• Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Google Plus Enviar por whatsapp Enviar por e-mail Mais
Vidas em movimento Quando a cura está próxima de casa: acesso a cirurgias acelera recuperação de pernambucanos do interior Iniciativas como a contratação de médicos especialistas em hospitais como o de Limoeiro, no Agreste, promovem descentralização da promoção de saúde e abrem espaço para qualidade de vida no interior do estado

Por: Lorena Barros

Publicado em: 17/06/2017 15:00 Atualizado em: 23/06/2017 11:04

Vicente do Nascimento foi operado dois meses depois de ir no hospital de Limoeiro e agora já sonha em voltar a plantar. Foto: Rafael Martins/DP
Vicente do Nascimento foi operado dois meses depois de ir no hospital de Limoeiro e agora já sonha em voltar a plantar. Foto: Rafael Martins/DP

Dez quilômetros de estrada de barro, pasto e gado marcam o caminho até a casa de Vicente do Nascimento, de 62 anos. Ali, na zona rural de João Alfredo, Mata Sul do estado, tudo o que se escuta é o som dos passarinhos. Para alguns, uma rotina monótona, para ele, a realidade de uma vida inteira. Feijão, milho, macaxeira e batata plantados no quintal garantem a alimentação da família. A vida simples estava sempre em ordem até o agricultor descobrir uma hérnia abdominal. Os "ardores" no pé da barriga se transformaram em uma espécie de nódulo. "Eu sentia muita dor. Fui socorrido três vezes para o hospital", lembra. Não tinha mais forças para o trabalho sacrificante da plantação. Sentia medo da fome. Desesperou-se. "Meu amigo disse para eu procurar o hospital em Limoeiro porque lá era rápido. Dois meses depois estava operado", conta.

Equipe foi reestruturada e, em um ano, o número de cirurgias eletivas aumentou em 75%. Foto: Rafael Martins/DP
Equipe foi reestruturada e, em um ano, o número de cirurgias eletivas aumentou em 75%. Foto: Rafael Martins/DP

Os dois meses entre a primeira consulta do agricultor no Hospital Regional José Fernandes Salsa e o dia da cirurgia foram dedicados a uma série de exames pré-operatórios. A rapidez no atendimento é resultado de uma reestruturação na equipe médica do hospital: em um ano, o número de cirurgias eletivas (aquelas sem caráter de urgência) aumentou em 75%. Hoje, sete médicos trabalham só neste setor da instituição e se revezam em cerca de 50 cirurgias semanais. Parte destes contratados estão entre os 5,4 mil profissionais da área da saúde trazidos para instituições em todo o estado desde 2015. Médicos, técnicos de enfermagem e enfermeiros foram distribuídos em hospitais de referência de todas as regiões. A vontade de trabalhar, somada com a oportunidade oferecida para cada um deles, rendeu bons frutos para toda a instituição, mas principalmente para os pacientes. "Eu não consigo nem agradecer a atenção da equipe. Aqui parece um paraíso", brinca a agricultora Cláudia Santiago, de 36 anos. Ela passou uma semana em observação na instituição após uma cirurgia para retirada de cistos ovarianos. O tempo foi curto, mas suficiente para decorar o nome de todas enfermeiras, técnicos e até mesmo membros da organização do hospital.

Quadro de agradecimentos à equipe médica mostra gratidão dos pacientes pelo atendimento. Foto: Rafael Martins/DP
Quadro de agradecimentos à equipe médica mostra gratidão dos pacientes pelo atendimento. Foto: Rafael Martins/DP
Nos corredores, um quadro com agradecimentos de diversos pacientes às equipes médicas deixa claro que o caso de Cláudia não foi isolado. Aqui, o clima de gratidão pelo trabalho bem realizado e carinho da equipe suaviza a apreensão de acompanhantes e os comuns desconfortos pós-cirúrgicos dos pacientes. "Como o hospital é regional, a notícia se espalha entre moradores de cidades vizinhas. Isso evita a superlotação de emergências de referência da capital", explica o cirurgião Fernando Times, um dos médicos do local. A mudança não ficou restrita a Limoeiro: no Agreste, o começo das atividades do bloco cirúrgico no Hospital Mestre Vitalino fez com que 1,4 mil cirurgias eletivas fossem realizadas em apenas um ano. No Sertão, o mesmo sistema de reorganização de equipes e contratação de funcionários novos possibilitou o início de cirurgias de média e alta complexidade em setores de pediatria, traumatologia e até mesmo ginecologia no Hospital Regional de Arcoverde. Além de "desafogar" os hospitais do Recife, a proximidade de casa facilita a locomoção dos pacientes e torna a estadia menos desgastante. "Sem dúvida nenhuma a proximidade de casa é melhor para a recuperação", concorda o médico.

Família do agricultor recebeu ajuda dos vizinhos para se alimentar, mas agora ele não sente mais dores e já faz atividades leves. Foto: Rafael Martins/DP
Família do agricultor recebeu ajuda dos vizinhos para se alimentar, mas agora ele não sente mais dores e já faz atividades leves. Foto: Rafael Martins/DP
Quase dois meses após a cirurgia de hérnia, seu Vicente não sente mais dores. Ainda precisa passar 10 meses longe da plantação para se recuperar completamente, mas já consegue fazer as atividades leves com a ajuda da esposa e dos três filhos. Pelos alimentos que sustentaram a família em 2017, o agricultor agradece aos vizinhos. Pelos anos de saúde garantidos pela frente, se diz eternamente grato à equipe do Hospital Regional José Fernandes Salsa. "Me sinto ótimo. A primeira coisa que vou fazer quando for liberado é plantar milho para o São João".

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.