ainda pouco popular no mercado local, ganhou força nos últimos dois anos, sobretudo nos Estados Unidos, onde também nasceu o slow fashion (consumo moderado e preocupação com a procedência dos produtos), um contraponto ao fast fashion das lojas de departamento. A boa convivência com cabelo e pele naturais, a produção cosmética caseira ou terceirizada por marcas ecologicamente conscientes, a composição orgânica dos produtos e um arsenal modesto de cremes sobre a prateleira são alguns dos preceitos. 

Entre as gigantes, a principal referência na prática, contudo, é europeia: a britânica Lush, uma das pioneiras da slow beauty, criou há 21 anos as bombas de sal de banho. Foram ideia de Mo Constantine, co-fundadora da marca. Sem embalagem, eram extremamente inovadoras à época. Deram certo: hoje, a Lush soma mais de 100 produtos sem embalagem, o correspondente a 35% do catálogo do selo, entre xampus e condicionadores sólidos, barras de massagem, sabonetes e esfoliantes corporais, além das bombas. Neste mês, estão relançando o xampu sólido New, o mais vendido globalmente na história da marca, em apoio à campanha internacional #BeCrueltyFree, criada pela Humane Society International - organização contrária a testes em animais. 

Os nomes dos xampus são criativos: o rosa é o Jason And The Argan Oil, e o azul é o Seanik. No meio, produtos limitados que lembram chocolates. Fotos: Lush/Divulgação
Os nomes dos xampus são criativos: o rosa é o Jason And The Argan Oil, e o azul é o Seanik. No meio, produtos limitados que lembram chocolates. Fotos: Lush/Divulgação


“Existe a preocupação de gerar menos lixo e, ainda, oferecer uma experiência prática, sensorial e divertida ao consumidor. Por serem sólidos, os produtos ‘pelados’ são também autoconservantes, não contêm aditivos químicos, algo mais viável em itens que não contêm água na composição”, explica Leticia Sanchez, gerente de comunicação e marca da Lush Brasil. No país, eles vêm difundindo a lógica slow beauty com o mote Verão Pelado - a campanha é ilustrada por modelos nus com os cosméticos sem embalagem em mãos. 

Marcas como L'Occitane, Dove e Cativa Natureza também aderiram à produção: xampus e desodorantes (a maioria destes últimos à base de bicarbonato) são destaques nos catálogos. Assim como o slow fashion desencoraja o consumo de roupas produzidas em larga escala, a slow beauty incentiva o uso de produtos apropriados a cada tipo de corpo, selecionados em conformidade com necessidades individuais. “O atendimento personalizado é uma prática sustentável, pois se o consumidor tem uma consulta adaptada às suas necessidades, tem mais chances de ficar feliz com o que comprou, sem acumular dezenas de itens repletos de embalagens em casa”, avalia Leticia, que recomenda a análise cuidadosa da composição de cada item adquirido e, sobretudo, do próprio corpo. 

>> OS BENEFÍCIOS

>> Menos industrialização 
Com a slow beauty, cresce o consumo de produtos naturais, como óleos vegetais. A ideia é aproveitá-los em sua forma mais pura possível, como são encontrados na natureza. Quando não é possível, devem ser adquiridos através de comércio de pequenas proporções, de preferência com produção artesanal. O processo de fabricação também não pode incluir testes em animais. 

>> Menos impacto 
De janeiro de 2015 a janeiro de 2016, as vendas globais dos xampus sólidos da Lush evitaram a produção de 15,8 milhões de frascos plásticos. Cada xampu sólido dura até 80 lavagens, cerca de três vezes mais que um frasco de 200ml de xampu comum, segundo estimativas da marca. Isso significa que xampu sólido evita o desperdício de três embalagens plásticas convencionais. 

>> Menos embalagens 
Além de agregar custo ao processo de fabricação e para o consumidor, as embalagens poluem o meio ambiente e levam décadas para se decompor. Além disso, são parte da cadeia de propaganda e incentivam o consumo por impulso, sem que haja a necessidade daquele item. A slow beauty prega o mínimo possível de embalagens, diminuindo custos de produção, transporte e compra, além de preservar o planeta. 

Neste ano, a Lush reforçou a campanha por produtos sem embalagem usando a hashtag #verãopelado. Fotos: Lush/Divulgação
Neste ano, a Lush reforçou a campanha por produtos sem embalagem usando a hashtag #verãopelado. Fotos: Lush/Divulgação


DUAS PERGUNTAS: Leticia Sanchez, gerente de comunicação e marca da Lush Brasil 

A tendência dos produtos sem embalagem foi levada em consideração há 20 anos, com os primeiros produtos da marca? 
A Lush não desenvolveu os produtos sem embalagem por serem tendência, eles existem desde que a marca foi fundada, há mais de 20 anos. Sempre achamos que toda inovação traz consigo mais responsabilidades. Os xampus sólidos, por exemplo, levam água em sua composição, são compactos, práticos para viagens e rendem até 80 lavagens, três vezes mais do que os frascos tradicionais de 200 ml.

E em relação a marcas ecologicamente conscientes. Veem essa proposta como dominante no futuro? 
Nós acreditamos que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com o consumo consciente. Isso abrange diferentes temas, desde a maneira como são obtidas as matérias primas, a qualidade dos ingredientes, a cadeia produtiva e o descarte das embalagens. A receptividade do público com a campanha #VerãoPelado nos mostra que a vontade de melhorar hábitos de consumo é crescente. 


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