DP Empresas Estaleiro NX Boats fecha o ano com 144 embarcações produzidas Paixão por embarcações levou advogado Jonas Moura a apostar na montagem de estaleiro: o NX Boats

Por: Kauê Diniz

Publicado em: 22/12/2018 14:00 Atualizado em: 21/12/2018 17:18

Jonas já produziu lanchas que já atravessaram o oceano e foram vendidas na Europa. Foto: Gleyson Ramos/Divulgacao (Foto: Gleyson Ramos/Divulgacao)
Jonas já produziu lanchas que já atravessaram o oceano e foram vendidas na Europa. Foto: Gleyson Ramos/Divulgacao
Ainda adolescente, aos 16 anos, Jonas Moura nem imaginava que seu futuro estaria intimamente ligado à decisão do pai (José Augusto Lima Neto) de lhe dar de presente uma embarcação a motor. A brincadeira se tornou um hobby, que, quando menos se esperava, transformou-se em um trabalho. Hoje, aos 37 anos, o advogado tributarista passou a se dedicar prioritariamente aos números de produção e faturamento do estaleiro NX Boats do que em relação ao escritório de advocacia no qual é sócio. A fábrica pernambucana vai fechar o ano de 2018 com 144 embarcações produzidas e um faturamento de R$ 44 milhões e projeta, em 2019, a 168 barcos e R$ 54 milhões em negócios.

A brincadeira começou a se transformar em negócio por acaso. Em 2008, de olho em um lançamento de um jet ski, no exterior, Jonas resolveu realizar a importação de algumas unidades para ele, o sócio e alguns amigos, já que, devido à profissão, tinha afinidade como esse assunto de tributação. “Iniciamos ali o negócio, mesmo sem querer. Na época, era muito escasso no Nordeste importadoras de jet ski. Só tinha uma loja grande em São Paulo. Acabou que fizemos essa importação para uso próprio e o pessoal começou a ver, perguntar e pedir para fazer para eles também. A brincadeira virou um negócio”, conta.

Um ano depois, já era, segundo o empresário, o maior importador de jet ski do Brasil - 130 unidades, em média, por mês, além de carros de luxo. O câmbio também deu um empurrão. O dólar variava na casa dos R$ 2,30. Chegar às lanchas foi um pulo. “Na náutica, você normalmente começa no jet e esse pessoal começou a me solicitar para comprar uma embarcação. E aí, eu e meu sócio, sentimos a necessidade de começar a vender lancha. Começamos a ser revenda no estado de duas marcas grandes nacionais. Mas eu não me sentia confortável, porque queria unir todos os itens bacanas que, como um usuário de embarcação, gostaria de ter”, relembra.

Foi diante dessa inquietação que surgiu, em 2013, a ideia de montar um estaleiro. Jonas partiu para estudar e procurar pessoas que pudessem agregar ao negócio. Conversou com vários engenheiros navais até fechar parceria com o argentino Ricardo Rinaldo, que vive há décadas em Balneário Camburiú, em Santa Catarina. Ele é responsável pelo projetos dos seis modelos lançados pela Nx Boats nesse período.

“Eu não queria ser mais uma fábrica de barcos. Por isso apostei em quatro pilares que pudessem causar um certo frisson no mercado: design inovador, que chama logo atenção quando você olha para o produto; acabamento, porque não adianta ter um design bacana, se não tiver um acabamento premium de qualidade; inovação, para surpreender sempre os clientes com algo diferente; e navegabilidade, pois não adianta nenhum dos outros pontos sem ter esse”, detalha o empresário, que iniciou a produção em 2014, com 13 funcionários e hoje tem 123, além dos terceirizados. 

Escapando da tempestade econômica

A crise econômica pegou o projeto nos seus primeiros passos e foi necessário, segundo Jonas, muito trabalho e aposta na qualidade do produto para desviar o curso dos ventos negativos do mercado. Mesmo inserido no mercado de luxo, o empresário acredita que somente o segmento de alto luxo, com embarcações acima de R$ 500 mil, conseguiu fugir dessa tempestade. Outros, que se encaixam em barcos de menor porte, de 16 a 23 pés, estão à deriva. “Esse setor praticamente se acabou”.

Jonas, porém, enfatiza os números conquistados nesses quatro anos. “A gente cresce, em média, de 20% a 30% ao ano mesmo nesse período conturbado do país”, diz Jonas, explicando que 75% dos negócios são fechados através de financiamento bancário e, hoje, devido os reflexos dessa crise econômica, os bancos travaram o crédito. Chegou ao ponto de, segundo o empresário, somente uma a cada dez vendas ter o crédito aprovado pela instituição bancária. De três bancos, restou apenas o Banco Alfa oferecendo esse modelo de crédito para o segmento náutico no mercado.

O empresário investiu, recentemente, R$ 5,5 milhões em um imóvel de 10 mil metros quadrados, onde fica a nova fábrica, na Muribeca, Jaboatão dos Guararapes. Atualmente, tem capacidade de produzir 14 embarcações por mês. No total, contabiliza mais de 340 barcos fabricados nestes quatro anos de empresa. O estaleiro, segundo Jonas, é um dos três maiores do país na faixa de embarcações de 25 a 38 pés. Em 2020, está decidido a apostar na confecção de um modelo de lancha acima de 48 pés.

“Hoje, em Pernambuco, há cinco estaleiros. Começamos como os menores e hoje somos os maiores em produção, faturamento e quantidade de funcionários. Quebramos paradigmas. Existia uma desconfiança muito grande por ser um produto do Nordeste, por isso precisamos participar de muitos salões para o pessoal conhecer e aferir nosso produto, tanto que, hoje, nosso maior mercado é no Sul e Sudeste, que representa 40% das nossas vendas. O Nordeste não passa de 8%”, conta o empresário, explicando que essa fatia maior se deve às inúmeras barragens e represas que se concentram nessas regiões e se transformaram em indutores para o mercado náutico, sobretudo em São Paulo.

A nova aposta náutica da NX Boats 

A nova aposta da NX Boats, lançada em 22 de novembro, no Cabanga Iate Clube, é o NX 340 Sport Coupe, o sexto modelo da marca. Em um mês, fechou 16 encomendas. “Antes mesmo do lançamento já estava provocando uma forte movimentação no mercado, com sete unidades vendidas, porque era o único barco de proa aberta com cabine no Brasil. É uma embarcação que proporciona o seu uso total, com capacidade para 16 pessoas e pernoite para quatro em dois quartos”, enfatiza Jonas, detalhando que ainda oferece, em 20 metros quadrados, cozinha completa, com micro-ondas, frigobar, cooktop e ar-condicionado, além de móveis planejados e espaço gourmet com churrasqueira embutida. A ambientação da cabine é assinada pelo arquiteto Humberto Zirpoli.

“É uma lancha tanto esportiva, espaçosa, que pode usar durante o dia. Por exemplo, você pode ir até a Praia de Carneiros e pernoitar nela”, acrescenta o empresário. Para esse novo projeto, o estaleiro investiu R$ 2,1 milhões em moldes e linha de produção e espera obter retorno do investimento em 15 meses. Jonas planeja que essa modelo siga também o percurso dos demais, exportados para os EUA, Argentina, Uruguai e Turquia. Em 2019, Paraguai e Emirados Árabes estão na rota.


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