DP Empresas Estudos para diversificar produção de combustível Além da tradicional cana-de-açúcar, a ideia é que a palma e o agave, dois tipos de planta, sirvam de fonte

Por: Sávio Gabriel - Diario de Pernambuco

Publicado em: 20/01/2019 11:00 Atualizado em: 17/01/2019 19:32

Dois projetos foram contemplados com recursos em edital no CNPq, totalizando liberações de R$ 107 mil. Foto: Leo Malafaia/Esp. DP FOTO
Dois projetos foram contemplados com recursos em edital no CNPq, totalizando liberações de R$ 107 mil. Foto: Leo Malafaia/Esp. DP FOTO

Pesquisadores pernambucanos estão trabalhando em dois projetos que pretendem diversificar a produção de biocombustíveis. Além da já tradicional cana-de-açúcar, a ideia é que a palma e o agave, dois tipos de plantas, também possam servir de fonte para um combustível mais limpo. A maior adaptabilidade ao clima seco do Nordeste é uma das vantagens dessas duas fontes, que poderão estar disponíveis no mercado já nos próximos anos. Ambos os projetos foram contemplados com recursos em um edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

No caso do estudo da palma forrageira, os recursos foram de R$ 77 mil, enquanto que o projeto envolvendo o agave recebeu aportes de R$ 30 mil. "As duas culturas são bastante adaptadas às condições de clima do semiárido. Já temos um grande conhecimento sobre a utilização delas para outros fins, como alimentação animal e produção de fibraspara a indústria", explica o pesquisador do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) Josimar Gurgel, que faz parte dos dois projetos.

As pesquisas são coordenadas pelos professores Rômulo Menezes (Palma) e Emmanuel Dutra (Agave), e ambos fazem parte do Grupo de Pesquisa em Energia da Biomassa de Energia Nuclear da UFPE. Os pesquisadores vão implantar dois campos experimentais no Agreste, sendo um em Caruaru e outro em Tacaimbó. Cada um dos locais terá 50 exemplares de agave e da palma. "Vamos avaliar quais são as mais adaptadas para iniciar o processamento (da biomassa)", conta Gurgel, referindo-se à biorrefinaria experimental de resíduos sólidos orgânicos, situada na UFPE. Os biocombustíveis serão produzidos em escala piloto no local. Também serão realizados testes e análises para a inserção no mercado.

"Ao fim de um ano teremos indicativos pré-estabelecidos e, em até dois anos, a expectativa é de termos o traçado metodológico para a produção do biocombustível a partir dessas duas espécies", disse, acrescentando que a partir de então pode-se fazer uma produção piloto nas usinas que já produzem biocombustíveis espalhadas em Pernambuco. O estudo econômico, para saber se a produção a partir da palma e do agave são mais baratas ou não do que o biocombustível produzido a partir da cana-de-açúcar, ainda está sendo avaliado.

Além do IPA e da UFPE, os projetos contam com a parceria de outras instituições, a exemplo do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA Algodão),e da Universidade de Pernambuco (UPE).

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