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Crescer PE Salvando vidas no Agreste: nova emergência cardiológica muda socorro no interior Inaugurado em dezembro passado, setor de hemodinâmica do Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru, realiza cerca de 70 procedimentos cirúrgicos por mês em pacientes do Agreste e Sertão

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Por: Rafael Martins (fotos) - Estúdio DP

Publicado em: 24/05/2017 00:00 Atualizado em: 30/05/2017 16:17

Inaugurado em dezembro de 2016, o setor de hemodinâmica do Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru, oferece aos moradores do Agreste a chance de atendimento sem que precisem se deslocar à capital do estado, o Recife. Foto: Rafael Martins/DP
Inaugurado em dezembro de 2016, o setor de hemodinâmica do Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru, oferece aos moradores do Agreste a chance de atendimento sem que precisem se deslocar à capital do estado, o Recife. Foto: Rafael Martins/DP

O comerciante caruaruense José Marcelo Correia de Melo, 51 anos, estava em casa quando sentiu uma forte dor no peito. Com histórico de problemas cardíacos, procurou o médico de confiança da família em busca de ajuda: as dores pareciam pressionar e queimar o centro do peito, levantando a suspeita de infarto. Na penúltima sexta-feira de março, com o diagnóstico de angina, foi socorrido ao setor de hemodinâmica, ainda novidade no Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru, que tornou possível a realização de procedimentos invasivos sem a necessidade de transferir pacientes à capital do estado, Recife.

O comerciante caruaruense José Marcelo comemora a proximidade da família, uma das vantagens de não precisar se dirigir à capital de Pernambuco. Foto: Rafael Martins/DP
O comerciante caruaruense José Marcelo comemora a proximidade da família, uma das vantagens de não precisar se dirigir à capital de Pernambuco. Foto: Rafael Martins/DP
Entre a entrada na urgência do centro médico e a transferência para o bloco cirúrgico, se passaram quatro dias. “Seriam três, mas precisei de um dia de tratamento preventivo com antialérgicos, pois tenho histórico de reação a medicamentos”, explica José Marcelo, agora aliviado, aguardando alta médica na enfermaria do hospital. Foram 18 dias em observação, desde os primeiros sinais da dor no peito.

“Há um tempo, havia descoberto uma artéria coronária com 50% de obstrução. Vivia fazendo exames, sob acompanhamento permanente. Agora, meu problema foi definitivamente solucionado”, conta. A angioplastia, tipo de reparo para desobstrução de vasos sanguíneos, foi apenas um dos cerca de 70 procedimentos mensais contabilizados pela equipe médica e de enfermagem do setor, desde a inauguração, em dezembro de 2016. São aproximadamente cinco entradas no bloco cirúrgico diariamente, sendo o mais frequente dos procedimentos o exame de cateterismo, que usa um tubo plástico (cateter) para exploração dos vasos e dura, em média, 10 minutos.

Responsável pelo setor de hemodinâmica, o cardiologista Carlos Duarte planeja aumentar o número de leitos da enfermaria: "Precisamos atender mais pessoas". Foto: Rafael Martins/DP
Responsável pelo setor de hemodinâmica, o cardiologista Carlos Duarte planeja aumentar o número de leitos da enfermaria: "Precisamos atender mais pessoas". Foto: Rafael Martins/DP
“Mudou minha vida. Eu precisaria ser transferido ao Recife e, no entanto, pude me submeter mais rapidamente à angioplastia, além de ser acompanhado de perto por meus familiares, com quem vivo em Caruaru, o que facilita minha recuperação”, avalia José Marcelo, que teve a companhia da esposa e da irmã na maior parte do tempo de internamento. Sua análise sintetiza as principais vantagens do departamento de hemodinâmica do hospital, de acordo com o cardiologista Carlos Duarte, chefe do setor. “Eliminar a necessidade de transporte dos pacientes à capital é a principal vantagem da inauguração do departamento em Caruaru. Isso nos poupa tempo, diminuindo as chances de sequelas e mesmo as mortes por infarto do miocárdio, algo que requer socorro urgente. Além disso, possibilita que as famílias do Agreste e Sertão não somente acompanhem os pacientes internados, como também agilizem sua volta para casa quando recebem alta”, diz o médico.

Duas vezes por semana, Duarte atende a população no ambulatório, administrando, diariamente, 15 leitos de enfermaria e oito de emergência: vem pleiteando, ainda, a instalação de dez novos leitos, a fim de contemplar mais pacientes em situação de risco. “Cerca de 800 pacientes foram internados na hemodinâmica desde dezembro. Todos eles têm direito de retornar ao hospital para serem acompanhados em sua recuperação. O principal objetivo do departamento é diminuir os óbitos por infarto, oferecer diferentes tipos de prevenção e tratamento”, detalha Duarte.

O setor funciona de segunda a sexta-feira, com médico intervencionista disponível das 8h às 14h, acompanhado por uma enfermeira-chefe e equipe técnica. Entre funcionários e insumos, são cerca de R$ 300 mil por mês investidos nas atividades. A implantação fez da unidade o único hospital do SUS no interior do estado a oferecer tratamento cardiológico desse nível. Segundo Marcelo Cavalcanti, diretor-geral do centro hospitalar, recursos da Secretaria Estadual de Saúde deram aporte à instalação de equipamentos e à infraestrutura do setor. “Viramos referência na área. Atendemos 45 municípios do Agreste e Sertão, com procedimentos de fundamental importância para a região”, opina.

Aos 56 anos, a comerciante Edilma Juvêncio não tinha histórico de problemas cardíacos: "Fui surpreendida pelo infarto, ainda bem que foi socorrida a tempo", conta. Foto: Rafael Martins/DP
Aos 56 anos, a comerciante Edilma Juvêncio não tinha histórico de problemas cardíacos: "Fui surpreendida pelo infarto, ainda bem que foi socorrida a tempo", conta. Foto: Rafael Martins/DP
A poucos quilômetros do centro médico, a comerciante caruaruense Edilma Juvêncio Silva, 56 anos, sequer sabia que podia ser tratada na própria cidade, da mesma forma que não imaginava estar sofrendo um infarto, quando passou a sentir fortes dores no peito ao longo de dias. “Não pensei que fosse algo sério. Nunca tive histórico de problemas cardíacos. Pedi que meu filho me acompanhasse à UPA e descobri que estava infartando. Fui submetida a um cateterismo no hospital, onde fiquei 14 dias em observação, sendo quatro na UTI”, relata a comerciante, que, poucos dias depois de receber alta, retornou à lanchonete onde trabalha e reassumiu a própria rotina, um roteiro que, como ela mesma diz, poderia ser bem diferente: “não precisar viajar ao Recife pode ter salvo minha vida, tive sorte”.




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