DP Empresas Triunfo busca resgate da cultura do café Produtores estão investindo na colheita de cafés especiais, que têm conquistado público em todo o país

Por: Rochelli Dantas - Diario de Pernambuco

Publicado em: 22/12/2018 16:00 Atualizado em:

Sítio Lagoa Mariano colheu 31 sacas de café na safra deste ano. Crédito: Adaildo Carvalho/ Divulgação (Crédito: Adaildo Carvalho/ Divulgação)
Sítio Lagoa Mariano colheu 31 sacas de café na safra deste ano. Crédito: Adaildo Carvalho/ Divulgação
Atualmente, Taquaritinga do Norte, no Agreste pernambucano, é o maior produtor de café no estado. O município é responsável por mais de 1/3 do café produzido por aqui. Logo atrás dele estão Garanhuns e Brejão, na segunda e terceira colocações, respectivamente. Esse mapa produtivo pode estar se transformando. Em Triunfo, no Sertão do estado, a aposta na produção do café está alta. Alguns produtores e representantes de empresas do estado estão em contato para buscar parcerias e ampliar a produção. O intuito é melhorar a qualidade do grão do café plantado na região para que ele se torne especial.

Adaildo Carvalho é um dos produtores de café da região que está apostando em melhorias no processo. No sítio Lagoa do Mariano, como é chamada a propriedade, no ano passado a produção de café foi de apenas nove sacas (uma saca equivale a 60 quilos). Este ano, o montante já subiu para 31 sacas do café normal e mais duas de café especial. “Toda a produção foi vendida aqui no estado. E não tivemos um resultado melhor por conta da seca, que ainda nos castiga. Com a parceria com a Kaffe já levamos amostras para todo o Brasil. Recebi, inclusive, uma ligação de um pernambucano que tem uma cafeteria no Canadá e quer o meu café lá. Estamos acreditando que o mercado vai melhorar”, disse. Segundo o produtor, o investimento em cafés especiais vale a pena devido ao retorno financeiro. ”Uma saca do café especial vale o dobro do valor do normal. É mais trabalhoso, mas compensa”, diz. Para 2019, o que ele espera é superar a safra deste ano, inclusive a de cafés especiais.

As empresas do setor também acompanham o processo. A Kaffe – Torrefação e Treinamento, por exemplo, busca e acompanha a produção no local. No primeiro ano de contato, a empresa conseguiu adquirir apenas três quilos de café. Este ano, já foram 150 quilos. Para 2019, a previsão é chegar a pelo menos dez sacas. “Uma das nossas premissas é a valorização do agricultor, do trabalho que ele desenvolve. Café é processo. Qualquer produtor pode ter um produto muito bom desde que cuide dos processos referentes à parte agrícola dele. Além do cuidado na plantação, existe o processo de secagem mais trabalhado. São esses pontos que estamos levando para a região e temos tido resultados”, diz o sócio da empresa, Eudes Santana.

De acordo com o secretário de Agricultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural do município, Romério Pereira Lima, Triunfo hoje conta com uma média de 100 produtores de café. “Em 2018 realizamos o primeiro seminário do café acreditando que o desenvolvimento territorial é o principal fator para a promoção da cultura do café de qualidade. Hoje temos em média 100 agricultores que produzem café no município”, pontua.

Buscando melhorias e acompanhamento no campo, o Sebrae/PE, UFRPE, IPA e Secretaria de Agricultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural de Triunfo fecharam um convênio de cooperação científica. A princípio, dez propriedades serão monitoradas e participarão de cursos e workshops. A ideia é que, ao longo de 2019, o número seja ampliado para 50 produtores. “O que precisamos é do apoio científico porque a cultura do café parou por um tempo e precisamos da retomada com estímulo e ganho de produtividade”, diz a analista técnica do Sebrae em Serra Talhada, Raquel Silva. Além das capacitações e monitoramento em campo, serão oferecidos ainda cursos de gestão.


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