Crescimento Lucro dos grandes bancos passa dos R$ 73 bi em 2018 e supera gasto com calotes

Por: AE

Publicado em: 15/02/2019 12:45 Atualizado em:

Foto: Reprodução/Pixabay
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Com trégua na inadimplência, os grandes bancos brasileiros de capital aberto conseguiram entregar em 2018 lucros superiores aos gastos com calotes pela primeira vez desde a crise que o País atravessou e que custou três anos de recessão. Para 2019, o motor para os resultados dos pesos pesados do setor deve voltar a ser o crédito, que pode crescer dois dígitos, conforme sinalizam as projeções de desempenho já divulgadas, principalmente, se a reforma da Previdência for aprovada.

No ano passado, o lucro líquido consolidado de Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil atingiu R$ 73,208 bilhões, aumento de 12,77% em relação a 2017, quando totalizou R$ 64,916 bilhões. 

A cifra superou em mais de R$ 5,5 bilhões as despesas com provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, que chegaram a quase R$ 68 bilhões no exercício passado, mais do que todo o patrimônio líquido do próprio Santander.

"Nos últimos dois anos, os resultados dos bancos foram direcionados pela queda de PDDs. No quarto trimestre, houve uma aceleração do crédito, que serve de sinalização para 2019. 

Os resultados no ano serão direcionados pelo maior crescimento da carteira e com mix melhor, com foco na pessoa física", avaliou o diretor de renda variável da Eleven Financial, Carlos Daltozo, em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Juntos, Bradesco, BB, Itaú e Santander viram seu lucro líquido alcançar R$ 19,558 bilhões no quarto trimestre, aumento de 14,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. Enquanto isso, os gastos com calotes encolheram em quase 12%, para R$ 16,636 bilhões, no período de referência.

O quarto trimestre ainda foi influenciado por resquícios das eleições no País, na opinião do analista da Genial Institucional Eduardo Nishio. E, portanto, o que estava na mira dos analistas e investidores foram justamente os guidances de desempenho, que tradicionalmente são divulgados no início do ano. "Os guidances foram bem positivos, com números indicando aumento de dois dígitos de lucro nos quatro grandes bancos", destacou Nishio.

O maior crescimento de lucros em 2019 deve vir por parte do Bradesco, que começa a capturar sinergias de forma mais intensa com o HSBC, e ainda do Banco do Brasil, cuja estrada para melhora de rentabilidade é mais longa que a dos demais competidores. 

Na sequência, o Santander Brasil, que tem avançado frente aos pares numa verdadeira colheita de frutos da reestruturação que fez em seu banco de varejo, tende a desacelerar o ritmo, mas ainda seguir forte. Por último, o Itaú Unibanco, cujos números de retorno e lucro já superam a concorrência, tende a crescer em um ritmo mais ameno que os outros.


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