privatização 'Vamos reprivatizar a Vale', diz Salim Mattar, secretário de Desestatização

Por: Simone Kafruni - Correio Braziliense

Publicado em: 13/02/2019 10:59 Atualizado em: 13/02/2019 11:30

Mattar (ao centro): 'A Vale não foi privatizada, porque fundos de pensão ainda detêm o controle da empresa'. Foto: Simone Kafruni/CB/D.A Press
Mattar (ao centro): 'A Vale não foi privatizada, porque fundos de pensão ainda detêm o controle da empresa'. Foto: Simone Kafruni/CB/D.A Press
O objetivo do governo até o fim do ano é vender US$ 20 bilhões em estatais, garantiu o secretário geral da Secretaria de Desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar. Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Petrobras serão preservadas, mas com funções redirecionadas e “mais magrinhas”, com a privatização de subsidiárias. Mattar disse ainda que vai “reprivatizar” a mineradora Vale.

“A Vale não foi privatizada, porque fundos de pensão ainda detêm o controle da empresa”, explicou, durante o painel Privatizações, empresas estatais e modernização do Estado brasileiro do Seminário de Abertura do Ano de 2019, realizado nesta quarta-feira (13/2) pela revista Voto, com apoio do Financial Times. 

Mattar destacou que o governo quer realocar os R$ 15 bilhões gastos com a folha de pagamento de 70 mil funcionários públicos de estatais deficitárias. “Você daria R$ 15 bilhões para estatais ou para o armamento da polícia? Pagaria R$ 15 bilhões para 70 mil servidores ou para melhorar o salário dos professores e dar condições às escolas? Qual seria sua opção?”, indagou.

O secretário lembrou que o país foi conduzido pela social democracia nos últimos anos, mas que as eleições mostraram que a população quis mudar isso. “O eleitor nem sabe o que é liberalismo, mas quer mudança. Então o governo tem obrigação de fazer uma disrupção”, assinalou.

Segundo ele, o modelo passado que trouxe insatisfação porque criou um Estado gigantesco, pesado, uma máquina terrivelmente onerosa para o pagador de impostos. “Vamos quebrar o modelo anterior, burocrático, que é um inferno para o empreendedor”, prometeu.

Bancos
Mattar defendeu que o governo não tem que competir com o setor privado. “Deve focar em saúde, defesa, educação. Por isso temos um programa de privatização muito forte. A Petrobras tem 36 subsidiárias, mas o Judiciário está retendo a possibilidade dessas privatizações”, destacou. O secretário culpou a social democracia pelas dificuldades enfrentadas agora para vender estatais.

“As subsidiárias de Caixa, Banco do Brasil e Petrobras serão as primeiras, mas essas empresas pelos seus tamanhos, serão preservadas. Mas terão seu papel redesenhados. Não vão competir com o mercado. Serão mais direcionadas às políticas de de governo”, destacou.


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