anvisa Camil aguarda aval da Anvisa para vender superaçúcar sem caloria Companhia brasileira fechou parceria com a Amyris, que desenvolveu tecnologia para extrair uma supermolécula da cana-de-açúcar, atendendo à demanda crescente por produtos naturais

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 05/12/2018 08:28 Atualizado em:

Brasil assinou acordo para a redução de 144 mil toneladas de açúcar em alimentos industrializados até 2022. Foto: Marcos Michelin/EM/D.A PRESS
Brasil assinou acordo para a redução de 144 mil toneladas de açúcar em alimentos industrializados até 2022. Foto: Marcos Michelin/EM/D.A PRESS
Assim que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) der o sinal verde, a Camil Alimentos passará a comercializar no Brasil um superaçúcar que não engorda. O produto, desenvolvido pela Amyris, é um adoçante zero caloria obtido a partir da cana-de-açúcar.

O novo adoçante deve atender à demanda cada vez maior por produtos naturais e sem calorias. O açúcar tem sido um dos principais alvos de críticas de profissionais da área de saúde e levado autoridades públicas de muitos países a criar regras mais restritivas ao seu uso em alimentos processados.

Na semana passada, o Ministério da Saúde informou que o Brasil assinou  acordo para a redução de 144 mil toneladas de açúcar em alimentos industrializados até 2022. Participaram do programa, que vai abranger 1.147 produtos, um total de 68 empresas.

A Amyris desenvolveu um processo próprio de fermentação para criar o produto em escala. Com isso, garante ter chegado a um adoçante com 95% de pureza. O lançamento ocorreu em um evento na segunda-feira, em Nova York, com a degustação de bebidas e chocolates feitos com a nova matéria-prima.

A companhia fechou várias parcerias para a produção e distribuição do superaçúcar. No Brasil, o desenvolvimento será feito pela Givaudan, líder global na criação de aromas e fragrâncias, que já é parceira nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e produção de ingredientes cosméticos ativos desde 2016 — cabendo à Camil a comercialização no mercado latino-americano do União Zero Calorie.

A unidade da Amyris em Brotas, no interior paulista, já iniciou a produção do novo adoçante. O xarope de cana vem da Usina Paraíso, da Raízen, e depois é levado a outra unidade fabril, no Paraná, para passar por um processo de purificação.

O acordo entre Camil e Amyris garante a exclusividade para a América Latina e começará pelo Brasil, onde a companhia lidera na categoria de açúcar. Hoje, a empresa brasileira de alimentos está presente em cerca de 300 mil pontos, como supermercados e bares. A sua principal marca no segmento de açúcar é União. A empresa tem operações no Brasil, Chile, Peru e Uruguai, além de exportar para cerca de 50 países.

Por meio de nota, o presidente da Camil, Luciano Quartiero falou sobre o aspecto inovador: “Estamos sempre atentos às demandas dos consumidores e, como detentora da marca União, que é a mais lembrada pelo público, não poderíamos deixar de inovar e surpreender mais uma vez. A parceria faz todo o sentido tanto para a estratégia de negócios macro da Camil Alimentos como para a estratégia de expansão da categoria de adoçados.”

Shake 
Nos Estados Unidos, o parceiro da Amyris nesse projeto será a Shaklee, especializada em shakes. O contrato foi assinado logo após o primeiro grande acordo de fornecimento e distribuição da Amyris na América do Norte com o Grupo ASR, o maior refinador mundial de cana-de-açúcar, com marcas, como Domino Sugar e C&H Sugar em seu portfólio global. Anunciada em outubro, a parceria prevê que a ASR comprará até 80% da produção de adoçante da Amyris nos próximos três anos.

John Melo, CEO da Amyris, acredita que essas parcerias serão importantes na expansão rápida do novo produto. “Com a nossa forte base de parceria, a Amyris está reforçando seu compromisso de acelerar a produção de nosso novo adoçante inovador em resposta à alta demanda do consumidor”, afirmou em nota. “Escolhemos nossos parceiros com cuidado para colocar nosso adoçante nas mãos dos consumidores o mais rápido possível e com o menor custo possível.”


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