agronegócio Otimista, CNA projeta crescimento de 2% no PIB do agronegócio de 2019 A CNA espera que o crescimento econômico seja de 3% em 2019. A entidade está mais otimista que o mercado, que aguarda expansão de 2,53% do PIB do próximo ano

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 05/12/2018 12:23 Atualizado em:

A CNA propõe também incluir pequenos e médios produtores no processo de exportação, para aumento da renda, e o fortalecimento das relações comerciais com países asiáticos. Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
A CNA propõe também incluir pequenos e médios produtores no processo de exportação, para aumento da renda, e o fortalecimento das relações comerciais com países asiáticos. Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) está otimista com o futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL) e espera que o setor tenha crescimento de 2% em 2019. O balanço de 2018 e as perspectivas para o próximo ano foram apresentados em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (5/12) na sede da entidade. 

O presidente da CNA, João Martins, disse que “tudo que o atual presidente eleito falou até agora vai ao encontro do que nós gostaríamos que acontecesse de fato na agropecuária brasileira”. “O grande entrave do agronegócio é a logística. Nós somos excelentes produtores e competitivos, mas da porteira para fora é mais difícil”, disse. “Esperamos que a logística será prioridade do próximo governo e que vai buscar uma solução o mais rápido possível”, completou. 

Martins ressaltou que o Brasil precisa exportar 80% do que produz, mas necessita de investimentos em estradas, rodovias e portos para permitir o melhor desenvolvimento do setor, incluindo pequenos produtores. 

Bruno Lucchi, superintendente técnico da CNA, o novo governo traz “muito otimismo” para o setor. Na interpretação dele, Bolsonaro será responsável por uma agenda de redução de burocracia e reformas estruturantes, principalmente da Previdência Social e a tributária. 

A CNA espera que o crescimento econômico seja de 3% em 2019. A entidade está mais otimista que o mercado, que aguarda expansão de 2,53% do Produto Interno Bruto (PIB) do próximo ano.

Abertura comercial
Ligia Dutra, superintendente de relações internacionais da CNA, apontou que a abertura comercial é uma das principais expectativas para o setor em 2019. “Nós esperamos uma maior inserção da agropecuária no mercado internacional”, afirmou. De acordo com ela, desde que o Brasil começou a “caminhada” de acordos internacionais, o país fechou 10 acordos, menos do que outros países, como Coréia do Sul, Japão e México. 

Ligia explicou que, além disso, os acordos dos outros países são mais benéficos, porque, atualmente, as relações do Brasil não são com economias que consomem mais alimentos. “Nós precisamos de mais acordos e com mercados que realmente importam alimentos”, defendeu. 

A CNA propõe também incluir pequenos e médios produtores no processo de exportação, para aumento da renda, e o fortalecimento das relações comerciais com países asiáticos. Sobre a tendência de alimento do futuro governo com os Estados Unidos, Ligia defendeu que o produtor é pragmático e tem interesse em vender. “Queremos abertura em todos os lugares, com os Estados Unidos e com a China”, afirmou a superintendente. 

O Brasil também pode ter barreiras comerciais com os países árabes por conta da intenção do futuro governo em mudar a embaixada de Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Ligia apontou que o mercado árabe é “importantíssimo” para o Brasil, diante do comércio de proteína animal, e que o país tem interesse em vender “para todos que quiserem comprar”. 

Barreiras do ano
De acordo com a CNA, o setor foi bastante prejudicado pela greve dos caminhoneiros e pelo tabelamento do frete neste ano. A estimativa da entidade é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio feche 2018 com queda de 1,6% em comparação a 2017. A paralisação ocorrida em maio encareceu o preço dos insumos e afetou a comercialização da produção primária, que recuou 4,2%. Os problemas climáticos também atrapalharam. 

Bruno Lucchi, superintendente técnico da entidade, lembrou que a greve dos caminhoneiros resultou no acordo do governo federal com os motoristas para o tabelamento do frete. Na interpretação dele, a medida é uma “interferência clara” no ambiente concorrencial e resultou no aumento da inflação em 2018. “É algo que vai além do setor e afeta diretamente a sociedade brasileira”, disse. “O tabelamento do frete foi o grande causador do custo do aumento e, consequentemente, na inflação”, completou.

Após a paralisação, ocorrida em maio, o índice de preços para os alimentos disparou. No acumulado de 12 meses, saiu de uma deflação (queda) de 1,46% em maio para 1,05% em junho. Após isso, o indicador se expandiu, chegando a 3,33% em outubro. 

O efeito foi percebido no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de 2,86% para 4,39% entre maio e junho. Nos últimos dados, de outubro, a inflação no acumulado de 12 meses atingiu 4,56%. A expectativa dos analistas é de que a taxa termine o ano em 3,89%, segundo o Relatório Focus, do Banco Central (BC).

De acordo com Lucchi, o governo atual tem dado sinais de que o tabelamento do frete e lembrou que o vice de Bolsonaro, o general Mourão, já se demonstrou desfavorável à medida. Também ressaltou que o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, defendeu maior “competitividade” e que o tabelamento precisa ser discutido.  O caso está esperando decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). 


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.