DP Empresas Pernambucanos investem R$ 13 milhões e ampliam indústria de hambúrger

Por: Kauê Diniz

Publicado em: 27/01/2019 10:00 Atualizado em: 27/01/2019 10:06

Foto: Fernando Sposito/Divulgação
Foto: Fernando Sposito/Divulgação


Quando observam o passado pelo retrovisor, Marco Porto Carreiro Filho e Gilson Saraiva Filho enxergam que conseguiram avançar a passos largos de 20%, em média, de crescimento ao ano no caminho da consolidação do negócio. À frente, olham o horizonte traçando o desafio de replicar nos demais produtos do portfólio o case do salsichão Tony, que difundiu a marca e virou o carro-chefe da Fipel Frigorífico Industrial, liderando o mercado nesse segmento em Pernambuco, segundo os sócios. A receita agora está na produção, sobretudo, de hambúrgueres, com tempero exclusivo para o paladar nordestino, que vai dar ao grupo o status de primeira fábrica com DNA local desse tipo de alimento no Norte e Nordeste. A empresa de alimentos processados inaugura, neste sábado, em Igarassu, a nova linha de produção, mais que dobrando a sua capacidade. O investimento foi de R$ 13 milhões.

Porém, até colocar a carne moída na máquina e transformar em círculos prontos para consumo uma longa estrada foi percorrida. Durante anos, a BR-101 foi a confidente diária de Marco no caminho de volta da fábrica para casa. Os números não batiam com as expectativas do empresário, que começou o negócio sozinho há 22 anos - o nome Tony foi herdado do frigorífico do pai, que encerrou as atividades em 1981. Para fechar a conta, após “dois anos de aperreio”, procurou ajuda e foi apresentado por amigos em comum a Gilson em 2011. Segundo eles, um completou o outro: Marco é aquele que gosta de cuidar do “chão da fábrica”; Gilson tem a veia mais comercial e de gestão. “Somamos a expertise de cada um”, afirma Marco. A virada da Tony começava ali.

Com a chave na ignição, a dupla precisou de criatividade para driblar o caixa enxuto. Foram a uma feira nacional, em 2012, para adquirir máquinas novas e a compra de duas delas, da Poly Clip, fundamentais para a produção, custava R$ 395 mil. “Seu Kaiser (Rodney), um alemão, dono da empresa, que eu já conhecia há anos, perguntou se pagaríamos em seis vezes. Mas não tínhamos dinheiro e dissemos que não dava. Ele ofereceu em 12 vezes e nós propomos em 30. Ele aceitou sem garantia alguma. Foi, como dizem, no fio do bigode. Sempre fui muito correto, então tinha confiança na gente”, destaca Marco, que conta com a presença de Kaiser na inauguração deste sábado.

O que o parceiro comercial e hoje amigo vai encontrar, em Igarassu, é uma planta com 3,3 mil metros quadrados - antes eram 2 mil - e uma produção de mil toneladas mês, das linhas de produtos já existentes de salsichão, mortadela, calabresa, salsicha, lanche de frango e embutidos cozidos, que pode alcançar até três mil mês, com o reforço da produção de hambúrguer, além de toscana e linguiça fina, que também estreiam. 
“Temos a capacidade de produzir 500 toneladas por mês somente de hambúrguer. Quando conseguirmos ter 100% disso movimentando aí, vamos começar a pensar no próximo ciclo, que já sabemos qual é, mas não podemos nos antecipar e desviar nosso foco”, conta Marco.

“A fábrica de congelados era nossa prioridade. Não existia uma empresa com hambúrguer com esse sabor e preço competitivo”, reforça Gilson, destacando um dos segredos para aceitação do público consumidor, que agrega a classe B, mas é majoritariamente C e D. “Todos os produtos fazemos de acordo com pesquisas qualitativas de sabor para identificar o que o nordestino mais se identifica e gosta”, acrescenta.

Os sócios estimam que 2019 deve repetir o desempenho de crescimento médio dos anos anteriores, 20%, e acreditam que esse fortalecimento da marca, presente em todos os estados do Nordeste, além do Pará, vai contribuir para elevar o número de funcionário, de 350, atualmente, para 500, até 2020, e realizar o objetivo de ambos à frente da Tony. “Desejo ser referência na região em alimentos com DNA totalmente nordestino até 2021. Escutar, por exemplo, as pessoas dizendo: ‘Comprei, Tony’”, revela Gilson. Marco mostrou entrosamento na resposta, mudando somente a forma de expressar seu objetivo à frente da empresa. “Espero que nossos demais produtos se tornem referência como é o salsichão”. 



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