pib FMI revê expectativa e projeta crescimento maior para o Brasil em 2019

Por: Hamilton Ferrari - Correio Braziliense

Publicado em: 22/01/2019 08:16 Atualizado em:

Entretanto, o país deve crescer menos do que o restante do mundo em 2019, mesmo com expectativa de aceleração da retomada da atividade econômica e o maior otimismo com o futuro. Foto: Arquivo/Agência Brasil
Entretanto, o país deve crescer menos do que o restante do mundo em 2019, mesmo com expectativa de aceleração da retomada da atividade econômica e o maior otimismo com o futuro. Foto: Arquivo/Agência Brasil
O Fundo Monetário Internacional (FMI) aumentou a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para este ano, de 2,4% para 2,5%, entre os relatórios de outubro e de janeiro. Mesmo assim, a previsão é de que o mundo avance 3,5% — pior do que era esperado há três meses, quando se imaginava alta de 3,7%. O país deve crescer menos do que o restante do mundo em 2019, mesmo com expectativa de aceleração da retomada da atividade econômica e o maior otimismo com o futuro. 

No Fórum Econômico Mundial, que começa nesta terça-feira (22/1) em Davos, na Suíça, o presidente Jair Bolsonaro tentará passar a imagem de que a nação terá um ano próspero. Analistas explicam que é preciso melhorar a confiança na economia brasileira para atrair investimentos, que caíram em 2019. Para tentar convencer investidores, o chefe do Executivo vai focar no discurso de reformas, principalmente da Previdência, e de privatizações. O principal intuito é trazer recursos para o país. De acordo com a Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), as aplicações no Brasil tombaram, novamente, em 2018.

Por conta da turbulência política e incertezas em relação às eleições, o fluxo de investimentos diretos para o país recuou 12% no ano passado, passando de US$ 68 bilhões para US$ 59 bilhões entre 2017 e 2018. No mesmo período, as aplicações no mundo também recuaram, de US$ 1,47 trilhão para US$ 1,18 trilhão — o que corresponde a 19% de queda. Segundo a entidade, foi o terceiro ano consecutivo de retração mundial.

Os investimentos também caíram nos países ricos. Com o recuo de 40%, atingiu o menor volume desde 2004. Incentivos fiscais dados pelo governo dos Estados Unidos fez com que ocorresse a repatriação de recursos investidos por multinacionais pelo mundo. Estimativas apontam que isso resultou na volta de US$ 367 bilhões para a economia americana.

A guerra comercial entre os EUA e a China também influenciou o desaquecimento do PIB mundial. Segundo o FMI, a economia global cresceu 3,7% em 2018. As projeções do fundo para a atividade do Brasil, no ano passado, recuaram de 1,4% para 1,3%.

Aprovação
Segundo analistas, o Brasil poderá atrair investimentos já que a atividade econômica mundial também está fraca. Mas, para isso, é preciso fazer o dever de casa: aprovar a reforma da Previdência. A proposta será apresentada nos próximos dias, com o retorno do recesso do Congresso Nacional. Em entrevista coletiva a jornalistas brasileiros no Fórum, o diretor adjunto do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gian Maria Milesi-Ferretti, apontou algumas incertezas que podem prejudicar o crescimento da atividade no Brasil.

“Não fazemos projeções para eventos políticos, mas esperamos que a reforma passe”, disse. “A reforma é um passo necessário para as finanças públicas brasileiras. Na área fiscal, a reforma da Previdência é importante, mas pode não passar pelo Congresso”, acrescentou. A economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, afirmou que o Brasil deve crescer por fatores cíclicos de expansão, mas que há riscos nas projeções por conta dos altos níveis da dívida pública.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, disse que as projeções têm como ponto fundamental a aprovação da reforma da Previdência, que deve repercutir na confiança de forma geral dos investidores, segundo ele. “Nós prevemos que a economia brasileira cresça 2,7% em 2019. Eu acho que, por enquanto, é muito cedo para afirmar com certeza que terá uma alta mais forte, até por conta de problemas estruturais. Enquanto não tiver evolução positiva no mercado de trabalho, é difícil ver o consumo ganhando força”, declarou.

Atratividade
Rosa explicou que o país deve atrair mais investimentos em infraestrutura e construção neste ano, mas que ainda é preciso ter confiança na economia brasileira. “Se der uma boa sinalização de que vai avançar nas reformas e transformar o setor público em superavitário, estabilizando a dívida e ampliando o programa de privatização, com certeza vamos atrair capitais”, ressaltou.

Na interpretação da economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, o governo federal terá um prazo de até o fim do terceiro trimestre para aprovar a reforma. “Se for atrasar para o fim do ano, corre o risco de o presidente não sustentar a popularidade atual e o tempo ‘normal’ de lua de mel com os congressistas”, frisou.

Em contrapartida, caso aprove um texto bom até abril, há possibilidade de o Brasil crescer acima de 3%, apesar de ser pequena. “A expectativa do mercado é uma reforma tão boa quanto a que passou na comissão especial — texto que foi encaminhado durante o governo de Michel Temer. Qualquer coisa menor pode decepcionar. A inclusão ou não dos militares é um ponto importante não só financeiro, mas também de marketing. A reforma precisa acabar com injustiças e privilégios. Temos uma perspectiva muito positiva para fluxo de recursos, não só em investimento direto, mas também em portfólio caso a reforma seja aprovada”, ressaltou.

Apesar da recuperação limitada, o Brasil se sairá melhor que países vizinhos. A América Latina deve crescer 2% em 2019. China (6,2%) e Índia (7,5%) serão os responsáveis pelas maiores taxas do PIB no ano. Para 2020, as estimativas apontam expansão de 2,2% do Brasil.


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