DP Empresas Reaquecimento do mercado de aluguel no Recife

Por: Luciana Morosini

Publicado em: 24/02/2019 10:00 Atualizado em: 24/02/2019 10:17

Fechamento das negociações para alugar ganhou maior agilidade. Foto: Fernanda Carvalho/Fotos Públicas.
Fechamento das negociações para alugar ganhou maior agilidade. Foto: Fernanda Carvalho/Fotos Públicas.
A perspectiva de maior estabilidade da economia e a elevação da confiança do consumidor têm garantido reflexos para o setor imobiliário e não só no quesito dos lançamentos e das vendas. O mercado de aluguel tem sentido os efeitos também. Por um lado, já existe um movimento crescente no que diz respeito ao fechamento de contratos com maior agilidade, enquanto por outro essa movimentação na alta da demanda tem gerado reações no preço dos aluguéis. O valor do metro quadrado registrado no Recife em janeiro foi de R$ 27,24, uma alta de 0,56% em relação a dezembro e de 6,75% no acumulado dos últimos 12 meses, segundo levantamento do Índice FipeZap. O bairro mais caro foi o Pina, com o preço do metro quadrado em R$ 34,61, seguido de Boa Viagem, em R$ 32,31, e Madalena, em R$ 25,19.

Se antes os aluguéis demoravam mais para serem fechados, por conta da instabilidade que a crise gerou e do receio de dar um passo maior com um contrato duradouro, hoje as transações estão sendo finalizadas com maior agilidade. "Há cinco anos o movimento mostrava que a vacância e a inadimplência estavam aumentando. Da parte dos inquilinos, eles estavam muito na dúvida, pesquisavam mais e demoravam para assinar o contrato. Agora a movimentação já mostra uma reação do setor, com os negócios sendo fechados mais rapidamente e também a quantidade de imóveis disponíveis para locação diminuíram um pouco", afirma Luciano Novaes, vice-presidente do Sindicato da Habitação de Pernambuco (Secovi-PE) e diretor da Âncora Imobiliária.

Para ele, os sinais de melhora na economia têm sido fundamental para mudar o panorama do mercado de aluguel. "A crise tinha realmente afetado, muitas pessoas tinham precisado voltar para as casas dos pais ou alugar um imóvel mais barato. Agora a gente já sente que elas estão voltando a buscar e fechar negócio com algo melhor, que possa estar perto do trabalho ou da escola dos filhos, dando mais qualidade de vida para elas", conta. Além disso, os proprietários que estão ficando com os imóveis desocupados também estão sentindo uma movimentação melhor no mercado. "Antes, quando o imóvel ficava vazio, na hora de alugar novamente, os donos conseguiam negociar com o mesmo valor que estava alugado ou até menor. Agora isso mudou porque estão conseguindo fechar o aluguel pelo mesmo valor ou superior", ressalta.

Comercial

A crise financeira afetou os negócios de uma forma geral. "Nos tempos de instabilidade, os empresários buscavam um ganho de produtividade adotando algumas medidas, como o enxugamento do espaço, a diminuição do quadro de funcionários, o uso de tecnologia", afirma Luciano Novaes. Porém, as expectativas positivas em relação à melhora da economia têm deixado os empresários mais otimistas e, consequentemente, gerado resultados também para a locação de imóveis comerciais. "O empresário só vai se animar de abrir um negócio se tiver a perspectiva que vai dar certo e, para isso, a economia precisa estar mais estável porque ele tem que acreditar nela. E já sentimos isso no mercado, inclusive aumentando os contratos de aluguel de imóveis comerciais", acrescenta.

Variação além da média nacional

O crescimento de 0,56% no preço do aluguel residencial em janeiro no Recife é maior do que a média nacional, já que entre as 11 capitais analisadas pelo Índice FipeZap, o percentual médio de incremento foi de 0,41%. A alta também ficou acima da inflação do mês, medida pelo IPCA/IBGE, que foi de 0,32%. A variação mensal na capital pernambucana foi a terceira maior do Brasil. Já levando em consideração o acumulado nos últimos 12 meses, os 6,75% de alta no mercado recifense representaram o segundo maior índice. O valor do metro quadrado no Recife foi de R$ 27,24, sendo o sexto mais alto entre as 25 cidades brasileiras avaliadas e ficando abaixo da média nacional, de R$ 28,08.

A capital que teve a maior variação, tanto em janeiro como no acumulado dos últimos 12 meses, foi Brasília, com percentuais de 2,15% e 6,92%, respectivamente. Na comparação entre dezembro e janeiro, São Paulo também aparece com a média acima do Recife, em segundo lugar, com 0,73%. A capital paulista foi a que teve o maior valor registrado para o metro quadrado (R$ 37,02), seguido por Rio de Janeiro (R$ 30,21) e Brasília (R$ 28,07).

Rentabilidade

O Índice FipeZap ainda analisa a rentabilidade do aluguel, que é a razão entre o preço médio de locação com o valor médio de venda dos imóveis. Ele pode servir para o investidor que opta por investir no imóvel para ter renda com aluguel observar a atratividade do mercado imobiliário em relação a outras opções de investimento disponíveis. Entre as 25 cidades analisadas, o retorno médio do aluguel residencial, variação anualizada, foi de 4,47% em janeiro deste ano. Já no Recife, esse índice ficou em 5,55%, o maior entre as capitais listadas.

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