riqueza 26 bilionários concentram a mesma riqueza de 3,8 bi de pessoas, diz Oxfam

Por: Hamilton Ferrari - Correio Braziliense

Publicado em: 21/01/2019 11:38 Atualizado em:

A Oxfam aponta que conseguir que o 1% mais rico pague apenas 0,5% de imposto extra sobre sua riqueza pode levantar mais dinheiro do que custaria para educar os 262 milhões de crianças fora da escola e fornecer assistência médica que salvaria a vida de 3,3 milhões de pessoas. Foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press
A Oxfam aponta que conseguir que o 1% mais rico pague apenas 0,5% de imposto extra sobre sua riqueza pode levantar mais dinheiro do que custaria para educar os 262 milhões de crianças fora da escola e fornecer assistência médica que salvaria a vida de 3,3 milhões de pessoas. Foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press
Um relatório da Oxfam International divulgado na manhã desta segunda-feira (21/1) — horário de Brasília — mostra que as fortunas dos bilionários no mundo inteiro cresceu 12% no ano passado. Na contramão, os mais pobres registraram 11% de queda na renda. Segundo a pesquisa, os seis maiores bilionários do mundo somaram uma fortuna de US$ 1,4 trilhão no ano passado, mesmo valor da soma de toda a riqueza da parte mais pobre da população, estimada em 3,8 bilhões de pessoas.

Os dados serão apresentados no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, participarão do evento internacional. 

O número de bilionários nunca foi tão alto, atingindo 2,2 mil da população mundial. A alta de 12% nos ganhos dos mais ricos corresponde a US$ 2,5 bilhões ao dia. Segundo a entidade internacional, o resultado da pesquisa mostra que a crescente lacuna entre ricos e pobres está minando a luta contra a pobreza, prejudicando as economias mundiais e alimentando a "ira pública". 

"Isso revela como os governos estão exacerbando a desigualdade ao subfinanciar os serviços públicos, como saúde e educação, por um lado, sob a taxação das corporações e dos ricos, e por não reprimir a evasão fiscal, por outro. Também constata que as mulheres e meninas são as mais atingidas pela crescente desigualdade econômica”, revela a Oxfam. 

Segundo o diretor executivo da entidade, Winnie Byanyima, enquanto as corporações e os super-ricos desfrutam de baixos impostos, “milhões de meninas são impedidas de ter uma educação decente e as mulheres estão morrendo por falta de cuidados de maternidade ”. A Oxfam aponta que conseguir que o 1% mais rico pague apenas 0,5% de imposto extra sobre sua riqueza pode levantar mais dinheiro do que custaria para educar os 262 milhões de crianças fora da escola e fornecer assistência médica que salvaria a vida de 3,3 milhões de pessoas. 

A entidade apontou que as alíquotas de impostos para pessoas e corporações ricas também foram reduzidas drasticamente. "Por exemplo, a taxa máxima do imposto de renda pessoal nos países ricos caiu de 62% em 1970 para apenas 38% em 2013. A taxa média nos países pobres é de apenas 28%”, informou. A Oxfam citou o Brasil como exemplo de discrepância. “Em alguns países, como o Brasil, os 10% mais pobres da sociedade pagam atualmente uma proporção maior de seus rendimentos em impostos do que os 10% mais ricos”, completou. 

Subfinanciamento
A Oxfam também revelou que os serviços públicos sofrem de falta crônica de recursos, ou são terceirizados para empresas privadas “que excluem as pessoas mais pobres”. 

“Todos os dias, 10 mil pessoas morrem porque não têm acesso a cuidados de saúde acessíveis. Nos países em desenvolvimento, uma criança de uma família pobre tem duas vezes mais probabilidade de morrer antes dos cinco anos do que uma criança de uma família rica. Em países como o Quênia, uma criança de uma família rica gastará o dobro do tempo em educação de uma família pobre”, mostrou o estudo. 

A pesquisa ressaltou ainda que o corte nos impostos sobre a riqueza beneficia predominantemente os homens, que possuem 50% a mais de recursos do que mulheres no mundo e controlam mais de 86% das corporações. 

“As pessoas em todo o mundo estão com raiva e frustradas. Os governos devem agora promover mudanças reais, garantindo que corporações e indivíduos ricos paguem sua parte justa de impostos e investindo esse dinheiro em saúde e educação gratuitas que atendam às necessidades de todos — incluindo mulheres e meninas cujas necessidades são tão negligenciadas. Os governos podem construir um futuro melhor para todos — não apenas poucos privilegiados ”, acrescentou Byanyima.


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