Dieese Recife tem menor valor de cesta básica entre capitais em 2018

Por: Thatiana Pimentel

Publicado em: 08/01/2019 20:10 Atualizado em: 08/01/2019 20:14

Foto: Camila Pífano/Esp.DP
Foto: Camila Pífano/Esp.DP
Recife teve a menor variação no valor da cesta básica entre as capitais brasileiras em 2018. Em dezembro do ano passado, o custo do combo de alimentos no Recife apresentou elevação de 2,12%, passando de R$ 333,50 para R$ 340,57, um aumento de R$ 7,07. Em doze meses, registrou-se um aumento de R$ 8,42 (2,53%). Coincidentemente o mesmo valor retirado da previsão do novo salário-mínimo. Com isso, o custo da cesta no mês em estudo comprometeu 38,80% do salário líquido só com alimentação. A média nacional deste mesmo indicador foi de 45,59%. Vale ressaltar que em 2018, o valor da cesta básica aumentou nas 18 capitais do país com maiores altas em Campo Grande (15,46%), Brasília (14,76%) e Belo Horizonte (13,03%). 

Já o montante gasto na compra da cesta básica para uma família composta por dois adultos e duas crianças (que consomem o equivalente a um adulto) na capital pernambucana foi de R$ 1.021,71, o que correspondeu a 1,07 salários-mínimos vigentes em dezembro de 2018. A jornada de trabalho exigida para comprar os produtos que compõem a cesta básica foi de 78 horas e 31 minutos, a menor do Brasil, cuja média foi de 92 horas e 17 minutos. Com base na cesta mais cara, que, em dezembro, foi a de São Paulo, em dezembro de 2018, o salário-mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 3.960,57, ou 4,15 vezes o mínimo de R$ 954,00. Em novembro, o mínimo necessário correspondeu a R$ 3.959,98, ou 4,15 vezes o piso vigente. 

Jackeline Natal, técnica do Dieese, avalia como positivo o fato do Recife ter a menor variação na cesta básica em 2018. “O aumento no salário-mínimo foi de 4,61% e na cesta básica do Recife foi de 2,57%, então, acaba sendo um dado positivo para o trabalhador, assim como o comprometimento do salário, que ficou menor aqui, contudo, isso também sinaliza um desaquecimento do mercado, que não vê margem para reajustar preços com baixa demanda”, explica. Segundo ela, outros fatores que devem ser analisados são a normalização da questão climática, ou seja, os produtores locais sofreram menos com a seca em 2018 e o comércio exterior, que acabou influenciando no aumento do preço da carne em todo o Brasil. “Como tendência de preços para os próximos meses, fica mais difícil fazer uma avaliação, porque há decisões internacionais acontecendo no governo federal, como por exemplo, a mudança da embaixada de Israel, que pode modificar tratados comerciais”, completa.



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