Beiju Comidinha de rua ou prato gourmet, tapioca se populariza em Belo Horizonte Receita nordestina é alternativa saudável, pouco calórica e capaz de agradar diversos paladares

Por: Portal Uai - Associados

Publicado em: 26/05/2014 08:08 Atualizado em: 22/05/2014 15:47

Com vários recheios possíveis, tapioca agrada muita gente. Foto: Maíra Cabral / Portal Uai
Com vários recheios possíveis, tapioca agrada muita gente. Foto: Maíra Cabral / Portal Uai

De origem nordestina, a receita simples, nascida da goma de mandioca e conhecida como beiju em várias sertanias, acabou conquistando o Brasil sob a alcunha de tapioca. O prato tradicionalmente preparado apenas com manteiga ganhou novas formas, sabores e recheios, e se espalhou pelo Brasil, não apenas como uma ótima comidinha de rua, mas também como opção para ocasiões especiais. Sem glúten e pouco calórica, a tapioca vai se popularizando em Belo Horizonte e já pode ser encontrada em várias partes da cidade.

Quem vai à Feira Hippie aos domingos e procura na Rua Alagoas, esquina com Afonso Pena e Guajajaras, encontra o carrinho estacionado com a faixa “Tapioca” pendurada na traseira. O veículo pertence aos irmãos Adelson e Ademilsom, que há dez anos comercializam o produto pelas ruas de BH. Naturais de Januária, no Norte de Minas, resolveram investir no produto depois que um deles percebeu o sucesso que o prato fazia em São Paulo: ”Meu irmão trabalhava em São Paulo e ficava abismado com o tanto que o povo gostava por lá, então ele me convenceu a montar o negócio com ele aqui”, explica Adelson.

Carro fica na rua Alagoas aos domingos. Foto: Facebook / Reprodução
Carro fica na rua Alagoas aos domingos. Foto: Facebook / Reprodução

A dupla comprou o equipamento e se instalou no Coração Eucarístico, próximo à PUC. Opção de lanche barato e gostoso, a tapioca logo virou febre entre os universitários e o negócio progrediu. O Chevette que tinham inicialmente foi trocado por um carro adaptado, que atualmente fica de segunda a sábado na Augusto de Lima, próximo ao Fórum, de 12h às 19h. Nas manhãs de domingo eles se deslocam para a Feira.

O cardápio dos irmãos dispõe de 26 recheios, entre doces e salgados. Segundo Adelson, a de carne seca com bacon e catupiry é a mais pedida, mas ele destaca também uma de suas opções vegetarianas, com tomate seco, palmito, azeitona e muçarela. Os preços giram em torno de sete reais, dependendo do recheio.

Marlene comanda o negócio sozinha. Foto: Maíra Cabral / Portal Uai
Marlene comanda o negócio sozinha. Foto: Maíra Cabral / Portal Uai

Loja pequena, cardápio grande
A pequena porta de número 1106 na movimentada Rua Pouso Alegre, no Bairro Floresta, contrasta com variedade de opções oferecidas pela Casa da Tapioca, localizada ali. A lanchonete, com apenas três mesinhas, pertence a Marlene, nascida em Bandeira, no Vale do Jequitinhonha. Segundo ela, são 150 os recheios possíveis para as tapiocas feitas com a goma da mandioca plantada por seu pai, em sua terra natal. Além dos sabores tradicionais, como manteiga, carne de sol e leite condensado com coco, alguns mais elaborados também são encontrados no cardápio, como salmão, peperoni e rúcula com tomate seco. No entanto, por cuidar sozinha do negócio que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h, não é sempre que Marlene tem tempo de fazer compras e alguns dos ingredientes às vezes não são encontrados.

Em funcionamento há um ano e meio, a Casa da Tapioca é sucesso entre o público da região. Marlene conta que no início o movimento era fraco, mas logo cresceu, principalmente graças aos frequentadores das academias próximas dali. “O pessoal que malha gosta muito de tapioca, porque tem pouca caloria e não tem glúten. Depois que eles descobriram a loja, a produção cresceu muito”, conta a dona da lanchonete, que se diz satisfeita com o movimento atual. Os preços variam entre três reais para a mais simples, apenas com manteiga, e 15 para a de salmão.

Além do carrinho dos irmãos Adelson e Ademilson e da loja da Marlene, outros comerciantes apostam na tapioca como alternativa para os lanches e comidinhas na capital mineira. O Café Gonçalves, na rua Gonçalves Dias, próximo à avenida Getúlio Vargas, incluiu o prato no cardápio há cerca de um ano. O estabelecimento conta com 15 opções de recheios entre doces e salgadas. Na Savassi, mais especificamente na rua Sergipe, entre Getúlio Vargas e Fernandes Tourinho, fica o Rei da Tapioca, também especializado na iguaria. No bairro São Gabriel, Região Nordeste de BH, o Pedaço da Bahia é outra opção para degustar a receita.
Buffet oferece a tapioca como opção para festas e recepções. Foto: Célia Soutto Mayor / Divulgação
Buffet oferece a tapioca como opção para festas e recepções. Foto: Célia Soutto Mayor / Divulgação

Simples, mas com requinte
Apesar de se popularizar como uma comida de rua, regional e de simples preparo, a tapioca também tem seu lugar em ocasiões mais requintadas. Em Belo Horizonte, o Buffet Célia Soutto Mayor, por exemplo, oferece uma versão gourmet do prato, ideal para celebrações e recepções. Eles disponibilizam o equipamento, os ingredientes, e um profissional responsável por preparar o prato na hora, com ingredientes à escolha de cada convidado, como é feito tradicionalmente com os crepes. Entre os recheios disponibilizados pelo buffet, se diferenciam o de camarão à putanesca, pernil com chedar e o de couve com purê de abóbora e carne seca. “O público gosta muito, inclusive as crianças, acredito que por associarem a tapioca a bons momentos de férias no Nordeste, já que os hotéis costumam servir o prato no café da manhã”, explica Patrícia Soutto Mayor, responsável pelo buffet.

Faça em casa
Quem prefere confiar na própria habilidade culinária e usar a criatividade para bolar um recheio diferente, também existe a opção de fazer a tapioca em casa. Para isso, o ingrediente chave é a goma de mandioca hidratada, que pode ser encontrada em alguns supermercados da cidade em sua versão industrializada e também no Mercado Central, em sua forma fresca. O modo de preparo é simples: basta aquecer uma frigideira, peneirar a goma sobre ela e esquentar até ganhar uma unidade e formar um disco. O recheio fica por conta do paladar de cada um. Depois basta dobrar, servir e se deliciar.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.