INTERIOR Apicultura estimula geração de renda no Sertão Em Carnaíba, a 394 quilômetros do Recife, a atividade vem sendo desenvolvida pela associação dos agricultores do município

Por: Sebastião Araújo - Diario de Pernambuco

Publicado em: 26/01/2019 10:00 Atualizado em: 27/01/2019 14:56

Foto: Roberto Arrais/Divulgação
Foto: Roberto Arrais/Divulgação

Um projeto de geração de renda que vem beneficiando a população de Carnaíba, no Sertão do Pajeú, é desenvolvido pela Associação dos Apicultores de Carnaíba e Região (AAPIC) em parceria com a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente do município. Trata-se do projeto de criação de abelhas, que se estende por vários locais das áreas urbana e rural. Dos 43 sócios da AAPIC, 35 estão produzindo mel e derivados da abelha. No ano passado, a produção variou entre 8 a 12 toneladas de mel. Além do mel, a associação produz e comercializa ketchup, própolis puro e composto, lambedores e cosméticos, entre outros produtos. Os preços dos itens variam de R$ 5 (uma pomada à base de própolis) a R$ 30 (mel em favo). Já o mel líquido tem preços entre R$ 10 e R$ 25, dependendo do litro.

Associação oferece uma série de produtos derivado do mel. Foto: Roberto Arrais/Divulgação  (Foto: Roberto Arrais/Divulgação )
Associação oferece uma série de produtos derivado do mel. Foto: Roberto Arrais/Divulgação


"É uma atividade sustentável", garante Luiz Alves de Siqueira, 49, presidente da associação. "Quanto mais se produzir, fica mais fácil a venda". Um dos motivos para a escolha da opção da atividade numa região tão seca foi, segundo o gestor, a diversidade de plantas da caatinga já que as abelhas são responsáveis pela polinização das plantas. "A natureza nos presenteia com uma florada de diversas plantas, e com isso as abelhas são favorecidas", explica Luiz Siqueira, que é um dos produtores de mel de Carnaíba. O município tem potencial para produzir 30 toneladas anualmente. "Se todos os associados praticassem a apicultura, teríamos cerca de 51 toneladas/ano", acredita o dirigente da AAPIC. A produção no ano passado teve uma baixa, creditada por Luiz Siqueira às condições climáticas, pois "o inverno parou de vez".

Presidente da associação de agricultores, Luiz Siqueira cria abelhas no meio da caatinga, no Sítio Tamboril. Foto: Roberto Arrais/Divulgação  (Foto: Roberto Arrais/Divulgação )
Presidente da associação de agricultores, Luiz Siqueira cria abelhas no meio da caatinga, no Sítio Tamboril. Foto: Roberto Arrais/Divulgação


De 2007 para cá, quando foi fundada, a associação vem dando passos largos na conscientização dos associados e da população quanto à rentabilidade da apicultura. Já existe um selo, o Vozes da Seca, e falta apenas certificação para que os produtos à base de mel da AAPIC chegue ao mercado consumidor. Informamelmente, já são vendidos em feiras e exposições na região e no estado. O projeto é amplo e envolve até mesmo a capacitação de agricultores para produção de derivados à base do mel de abelha. A associação mantém uma casa do mel com maquinário que beneficia toda produção dos sócios e tem também uma escola para capacitação na área da apicultura.

Projeto evita o êxodo rural

"Como é rentável, a apicultura é uma forma de manter o homem fixo à terra", analisa Luiz Siqueira, presidente da Associação dos Apicultores de Carnaíba e Região (AAPIC). Foi o que aconteceu com o agricultor Manoel Alves da Silva, 54, morador do Sítio Tamboril, na zona rural do município. Manoel pôde diversificar suas atividades na roça com a adesão à apicultura sem precisar ir muito longe. Antes vivia de plantar apenas milho e feijão. Atualmente, mantém 24 colmeias com estimativa de produção de mel em torno de 700 quilos, este ano, ao lado da casa onde mora. "Estou esperando o inverno chegar para trazer uma nova florada", revela o agricultor, ansioso para ter uma renda extra com a produção de mel.

Na verdade, a apicultura em Carnaíba está em evidência agora mas é uma operação antiga. Na família do funcionário público Olavo Damião Torres, 63, tudo começou com seu pai José Damião Torres. Morando na área urbana da cidade, ele cria a abelha indígena, tida como social e que tem baixa agressividade e produz entre um a dois quilos de mel por ano. Esse mel é tido como mais valioso. São 32 colmeias mantidas no quintal de casa. No ano passado, ele tirou cerca de 30 litros, cada um sendo vendido a R$ 40. No Sítio Poço Grande, Olavo mantém o apiário com a criação da abelha italiana, produzindo cerca de uma tonelada de mel por ano.

REFERÊNCIA
Engenheiro agronômo Anchieta Alves se deu bem com investimento na apicultura. Ele obtém uma grana extra mensal em torno de R$ 2 mil. Foto: Roberto Arrais/Divulgação
Engenheiro agronômo Anchieta Alves se deu bem com investimento na apicultura. Ele obtém uma grana extra mensal em torno de R$ 2 mil. Foto: Roberto Arrais/Divulgação


O engenheiro agrônomo José Anchieta Alves de Queiroz, 51, acabou tornando-se referência no município no quesito apicultura. Fez um curso na área em 1990, identificou-se com o ofício e possui cerca de 60 colmeias, divididas em três apiários distribuídos pelos sítios Riacho do Peixe e Serrote Verde, em Carnaíba, e Matinha, em Afogados da Ingazeira. Em 2018, Anchieta Alves tirou aproximadamente 40 quilos por caixa, ficando a produção total em torno de 1.800 quilos. "É um investimento garantido pois traz retorno", pontua o produtor. "Para mim gera uma renda mensal em torno de R$ 2 mil". Na visão do engenheiro, a apicultura está ainda engatinhando em Carnaíba. "Tem campo para crescer mas falta incentivo. Não temos, por exemplo, a assistência técnica que deveríamos ter", expõe. "Mas, no geral, estou satisfeito".

O próprio presidente da associação é dono de um apiário contendo com 45 colmeias, no meio da caatinga no Sítio Tamboril, aproximadamente 12 quilômetros do Centro. Luiz já era apicultor e enfrentou um período de desemprego na vida. "Foram as abelhas que me deram o respaldo para continuar sobrevivendo", relembra. Hoje, o faturamento do dirigente chega a aproximadamente R$ 3 mil mensais. 






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