DP Empresas Marca pernambucana se prepara para ganhar o país com franquias

Por: Kauê Diniz

Publicado em: 16/03/2019 11:00 Atualizado em: 18/03/2019 12:04

João Lucena e Felipe Carvalheira apostam no oinho como carro-chefe da marca. Foto: Bruna Costa/Esp. DP Foto
João Lucena e Felipe Carvalheira apostam no oinho como carro-chefe da marca. Foto: Bruna Costa/Esp. DP Foto

Os sonhos de crianças muitas vezes se perdem no passado com o passar dos anos. Os amigos João Lucena, 26 anos, e Felipe Carvalheira, 27, seguiram carreiras diferentes: um administrador de empresas, o outro advogado, inclusive em outro país, no caso do primeiro. Mas o desejo adormecido acordou quando João, descontente com os rumos profissionais, decidiu largar o emprego na Argentina, voltar para casa e colocar em prática a ideia de criar uma marca de vestuário masculino legitimamente pernambucana e com peças desenhadas por ele mesmo. Nascia então, em dezembro de 2017, a Artesão Craft Wear, com o linho como carro-chefe na produção - a nova coleção foi lançada nesta quinta-feira. Com pouco mais de um ano, a dupla está amarrando o próximo passo do negócio: começar a ganhar o país em formato de franquias.
Segundo os agora empresários, há vários interessados em levar a marca para outros estados e em Pernambuco também. Acreditam que, ainda em 2019, duas a três novas lojas estarão em funcionamento.

Os locais, eles ainda preferem manter em sigilo. Mas hoje, devido ao modelo de atacado, a Artesão já está presente em lojas multimarcas de seis estados, nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, inclusive no badalado endereço da Vila Madalena, na capital paulista, e a demanda para expansão nesse formato também existe.
Desde o início, a dupla acreditava que tinha nas mãos um negócio escalável. Tanto que os R$ 80 mil aplicados lá no começo já voltaram ao caixa e se transformaram em mais dois investimentos posteriores. Durante sete meses trabalharam na modelagem do produto para chegar ao caimento mais próximo da perfeição desejada. "Trabalhamos com os melhores tecidos. Queríamos que as pessoas tivessem conexão com nosso produto. Temos vários tubarões (concorrentes) neste segmento de vestuário, então nosso trabalho não é só a roupa. Carrega arte, cinema, literatura%u2026 Cada peça tem um detalhe, um toque. Quebramos paradigmas de beleza", afirma João, que, apesar de assinar as peças, jamais fez um curso de desenho.

Porém, o modelo de negócio idealizado por ambos ficou no passado já no primeiro mês. A ideia era fixar a marca no e-commerce. Mas aí, como diz Felipe, os clientes %u201Cqueriam pegar na roupa%u201D. "Reagimos rápido e, depois do primeiro mês, começamos a trabalhar no sistema de malas, deixando peças de roupa na casa de interessados e deu muito certo", conta Felipe.

Com oito a doze malas simultaneamente na casa de clientes, a dupla começou a sentir que "faltavam mãos" para manter o crescimento do negócio nesse formato. Foi inevitável então, partir para uma loja física é o endereço escolhido o Shopping RioMar, desde outubro do ano passado, a dois meses do primeiro grande teste: o fim de ano. E aí veio um novo aprendizado. "Vendemos pra caramba. Faltou peça para vender. Não tínhamos experiência em varejo. Isso serviu como oportunidade para remodelar nossos tamanhos de acordo com a demanda, porque o perfil dos nossos clientes do e-commerce e das malas era mais magro e com a loja isso se diversificou mais", conta Felipe.

Muitos desses novos clientes, inclusive, ficam surpresos, segundo João, ao entrar na loja e descobrir que a marca é pernambucana. "Acho que isso é um pouco pelo conceito que aplicamos. Primeiro, o linho, nosso carro-chefe, é um produto que chama a atenção e um desafio que temos é dar um preço justo à qualidade das peças. Muitos clientes são estudantes. Outra coisa é que a loja, na verdade, é um espaço de convivência. Falamos que é como se fosse um clube, onde ofertamos cerveja artesanal, cafezinho. Muita gente entra para bater um papo", explica João.

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