Migração Investidor reduz exposição em países desenvolvidos e eleva em emergentes, diz IIF O relatório cita a recente reunião do Federal Reserve (o banco central dos EUA), que frustrou os investidores ao sinalizar duas altas de juros para 2019, quando parte do mercado esperava uma ou nenhuma elevação

Por: Agência Estado

Publicado em: 23/12/2018 15:35 Atualizado em:

Em meio a renovadas preocupações com a piora da economia mundial os investidores internacionais começaram um movimento de migração de recursos para os mercados emergentes, destaca o Instituto Internacional de Finanças (IIF), com sede em Washington e formado pelos maiores bancos do mundo. Indicadores recentes mostram que fundos globais de ações e bônus estão aumentando a alocação nos emergentes, enquanto reduzem a de países desenvolvidos, ressalta relatório divulgado neste fim de semana. 

"Com boa parte das más notícias já precificadas para os mercados emergentes este ano, incluindo perspectivas de crescimento mais brandas, a recuperação de novembro nos fluxos de capital sugere algum reequilíbrio em andamento", afirma o IIF. Em novembro, os estrangeiros aportaram US$ 34 bilhões nestes mercados, o melhor mês desde janeiro.

Com 2018 chegando ao final, o IIF destaca que o ano termina com uma série de questões não resolvidas na economia mundial, que têm deixado o mercado financeiro muito volátil: Haverá acordo na saída do Reino Unido da União Europeia? Como se desenvolverá a questão comercial entre China e Estados Unidos? Como vai ficar o crescimento da China? Qual o futuro dos preços do petróleo? A paralisação total do governo americano poderá ser evitada? 

"Contra esse pano de fundo instável, os mercados continuam um cabo-de-guerra com os bancos centrais sobre a trajetória apropriada da política monetária", ressalta o IIF. 

O relatório cita a recente reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que frustrou os investidores ao sinalizar duas altas de juros para 2019, quando parte do mercado esperava uma ou nenhuma elevação. Além disso, o Fed e outros BCs estão enxugando a liquidez no mercado, destaca o IIF, o que tem contribuído para o aperto das condições financeiras, que estão no pior nível desde 2015. 

O reflexo desse aumento das preocupações dos investidores com a economia mundial e das questões não resolvidas é que o mercado financeiro em Wall Street e na zona do euro passou por forte correção, penalizando sobretudo as ações de bancos, de indústrias manufatureiras, e ainda houve forte retração dos preços do petróleo, observa o IIF. 

A expectativa de aumento de lucros nos países desenvolvidos piorou e agora se espera expansão 5% no ano que vem, ante elevação de 11% em 2018. Nos emergentes esta desaceleração deve ser menor, de 6% este ano para 4% em 2019.


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