Web Projeto multimídia reúne receitas de comidas antigas do estado O resgate do paladar pernambucano foi publicado em um site com vídeos e fotos

Por: Vitória Maciel - Diario de Pernambuco

Publicado em: 02/01/2015 08:17 Atualizado em: 02/01/2015 08:40

A Moquequinha de siri foi a primeira receita resgatada. Foto: Maria Pessoa/Divulgação
A Moquequinha de siri foi a primeira receita resgatada. Foto: Maria Pessoa/Divulgação

As lembranças do alfenim, o doce de rapadura que parece um caracol ou a fabricação da geleia de mocotó em casa mexem com a imaginação do nordestino. Tudo começou quando Patrícia Raposo voltou à Praia de Itamaracá, que costumava visitar na infância e não achou mais a moquequinha de siri de que tanto gostava para vender. O pior, ninguém mais sabia sequer do que se tratava. A jornalista teve a ideia de convidar a cineasta Maria Pessoa e, juntas, elas criaram o projeto Receitas Antigas de Pernambuco. A dupla viajou pelo estado por seis meses reunindo vídeos e fotos com preparos de quitutes que estão sumindo das mesas dos pernambucanos e reuniram o material em página na internet. Lá, é possível encontrar doce japonês, tanajura, biscoito de nata e outras opções direto de Salgueiro, Goiana e até comunidades quilombolas.

Entre as receitas, é possível encontrar histórias interessantes. O manuê, por exemplo, produzido em Bezerros, é diferente do pé de moleque que se encontra na cidade. A grande dificuldade de Vanessa de Lima Silva é encontrar as folhas da bananeira, já que a massa vai para a chapa embrulhada assim. Vanessa precisa ir buscar o material em Sairé, um município próximo, porque as pessoas estão cimentando os quintais e matandos os pés de banana. Outra boa história é a de Dona Maria do Socorro Nunes da Silva, também de Bezerros, faz o que ela chama de Bolachinha de Castanha, biscoito que era comum em casamentos como lembrança no lugar do bem-casado, recheado com doce de leite. O segredo, ela conta, são os ingredientes frescos, como a manteiga, que é caseira. A tanajura, formiga voadora que aparece em épocas chuvosas, está cada vez mais rara. O preço pago por elas já chega a R$ 15 por 10 gramas do inseto.

Alfenim é enrolado como um caracol. Foto: Maria Pessoa/Divulgação
Alfenim é enrolado como um caracol. Foto: Maria Pessoa/Divulgação

O site aborda ainda as receitas com caça. “Mesmo sendo ilegal, faz parte da nossa cultura. Ainda é muito comum caças como cobra, raposa, porco do mato”, conta Patrícia. Essas receitas estão sendo abandonadas principalmente pela dificuldade no preparo. “Como dá trabalho, as pessoas param de fazer. Algumas comidas precisam de fogo à lenha. Outras receitas demandam dois dias de preparo e a vida corrida não deixa”, argumenta a jornalista.

O Manuê tradicional é enrolado na palha de bananeira. Foto: Maria Pessoa/Divulgação
O Manuê tradicional é enrolado na palha de bananeira. Foto: Maria Pessoa/Divulgação

Receita
Pé de Moleque ou Manuê

Ingredientes

De 2,5 a 4 xícaras de mandioca (varia conforme a lavagem da massa - quanto mais se lava a mandioca, mais ela perde a goma)
Palha de bananeira
4 ovos de galinha caipira
2 colheres rasas de manteiga
1,5 xícara de açúcar
1/2 xícara de leite de coco
1/2 xícara de leite de gado
1 colher de cravo da índia torrado com 1 colher de chá de erva doce
1 palha grande de bananeira

Modo de Preparo
Recorte a palha de bananeira em tamanho retangular. Serão necessárias 8 unidades. Higienize a palha deixando em água clorada, com detergente. Em seguida lave e depois leve para amolecer sobre uma chapa no fogo. Você irá usar a mesma chapa para fazer o bolo. Faça um chá concentrado com as especiarias. Não precisa colocar muita água você só vai precisar de uma colher de chá. Peneire a massa de mandioca e vá juntado os ingredientes líquidos, batendo com batedor.  Mexa  bem até ficar com consistência de bolo, só uma pouco mais densa, pesada. Essa consistência é importante para que a massa não escorra quando for colocada nas folhas. Coloque a massa sobre as folhas e dobre bem para não derramar e leve para chapa. Quando um lado estiver bom, vire e asse o outro. Fica na chapa de 10 a 15 minutos.

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