Combustíveis Venda de gás natural veicular cresce 25,6% e bate recorde em Pernambuco Copergás comercializou 236 mil metros cúbicos por dia ao longo de 2018. A frota de veículos abastecidos a gás aumentou 14%, chegando a 52,7 mil

Por: Sávio Gabriel - Diario de Pernambuco

Publicado em: 19/01/2019 08:00 Atualizado em: 18/01/2019 18:14

Baixo preço e competitividade diante da gasolina, diesel e etanol são alguns dos motivos que explicam o crescimento, segundo a Copergás. Foto: Helder Tavares/Arquivo
Baixo preço e competitividade diante da gasolina, diesel e etanol são alguns dos motivos que explicam o crescimento, segundo a Copergás. Foto: Helder Tavares/Arquivo
A venda de gás natural veicular (GNV) em Pernambuco, ao longo de 2018, foi a melhor da história. Dados da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) mostram que houve um crescimento de 25,64% em comparação a 2017, com uma média de 236 mil metros cúbicos comercializados por dia. Os motoristas estão cada vez mais apostando no combustível, considerado mais barato e menos poluente: segundo o Detran-PE, 7,2 mil automóveis fizeram a conversão no ano passado, provocando um aumento de 14% na frota de veículos GNV no estado.

Em dezembro de 2017, o estado possuía 46,1 mil carros movidos a gás natural, número que subiu para 52,7 mil (dados fechados até a última quarta-feira). O crescimento das vendas do combustível foi quase o dobro do comparativo entre 2017 e 2016, quando houve um aumento de 13,25%. “Isso se deve a alguns fatores que aconteceram no ano passado. O primeiro deles é que o GNV em Pernambuco é um dos mais baratos do Brasil. Para se ter noção, na Paraíba o preço do metro cúbico é R$ 1 mais caro”, explica Fábio Morgado, gerente de Comercialização Veicular e Industrial da Copergás. O preço médio no estado é de R$ 2,69 por metro cúbico. Fatores tributários também contribuem para a competitividade do combustível, segundo Morgado, já que Pernambuco adota alíquotas reduzidas para o GNV.

Outro fator que justifica esse boom está na diferença de preço entre o GNV e outros combustíveis, como gasolina e diesel. Até 2015, o preço de ambos era estabelecido por decisões do governo federal, mas a partir de 2016 passou-se a utilizar o preço do mercado internacional. “Historicamente a diferença entre a gasolina e o GNV era de 25%, 30%. Com esse alinhamento de preços praticado pela Petrobras, esse índice atualmente chega a 50%. E a tendência é que isso continue acontecendo”, reforça Morgado. A diferença é a mesma em relação ao etanol, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Os números de 2018 mostram que a curva de crescimento das vendas passou a ficar mais acentuada a partir de maio, quando a Copergás comercializou 232,1 mil metros cúbicos por dia, muito acima da média do primeiro quadrimestre (210 mil metros cúbicos). Coincidentemente, foi justamente em maio que a greve dos caminhoneiros paralisou o país, causando desabastecimento de gasolina, etanol e diesel nas revendas. “Normalmente o primeiro trimestre é mais fraco. Eu diria que a greve dos caminhoneiros ajudou, mas não foi decisiva, porque o crescimento vinha acontecendo. Agora, obviamente que contribuiu. Durante a paralisação vimos que o único combustível que não faltou foi o GNV”.

Para este ano, a perspectiva é de aumentar a disponibilidade de GNV no estado. “Vamos conectar dez novos postos neste ano (à rede de abastecimento). No ano passado não ligamos nenhum”, explica o diretor, acrescentando que é difícil estimar se o crescimento neste ano será na mesma proporção do registrado em 2018. A previsão mínima, no entanto, é de um aumento entre 15% e 20%.


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