investidores Governo busca parceiro para colocar Angra 3 em operação até 2026

Por: Simone Kafruni - Correio Braziliense

Publicado em: 23/01/2019 10:31 Atualizado em:

Instalações da usina de Angra 3, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Foto: Eletrobras/Divulgação
Instalações da usina de Angra 3, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Foto: Eletrobras/Divulgação
Depois da primeira reunião com o time de secretários completo, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, anunciou as prioridades da pasta na manhã desta quarta-feira (23/1), em café com jornalistas e toda equipe do segundo escalão. O MME pretende buscar parceiros para concluir as obras da usina nuclear Angra 3 para colocá-la em operações até 2026. Também quer resolver as pendências da cessão onerosa para realizar o leilão do excedente de petróleo do pré-sal no segundo semestre de 2018. Sobre o problema das garantias físicas do risco hidrológico, o ministro garantiu que deve ser resolvido nos próximos 30 dias.

Albuquerque ressaltou que Angra 3 é estratégica e a fonte nuclear deve fazer parte da matriz energética brasileira. “Três países do mundo, Brasil, Estados Unidos e Rússia, possuem grandes reservas de urânio e dominam a tecnologia nuclear, só esses três. Não entendo como um país como o nosso, de grandezas populacional, territorial e econômica, poderia abrir mão de uma matriz como essa”, afirmou. “Vamos dar continuidade aos estudos de viabilidade econômica para ver se conseguirmos atrair investidores. A meta é operar em 2026”, destacou.

O ministro disse que o MME não terá restrição em termos de capital estrangeiro para conclusão de Angra 3. “Não há comprometimento de nenhuma tecnologia sensível dentro da parceria para finalizar Angra 3, é apenas questão de investimentos para concluir as obras”, disse.

O secretário de Planejamento Estratégico, Reive Barros, explicou a competitividade da fonte nuclear. “A geração de energia nuclear foi muito superior ao que seria da fonte hidráulica em um estudo de comparação. O custo de R$ 480 por megawatt/hora é apenas um valor de referência, cuja metodologia usamos em todos os cálculos de geração e transmissão. Mas dada a competição do leilão - já existem cinco interessados - o valor final deverá ser menor”, destacou Barros.

Segundo ele, a vantagem é que a geração fica próxima da carga, que é o Sudeste. Além disso, completou, há maior segurança energética à região porque reduz perda de transmissão. “O Brasil tem uma vantagem que é gerenciar a oferta de fontes”, ressaltou. 

O ministro garantiu ainda que vai continuar com o processo de capitalização da Eletrobras, mas não antecipou qual a modelagem está sendo estudada. “Estamos discutindo como implementar. Estou me reunindo com o presidente da empresa(Wilson Ferreira Júnior), mas isso envolve outras áreas do governo. Vai ser uma decisão consensual, escutando todos os que têm interesse”, disse. “Nenhum modelo está descartado, o governo ainda não tem uma posição fechada.”

Sobre cessão onerosa, o ministro afirmou que o objetivo do governo é anunciar o leilão no segundo semestre do ano. “Estabelecemos como prioridade de governo, estamos trabalhando com todos os envolvidos, seja TCU (Tribunal de Contas da União), Petrobras, Ministério da Economia e AGU (Advocacia-geral da União) para que se possa concluir logo o processo”, assinalou.

Sobre as garantias físicas associadas ao risco hidrológico das usinas de geração hidrelétricas, Albuquerque explicou que o problema do passado já foi pacificado. “O do presente, vamos procurar resolver nos próximos 30 dias, com o Legislativo. Mas, o mais importante é repensar o modelo para que não se tenha problema de novo daqui a dois, três, quatro anos. Porque, no fim das contas, quem paga é o consumidor e não queremos que ele assuma esse ônus”, completou.


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