cautela Presidente do Banco Central recomenda cautela na política monetária Apesar de cenário um pouco melhor, Ilan Goldfajn, admite riscos de frustração de expectativas e de deterioração do cenário externo para economias emergentes

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 20/12/2018 11:15 Atualizado em:

Foto: Evaristo Sa / AFP
Foto: Evaristo Sa / AFP
O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, admite que os riscos assimétricos para a condução da política monetária diminuíram, mas como as incertezas no mercado interno e externo persistem, a recomendação de cautela prevalece "tanto para subir quanto para reduzir juros".  Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC manteve a taxa básica da economia (Selic) em 6,5% ao ano e o ministro evitou comentar sobre a possibilidade de um redução nos juros básicos.

“Temos que olhar a tendência e não podemos ser levados por cenários voláteis. A cautela prevalece, tanto para subir  quanto para reduzir os juros”, disse ele Goldfajn, nesta quinta-feira (20/12), durante a entrevista coletiva sobre o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado hoje. O documento reduziu previsão de inflação deste ano de 4,4%, em setembro, para 3,7%, em dezembro, considerando Selic  e câmbio constantes. Essa projeção está abaixo do centro da meta de 4,5% ao ano. Para 2019, quando a meta será de 4,25%, a estimativa do RTI passou de 4,5% para 4,0%, na mesma base de comparação.

Assimetria
Apesar de classificar que a política monetária do BC continua “estimulativa” para a economia, com a Selic abaixo da taxa estrutural neutra do mercado, e da retirada dos termos “riscos assimétricos” da última ata do Copom indicando que a assimetria caiu, ele reconheceu que os dois principais fatores de risco continuam. Esses riscos tratam da frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas, principalmente, a da Previdência, e dos ajustes necessários na economia; e da das incertezas das economias emergentes no cenário externo mais adverso. “Temos dito que o cenário básico para a inflação permanece com fatores de risco em ambas as direções, mas com maior peso nos dois últimos riscos: a frustração das expectativas e a deterioração dos cenários externos para economias emergentes. Esses dois fatores têm maior peso nos fatores de risco”, explicou.

A cautela recomendada pelo presidente do BC ocorre porque, na avaliação dele, apesar de o resultado das eleições, com a vitória do presidente eleito Jair Bolsonaro, que tem um agenda liberal mais favorável para a realização das reformas, nada ainda ocorreu. “De fato, observamos a direção. O novo governo tem mandado sinais opositivos e isso tem nos ajudado a perceber que o risco de frustração tem diminuído, como nós colocamos no comunicado. Houve um arrefecimento desse risco. Mas o Brasil precisa das reformas e a consolidação fiscal precisa não só a da reforma da Previdência, que é a mais importante, mas de outras medidas que podem ajudar a taxa neutra”, explicou ele acrescentando que o risco externo “continua elevado” para os países emergentes, principalmente, em relação ao aumento dos juros dos países desenvolvidos e aos conflitos comerciais, que podem implicar em uma desaceleração do crescimento da China, e, consequentemente, da economia global. 


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.