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Tempo Tecnologia é aliada da população para temer menos as chuvas, em Chã Grande Instalação de barreiras no município escolhido para abrigar radar meteorológico, que atende todo o estado, reduz medo de vulnerabilidade a temporais na Zona da Mata

Por: Lorena Barros

Publicado em: 05/06/2017 11:18 Atualizado em: 06/06/2017 14:24

Medidas simples, mas custosas, como barreiras de arrimo permitem que população possa lidar com menos medo diante das chuvas. Foto: Rafael Martins/DP (Rafael Martins/DP)
Medidas simples, mas custosas, como barreiras de arrimo permitem que população possa lidar com menos medo diante das chuvas. Foto: Rafael Martins/DP
Luciana lembra com clareza da angústia trazida pelos meses de chuva. Moradora do bairro das Palmeiras, em Chã Grande, Zona da Mata Norte de Pernambuco, ela vive há vinte anos na beira de um barranco. Bastava a meteorologia prever água na região para a auxiliar de serviços gerais de 30 anos perder noites de sono em alerta pela vida dela e dos três filhos, de 14, 11 e cinco anos. “Quando chovia, tinha muito barro. O meu primeiro pensamento era de que a barreira ia cair e a casa ia junto”, lembra. A solução, na forma de uma proteção de concreto, ainda que pareça simples, levou muitos anos até se tornar realidade e apenas recentemente deu mais tranquilidade às noites de sono dos moradores do local.

Chã Grande tem desníveis geográficos acentuados, próprios tanto para vulnerabilidade ao tempo, quanto para a medição dele. Foto: Rafael Martins/DP (Rafael Martins/DP)
Chã Grande tem desníveis geográficos acentuados, próprios tanto para vulnerabilidade ao tempo, quanto para a medição dele. Foto: Rafael Martins/DP
A barreira de arrimo, alívio para moradores do bairro das Palmeiras, porta de entrada da cidade, representou um investimento de R$ 180 mil, do Fundo Estadual de Apoio aos Municípios. A 80 km do Recife, a relação de Chã Grande com as chuvas, no entanto, passa longe de ser resumida à vulnerabilidade de suas encostas. Até porque foi por suas elevações que o município acabou abrigando o potente radar meteorológico, que identifica as condições de precipitação em quase todo o estado, com um raio de até 400 km de atuação.

O sistema, que mais parece uma bola de futebol gigante, tem mais de 20 metros de altura (equivalente a um prédio de 6 andares) e pode ser visto a uma longa distância. Como o sonar de um morcego, ele emite feixes de energia que, rebatidos pelas gotas de água das nuvens, permitem ao sistema distinguir detalhes específicos das chuvas. “Antes, nós usávamos muito o satélite meteorológico, que consegue ver as nuvens. O radar vê a chuva, se vai ser intensa ou fraca, se tem granizo, se vem com vento”, explica Patrice Oliveira, gerente de meteorologia e mudanças climáticas da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac).  A precisão do equipamento é ainda mais detalhada em um raio de 250 km, o que beneficia, além de Chã Grande, outros 144 municípios da Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata e Agreste.
 
Radar meteorológico tem capacidade de captar chuvas a até 400km e determina densidade e presença de granizo dentro de 250km. Foto: Rafael Martins/DP (Rafael Martins/DP)
Radar meteorológico tem capacidade de captar chuvas a até 400km e determina densidade e presença de granizo dentro de 250km. Foto: Rafael Martins/DP
 
Todo o equipamento, que emite informações diretamente para a central da Apac no Recife, custou R$ 11,4 milhões. Para que não seja depredado, um sistema informativo foi montado em toda a cidade explicando a importância do radar na região. “Equipes de conscientização passaram nas escolas para explicar a importância dele”, explica a professora Edjane da Silva. Ela garante que as crianças do sítio onde trabalha já tiram de letra na hora de explicar a função daquela “bola gigante” no céu, perceptível em boa parte do município. “Como é uma cidade pequena, não resta dúvida que essa vai ser uma das atrações de quem vier de fora para visitar”, garante. 

Símbolo maior do tempo, o radar acaba servindo de lembrete da necessidade de planejamento contra o inesperado – o que vai muito além das chuvas. Para Luciana, por exemplo, hoje, a preocupação é bem menor com as chuvas do que com as trelas do filho mais novo, Gabriel, que insiste em brincar no corrimão do muro de arrimo, construído para evitar acidentes no local. “Tem que redobrar o cuidado com ele”, brinca.


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