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Arte na veia Gustavo Free mistura várias expressões artísticas em suas peças O estilista pernambucano utiliza a grafitagem, aerografia e a música para criar roupas e acessórios que expressam liberdade

Por: Aline Ramos

Publicado em: 07/04/2017 07:53 Atualizado em: 07/04/2017 08:36

"Quando estou criando gosto de imaginar um universo com personagens, ambientes e trilha sonora". Thiago Santos/Esp.DP
"Quando estou criando gosto de imaginar um universo com personagens, ambientes e trilha sonora". Thiago Santos/Esp.DP

“É difícil pensar quando a arte não esteve na minha vida. Tenho a pintura e os desenhos presentes desde as minhas memórias mais antigas, e acredito que, mesmo de forma inocente, aqueles rabiscos já indicavam o que eu faria para o resto da vida”, afirma o DJ, artista plástico, designer e estilista, de 28 anos, José Gustavo Ferrer de Morais Santana. Aos 16, o adolescente de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata de Pernambuco, não queria se vestir igual as outras pessoas e passou a personalizar suas camisetas. A iniciativa despretensiosa chamou a atenção dos amigos que ao verem as peças exclusivas logo começaram a fazer pedidos. Com o passar do tempo a demanda foi aumentando e customizar já não satisfazia, o designer que tinha sede de inovação. “Há quatro anos, resolvi criar a marca Think Collection e profissionalizar o trabalho. Não dava para continuar apenas personalizando. Queria fazer algo com uma identidade forte e autoral”, pontua.

A marca também fez Gustavo Free, nome que adotou por conta da carreira de DJ, enxergar a possibilidade de disseminar sua arte. “No início, meu objetivo era conseguir grana para comprar minha pickup, já que meu trabalho como DJ era o que mais ocupava meu tempo. E como eu já era habilidoso com as camisetas que fazia para mim, a Think surgiu como mais uma forma de conseguir esse dinheiro e de profissionalizar o meu trabalho. Morar no interior teve suas vantagens nesse início, porque eu não tinha concorrência na cidade que fizesse roupas no mesmo seguimento que o meu. Com o tempo, a marca começou a ultrapassar até o meu próprio interesse de DJ. Vi a oportunidade de expor minhas referências estéticas de outro trabalho que também realizava, o da grafitagem”, conta.

Autodidata, o artista mergulha em pesquisas para buscar referências. “Gosto de estar por dentro da modelagem que vai ser usada, o tecido e as cores da estação. Isso fez a marca se inserir no mercado da moda, nos eventos. Mas, nunca me apeguei a isso de forma a impedir que algo fosse criado por não se encaixar necessariamente no que as tendências pediam. Não estudei moda de forma acadêmica e acredito que o diferencial da marca seja essa pegada mais empírica. A maioria dos meus clientes sabem que estão comprando roupas pensadas para além do mercado, que há em cada peça um traço de uma expressão artística”, explica.


Gustavo produz de forma artesanal jaquetas bombers, shorts, bonés, ecobags e camisetas. Gabriella Leal/Divulgacão
Gustavo produz de forma artesanal jaquetas bombers, shorts, bonés, ecobags e camisetas. Gabriella Leal/Divulgacão

Com designers agênero, Gustavo produz de forma artesanal jaquetas bombers, shorts, bonés, ecobags e as camisetas que continuam sendo o destaque da Think Colletion. “Faço outras atividades que influenciam muito na produção das roupas. Da grafitagem, absorvo toda a explosão cultural plural que o movimento conseguiu atingir. Como DJ, a musicalidade dos artistas dos anos 1980 como David Bowie, Madonna, Rita Lee e ABBA. Tudo acaba influenciando muito no resultado final. Quando estou criando gosto de imaginar um universo com personagens, ambientes e trilha sonora. É um mergulho na minha própria pluralidade como artista”, revela.

E esta mistura que envolve o estilista traz resultados que misturam o moderno, o antigo e a cena local. “É algo meio louco, não costumo me prender a um tema e criar as estampas bem padronizadas. Gosto de ter um trabalho de criação mais livre. Na última coleção juntei a modelagem das jaquetas bombers, peça com traço forte dos anos 80, com padronagem de chita, bem regional. Tudo é produzido em um período de fertilidade criativa onde desenho tudo bem desconexo e depois vou escolhendo o que de mais legal foi produzido para ser estampado. Quero que as pessoas esqueçam a ditadura fashion, levem a vida com mais leveza. Larguei a faculdade pra fazer o que amo, pra viver de arte. A possibilidade de se vestir bem, usar um produto legal, com preço bacana é algo que está ligada a marca desde o inicio e até hoje continua assim. Quero que as pessoas sejam livres, sejam elas, assim como tento ser”, enfatiza.

As suas metas para os próximos dois anos: “Espero ampliar nossa linha de produção, talvez uma equipe que me ajude a pensar nas peças e desenvolvam comigo as estampas, ter revendedores em outros estados, abrir uma loja física... são tantos objetivos que acredito que dois anos seja pouco”. As peças da Think Collection podem ser adquiridas pelo site www.thinkcollettion.com.br ou Instagram @thinkcollectionrules.

Nova proposta
Gustavo Free, está em fase de pesquisa de matéria-prima para a coleção Organic da Think Collection – que será produzida em parceria com outros colaboradores recifenses e utilizará tecidos compostos de 100% algodão e todo o processo de tratamento e tingimento será realizado de forma ecologicamente correta. “Fomos diretamente na tecelagem buscar parte dos produtos que serão utilizados para a produção desta nova coleção. Estamos garimpando em busca de tecidos já fabricados e retalhos descartados, além da prática do reúso queremos explorar, ainda mais, o lado criativo do desenvolvimento de peças que se adéquem a cada tipo fibra”, antecipa Free.



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