finanças Saques da Poupança no primeiro bimestre são os maiores desde 2016

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 09/03/2019 14:11 Atualizado em: 09/03/2019 14:14

Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

O brasileiro recorreu à poupança para pagar as pendências financeiras do início do ano. Segundo dados do Banco Central (BC), houve uma retirada líquida de R$ 15,253 bilhões no primeiro bimestre do ano, o que representa o maior volume para o período desde 2016. A caderneta perdeu atratividade com a queda da taxa Selic, mas o principal motivo, para analistas, é o aperto financeiro.

O educador financeiro e especialista Ricardo Rocha, do Insper, explicou que os trabalhadores precisam arcar com vários compromissos financeiros no início do ano, sejam com viagens, matrícula e materiais escolares, sejam com impostos e outros. “Normalmente, o início do ano é um período em que se ampliam os gastos das famílias. Embora sejam despesas esperadas, é comum a retirada de recursos da poupança para ajudar no pagamento”, destacou.

Segundo o BC, os saques totalizaram R$ 11,23 bilhões em janeiro e R$ 4,02 bilhões em fevereiro. Somando os dois valores, as perdas para a caderneta atingem R$ 10 bilhões a mais neste ano em relação a 2018. Para a economista-chefe do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), Marcela Kawauti, apesar de ter sido maior, o importante é que a poupança está num processo de alta nos últimos meses.

Os números mostram que, de janeiro para fevereiro, o volume total de recursos aplicados caiu de R$ 788,898 bilhões para R$ 787,933 bilhões. “Se compararmos este saldo com fevereiro de 2018, perceberemos que houve um acréscimo de 8,75%. Ou seja, indica que as pessoas estão poupando”, avalia Marcela. O estoque de dinheiro no investimento somava R$ 724,54 bilhões no mesmo mês do ano passado.

De acordo com uma pesquisa feita pelo SPC Brasil, o cenário de recuperação de crédito entre os consumidores começa a dar sinais de melhora. O número de brasileiros inadimplentes que regularizaram as pendências cresceu 11,5% no acumulado de 12 meses terminados em janeiro.

O levantamento mostrou ainda que a dívida não é um evento isolado na maioria dos casos. Do total de consumidores que foram negativados no último mês de janeiro, 79% são reincidentes, ou seja, já ocuparam o cadastro de devedores ao longo dos últimos 12 meses. Segundo o SPC Brasil, o tempo médio entre o vencimento de uma dívida para a outra é de 96 dias. Isso significa que, depois de pouco mais de três meses após ficar inadimplentes, o consumidor volta a atrasar o pagamento de uma segunda conta. Em 2018, com a recuperação do mercado de trabalho e renda, a poupança fechou o ano com captação líquida de R$ 38,260 bilhões.

Rentabilidade

O Banco Central mostrou ainda que a rentabilidade da caderneta permitiu ganhos de R$ 2,965 bilhões em fevereiro. De acordo com Ricardo Rocha, mesmo que em efeito menor, o saque do dinheiro pode ser explicado pela menor atratividade da poupança. O rendimento da caderneta é calculado pela soma da taxa referencial (TR) com 70% da taxa Selic, que atualmente está no menor nível da história, em 6,5% ao ano.

Na prática, quanto menores os juros, pior será o retorno financeiro para os poupadores. Hoje, a caderneta rende 4,55% mais TR. Há no mercado várias opções de investimentos seguros que dão maior ganho. “É uma porcentagem menor desta retirada, mas há pessoas que migram para outras aplicações mais rentáveis. Tem opções que dão ganhos maiores”, declarou Rocha.

Em janeiro de 2017, porém, os ganhos da poupança superaram R$ 4 bilhões. O número expressivo é explicado pela mudança de legislação quando a taxa Selic está acima de 8,5% ao ano, o rendimento da caderneta é de 0,5% ao mês mais a taxa referencial.


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