selic Com Ilan de saída do BC, Copom decide manter taxa básica de juros

Por: Hamilton Ferrari - Correio Braziliense

Publicado em: 07/02/2019 08:28 Atualizado em:

A previsão majoritária do mercado é de que ela continue no mesmo nível até o fim de 2019. Foto: Sérgio Lima/AFP
A previsão majoritária do mercado é de que ela continue no mesmo nível até o fim de 2019. Foto: Sérgio Lima/AFP
Numa decisão já esperada pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu pela sétima vez consecutiva manter a taxa básica de juros, a Selic, em 6,5% ao ano. A taxa está no menor patamar da história desde março de 2018. A previsão majoritária do mercado é de que ela continue no mesmo nível até o fim de 2019, mas há instituições financeiras revisando as projeções para baixo. Além de a previsão de inflação para este ano estar abaixo da meta, a promessa do governo de equilibrar as contas e interromper o avanço da dívida pública vem sendo avalizada pelos analistas — ainda que a aprovação da reforma da Previdência, principal medida nessa direção, suscite dúvidas, como mostrou a forte queda, na quarta-feira (6/2), da Bolsa de Valores de São Paulo (veja matéria ao lado).

A reunião de quarta-feira (6/2) do Copom foi, provavelmente, a última comandada por Ilan Goldfajn. Ele será substituído na presidência do Banco Central (BC) tão logo o sucessor indicado, Roberto Campos Neto, tenha o nome aprovado pelo Senado. Quando assumiu o posto, em junho de 2016, Goldfajn encontrou a Selic em 14,25%. De lá para cá, conseguiu ancorar as expectativas do mercado em relação à inflação e trouxe os juros básicos ao patamar atual. Muitos economistas acreditam que, em futuras reuniões, o BC poderá reduzir a taxa ainda mais.

O elemento fundamental para que essa previsão se concretize será a reforma da Previdência. O economista-chefe e sócio da Quantitas Asset, Ivo Chermont, observa que, se o Congresso der aval a uma reforma robusta, o problema das contas públicas poderá ser equacionado. “Não precisa nem ter uma economia de R$ 1 trilhão em 10 anos, como prevê o ministro (da Economia) Paulo Guedes, para ter efeito significativo na economia”, afirmou. “Caso as mudanças tragam uma economia de R$ 800 bilhões no mesmo período, haverá um grande otimismo.”

Num cenário otimista, Chermont acredita que o Banco Central começará uma nova rodada de redução dos juros em setembro e prevê, para o fim do ano, uma taxa de 5,5% — um ponto percentual menor que a atual. Patrícia Pereira, da Mongeral Aegon Investimentos, é mais cautelosa. Ela observa que a sinalização de parlamentares da base aliada é de que o governo não vai usar a proposta de reforma enviada ao Congresso pelo ex-presidente Michel Temer, o que permitiria ganhar tempo.

“Não dá para ter redução de Selic sem ter reforma forte aprovada. Assim que passar no Congresso, teremos espaço para taxas estruturais mais baixas. Mas as discussões apontam que o governo deve encaminhar uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O rito é mais demorado e não estou confiante de que passe no primeiro semestre. Talvez no terceiro trimestre”, frisou.

Para o Banco Central, a agenda de reformas é o ponto chave, mesmo porque o cenário internacional “permanece desafiador”, como salienta o comunicado distribuído na quarta-feira (6/2), após a reunião do Copom. “Por um lado, diminuíram os riscos de curto prazo associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas. Por outro lado, aumentaram os riscos associados a uma desaceleração da economia global, em função de diversas incertezas, como as disputas comerciais e o Brexit”, diz o documento.

A principal preocupação do BC é com uma possível frustração em relação às medidas internas que precisam ser tomadas para resolver o desequilíbrio fiscal e criar um ambiente de juros estruturalmente mais baixo no país. “O Comitê enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa a médio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia”, informou a autoridade monetária.

Poupança perde R$ 11 bi
Para fazer frente às despesas do início de ano, os brasileiros sacaram R$ 11,2 bilhões líquidos da caderneta de poupança em janeiro, informou o Banco Central. O montante é o segundo maior da história para o mês, perdendo apenas para os R$ 12,032 bilhões de janeiro de 2016. Os saques refletem, em grande parte, a necessidade de recursos para pagar despesas como IPTU, IPVA, matrículas e materiais escolares. Janeiro é, tradicionalmente, um mês em que as famílias retiram recursos da caderneta, sendo que muitas vezes a origem do dinheiro é o 13º terceiro salário pago em dezembro. A diferença é que os saques do mês passado foram mais que o dobro do montante de janeiro de 2018 (R$ 5,201 bilhões).


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