secretário Esse é um governo que não quer ser precipitado em nada, diz novo secretário Futuro secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, reafirmou que a linha principal do próximo governo é deixar o empresário produzir e ser mais competitivo

Por: AE

Publicado em: 17/12/2018 14:44 Atualizado em: 17/12/2018 14:54

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
O futuro secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, disse que o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro "não quer ser precipitado em nada". "Esse é um governo liberal, evolucionário, não revolucionário. As mudanças serão graduais e dialogadas", afirmou, após participar de debate organizado pelo jornal Correio Braziliense. A fala de Costa foi em resposta às declarações do diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, no evento, que disse que não se pode ter abertura comercial "precipitada e inconsequente". 

Abijaodi defendeu que as políticas comercial e industrial sejam feitas "sem preconceito". No evento, coube a ele enviar o recado da indústria para o novo governo de Jair Bolsonaro. "Não podemos ter decisões precipitadas e erradas. Não se pode ter nem proteção exagerada, nem abertura precipitada e inconsequente", afirmou. 

Para o diretor, tanto a política comercial como a industrial devem ser feitas com o foco de melhorar as condições de competitividade no exterior. "Não se trata de considerar a política industrial um conjunto de subsídios para compensar a falta de competitividade, mas, sim, um motor para dar estímulo à produção", completou. 

Abijaodi disse ainda que o setor está pronto para atuar junto do governo "no que for preciso e no que for de interesse da indústria". "Estaremos prontos para trabalhar juntos", concluiu.

Carlos da Costa, por sua vez, reafirmou que a linha principal do próximo governo é deixar o empresário produzir e ser mais competitivo. Ele avalia positivamente alguns programas do atual governo, como o Brasil mais Produtivo, mas disse que ainda avalia se ele será expandido. 

O futuro secretário assumirá parte das atribuições hoje no Ministério do Trabalho, como a Secretaria de Políticas Públicas para o Emprego. Ele disse que o foco será a capacitação do trabalhador. "Vamos rever todas as políticas para o emprego", afirmou, depois de ser questionado se irá rever o Sistema Nacional de Emprego (SINE). 

Embraer-Boeing

Em relação ao negócio entre a Embraer e a Boeing, o secretário disse que ainda é preciso ser avaliado "com cuidado", mas que pode ser um exemplo para alcançar o salto de competitividade que a economia brasileira precisa. 

Rota 2030

O secretário disse ainda que não há decisão sobre rever o programa automotivo Rota 2030, que permite à indústria abater no pagamento de impostos o que for investido em ciência e tecnologia. Os integrantes da equipe de Bolsonaro têm se posicionado contra incentivos à indústria. 

Abertura gradual

Abijaodi defendeu que a abertura comercial prometida pelo presidente eleito Jair Bolsonaro seja feita de forma gradual e dialogada com o setor privado. "Tivemos experiência de abertura no governo do ex-presidente Fernando Collor que não foi bem sucedida e quase quebrou várias indústrias", afirmou. 

Apesar de a CNI ter trabalhado pela manutenção do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Abijaodi disse que a incorporação da pasta ao Ministério da Economia pode ser positivo. "Acredito que essa conjunção das secretarias possa dar uma interlocução melhor. O que faltava no governo era essa interlocução entre os ministérios e acabar com a duplicação de atividades entre secretarias", completou. 

A especialista em comércio exterior da BMJ associados, Renata Amaral, disse que a abertura unilateral, com redução de tarifas brasileiras sem contrapartidas de outros países, só pode ser feita depois de resolver questões que impedem o desenvolvimento da indústria. "Os problemas estruturais precisam ser resolvidos antes de uma conversa de abertura, que é até leviana", afirmou. "Não podemos romper imediatamente com uma série de alíquotas de forma descuidada e não pensada".


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