inflação Especialistas apostam que inflação deve fechar o ano abaixo dos 4%

Por: Hamilton Ferrari - Correio Braziliense

Publicado em: 12/02/2019 08:02 Atualizado em:

O mercado de trabalho fraco e o consumo das famílias em recuperação lenta explicam a baixa variação dos preços. Foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
O mercado de trabalho fraco e o consumo das famílias em recuperação lenta explicam a baixa variação dos preços. Foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
Pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil pode ter uma inflação abaixo do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Se as previsões dos analistas de mercado se confirmarem, o Índice Nacional de Preço ao Consumidor (IPCA) fechará 2019 mais uma vez abaixo de 4%. Na última semana, os especialistas diminuíram a taxa de 3,94% para 3,87%, no fim do ano. O mercado de trabalho fraco e o consumo das famílias em recuperação lenta explicam a baixa variação dos preços.

Na prática, a atividade econômica ainda devagar faz com que produtos e serviços tenham a alta nos valores limitada. Isso ocorre mesmo quando a taxa Selic está no menor nível da história — 6,5% ao ano. Ou seja, mesmo com os juros baixos, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil tem dificuldades para engrenar. Segundo as projeções de mercado, disponíveis no relatório Focus, do Banco Central (BC), a economia vai crescer 2,5% em 2019.

O patamar é maior do que em 2018, quando avançou cerca de 1,3%. Mesmo assim, é insuficiente para melhorar o mercado de trabalho ao ponto de causar pressões inflacionárias. O IPCA ficou em 2,95% e 3,75% em 2017 e 2018, respectivamente, sem causar transtornos com a meta, que era de 4,5%. Para este ano, os analistas também não veem risco de que a taxa fique acima, mesmo com a decisão do CMN de diminuir o objetivo inflacionário para 4,25% em 2019.

Estímulos
Os itens que mais têm influenciado a inflação nos últimos anos são aqueles com preços administrados — preestabelecidos em contratos ou definidos por governos e empresas. A gasolina, a energia elétrica, os planos de saúde e o botijão de gás são exemplos deles. Houve um enfraquecimento das taxas desses produtos nos últimos meses com a queda do dólar e outras variáveis de mercado.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os preços administrados combinaram 6,04% no acumulado de 12 meses até janeiro. O mercado prevê redução até dezembro deste ano, chegando a 4,89%. Além disso, os economistas aguardam o desempenho da inflação de serviços, que está em 3,71% no acumulado de 12 meses. O item é um importante componente para o IPCA.

A economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, explica que a atividade está demorando a reagir aos estímulos monetários. “Na minha opinião, grande parte dessa demora é resultante da incerteza fiscal, em relação à aprovação de uma boa reforma de Previdência e da retração fiscal que estamos vendo principalmente nos níveis estaduais e municipais”, disse. O economista-chefe e Sócio do ModalMais, Álvaro Bandeira, apontou que a recuperação ocorre de forma muito lenta e sem grandes investimentos. “Temos uma capacidade ociosa para ser ocupada. O nível de desemprego é muito alto, o que deixa a demanda reduzida. Podemos ver que, mesmo com o dólar batendo R$ 4,20 nas eleições, isso não teve impacto inflacionário muito grande”, afirmou.

Prematuro
O especialista ressaltou que há grande expectativa em relação à aprovação da reforma da Previdência, algo que permitiria a redução da inflação. “Com o nível fraco que temos, a inflação voltaria a pressionar mais em 2020, a não ser que não saia reforma nenhuma, o que eu acho que não é algo possível”, ressaltou Bandeira. A aprovação da reforma é uma grande sinalização de que o Brasil vai ajustar as contas públicas, que estão deficitárias desde 2014. Com isso, o país ganha atratividade para investimentos. “Após isso, o primeiro impacto é de queda na inflação. Pode ter uma pressão mais para frente. Mas, como haverá um novo texto, a tendência é de que seja aprovada em agosto. Ou seja, o efeito é quase nenhum em 2019”, disse.

Por isso, analistas mantêm a projeção para a taxa Selic em 6,5% ao ano, ao término de 2019. Alguns veem espaço para redução, mas ainda não se atingiu a mediana de mercado. “Ainda não podemos reduzir a Selic. O BC está mantendo serenidade, cautela e perseverança, e a tendência é seguir esperando o avanço principal das reformas, que vai ser o fundamental”, ressaltou Daniel Xavier, economista-chefe da DMI Group.

Para Solange, é prematuro dizer que há espaço para quedas adicionais. “Acredito que, se a reforma for aprovada, o Banco Central deveria esperar para ver os efeitos da volta da confiança. Quão rapidamente a atividade irá se recuperar? Será que vamos ter uma grande apreciação cambial? Não vejo chances de um movimento antes da concretização da reforma. O ideal é o BC analisar com cautela os impactos na atividade e expectativas de inflação desse evento que pode ter consequências diversas”, destacou a especialista.


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