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Vidas em Movimento Unidade de cuidados intermediários neonatal diminui mortalidade infantil em Salgueiro UCI foi inaugurada em fevereiro de 2016 e o número de óbitos neonatal caiu de 21 para 17 entre o ano passado e 2017

Por: Luciana Morosini

Publicado em: 08/06/2017 16:28 Atualizado em: 09/06/2017 15:39

Juliana Leite teve um parto prematuro e Maria Cecília foi a primeira bebê a ser atendida na UCI de Salgueiro. Foto: Rafael Martins/DP (Rafael Martins/DP)
Juliana Leite teve um parto prematuro e Maria Cecília foi a primeira bebê a ser atendida na UCI de Salgueiro. Foto: Rafael Martins/DP

Tudo corria bem com a gravidez de Juliana Leite. Em Salgueiro, sua cidade natal, ela teve acompanhamento de médico particular e realizou todos os exames através do plano de saúde. Porém, a professora começou a perder líquido antes do previsto e precisou de repouso absoluto. Duas semanas depois, com 29 semanas de gestação, a bolsa estourou e o bebê, precoce, precisaria de atenção especial. Juliana havia lido no dia anterior a notícia da inauguração, no Hospital Regional Inácio de Sá, de uma Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal (UCI Neonatal), que trata bebês com complicações após o parto que não forem graves o suficiente para demandar uma internação em UTI. Decidiu ir para lá, onde acreditava haver mais recursos. Maria Cecília, nascida com 1,278 Kg e 44 centímetros, foi a primeira criança a receber os cuidados da unidade de saúde, em fevereiro de 2016.

Juliana passou 47 dias no hospital acompanhando o desenvolvimento de Maria Cecília até a bebê ser liberada. “Até hoje, não sei como consegui, foram momentos muito complicados”, revela. Hoje, um ano e três meses depois, fala, olhando docemente para a filha em seu colo, da escolha pelo atendimento na unidade pública. “Eu tinha plano de saúde que me dava direito a ir para um hospital particular. No público, a gente tem receio que as coisas não funcionem, mas foi melhor do que eu imaginava, os profissionais foram muito atenciosos”, diz. “Maria Cecília poderia ter várias sequelas, mas deu tudo certo e ela só apresentou uma catarata congênita e está tratando. Ela é uma menina saudável, que já fala e caminha", completa.

Célia Cristina elogia o atendimento da equipe médica que acompanhou o nascimento de Arthur e diz que ficou amiga de todos. Foto: Rafael Martins/DP (Rafael Martins/DP)
Célia Cristina elogia o atendimento da equipe médica que acompanhou o nascimento de Arthur e diz que ficou amiga de todos. Foto: Rafael Martins/DP

Com Célia Cristina de Barros aconteceu o mesmo. O que poderiam ser lembranças ruins ou traumáticas, também se transformaram em uma história com final feliz. Ela apresentou problemas no quarto mês da gestação. Um sangramento a levou algumas vezes para atendimentos no Hospital Regional de Salgueiro e o acompanhamento foi de uma gravidez de alto risco. Mas Arthur resolveu nascer de surpresa, com 33 semanas, e a transferência para Petrolina, onde teria acesso à UTI neonatal, não foi possível. Todos os procedimentos foram realizados na UCI de Salgueiro. “Eu tive toda a atenção médica, um cuidado muito grande. Além de profissionais, acabei fazendo amigos. A equipe me deu muita força”, revela, sob o olhar atento da enfermeira diarista e neonatologista Josefina Matias.

Jô, como Célia costuma chamar a enfermeira, foi peça fundamental nos cuidados do pequeno Arthur, assim como de tantos outros bebês que nascem no Hospital Regional de Salgueiro – cerca de 200 por mês. Ela trabalha diariamente no local e revela o envolvimento não apenas com o trabalho. O carinho já revelado no olhar da enfermeira para mãe e filho fica explícito em suas palavras. “Estou aqui todos os dias com as mães, impossível não ter um vínculo. A gente acaba criando um laço e precisa ser parceiro e amigo, além de profissional. É muito gratificante ver a mãe saindo feliz e, inclusive, costumo procurar as mães depois para saber como estão as crianças. Até mesmo as que vão a óbito eu ligo para as mães para dar uma força”, conta.

Implantação da UCI em Salgueiro é importante para população local e do entorno, já que unidade mais próxima fica a 250 km. Foto: Rafael Martins/DP (Rafael Martins/DP)
Implantação da UCI em Salgueiro é importante para população local e do entorno, já que unidade mais próxima fica a 250 km. Foto: Rafael Martins/DP
Para se ter uma ideia do peso que representa uma UCI no Inácio de Sá, basta elencar que há 164 leitos em todo o estado, o mais próximo de Salgueiro, o maior no Sertão Central, fica a 250 km do centro do município, em Petrolina. A segunda opção, Caruaru, a 380 km. Em outras palavras, situações de emergência, em andamento, só teriam cuidados mais delicados e promissores após um deslocamento de, no mínimo, três horas, o que pode significar não apenas o limiar entre vida e morte, mas a qualidade de vida e desenvolvimento do recém-nascido. Já entre as Unidades de Tratamento Intensivo, hoje com 124 leitos em operação no estado, as opções mais próximas, por enquanto, ainda são os hospitais Dom Malan, em Petrolina, e João Murilo em Vitória de Santo Antão, o que ajuda a justificar o quão bem recebido foi o investimento na unidade de saúde.  

UCI agiliza o atendimento e conta com uma equipe multidisciplinar. Foto: Rafael Martins/DP (Rafael Martins/DP)
UCI agiliza o atendimento e conta com uma equipe multidisciplinar. Foto: Rafael Martins/DP
A satisfação entre pacientes e equipe é consequência dos resultados positivos alcançados com a implantação da UCI em Salgueiro. “A UCI agiliza o atendimento e conta com profissionais qualificados, equipamentos adequados e medicamentos”, explica a diretora Gilcia do Nascimento Dantas de Sá. Reflexo disso é a diminuição da mortalidade infantil no Hospital Regional, que atende sete municípios, somando uma população de 145 mil habitantes. Em 2015, foram registrados 21 óbitos neonatal e, em 2016, o número caiu para 17. “Essa prestação de atendimento de qualidade faz a diferença e ajuda a reduzir a mortalidade infantil. E os bebês ainda são avaliados por uma equipe multidisciplinar e saem daqui com o teste do coração e do olhinho realizados”, afirma.


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