DP Empresas Cooperativa vai fortalecer produção de ovos em São Bento do Una Novo formato vai fazer com que tanto pequenos quanto grandes produtores participem do mercado

Por: André Clemente - Diario de Pernambuco

Publicado em: 01/12/2018 10:30 Atualizado em: 01/12/2018 10:27

Givaldo Melo acredita que cooperativa vai dar garantia da venda da sua produção de ovos. Foto: Nando Chiappetta/DP FOTO.
Givaldo Melo acredita que cooperativa vai dar garantia da venda da sua produção de ovos. Foto: Nando Chiappetta/DP FOTO.

O Agreste de Pernambuco quer espaço para mostrar sua vocação. Resistente no setor da agropecuária, com enfrentamento perene à seca da região de pior balanço hídrico do estado, o lugar passa por uma reorganização. Na verdade, é quase um primeiro ajuste no que já funcionava de forma que não utilizava todo o potencial local. A produção de ovos se posiciona cada vez mais em volume produzido, assim como a bacia leiteira entende que precisa se profissionalizar. Ambos em conjunto de agentes econômicos. O Agreste meridional, principalmente nas cidades de São Bento do Una e Pedra, quer aparecer e, mais do que a única opção de vida, quer fazer as pessoas escolherem trabalhar onde querem viver.

Tratando da avicultura, a criação de galinhas e codornas poedeiras vai passar por uma chacoalhada que vai redirecionar a situação de pequenos produtores da região de São Bento do Una. A cidade já é reconhecida no setor, o maior produtor de ovos do Nordeste e o quarto maior do Brasil. Em 2016, por exemplo, foram quase 700 milhões de unidades, representando 26% da produção de ovos do estado, 9,2% do Nordeste e 1,5% do Brasil. Agora, foi criada a cooperativa dos avicultores de São Bento do Una - PE (Coopave), centralizando produtores de diversos portes, para que o movimento em conjunto eleve a produtividade e, consequentemente, a chegada ao mercado local, principalmente para quem não consegue atender as exigências burocráticas individualmente.

Na prática, o projeto vai centralizar a produção de 25 criadores, de diversos portes. Mesmo estando em fase de aquisição de licenças para vender diretamente ao varejo, as negociações com o atacado e a forma de trabalhar já vem melhorando o cenário dos criadores. Em paralelo, um trabalho de capacitação, treinamento e amadurecimento do processo produtivo foi aplicado aos produtores, para que a estrutura esteja pronta para o novo momento da demanda por ovos da região. A cooperativa é uma das ações do projeto avicultura de postura do agreste de pernambuco, realizado por meio do Sebrae, da Prefeitura de São Bento do Una e da Agência de Desenvolvimento econômico de Pernambuco (AD Diper).

De acordo com o superintendente do Sebrae, Oswaldo Ramos, a vantagem da produção em formato de cooperativa é considerável. "A informalidade sempre atrapalha, principalmente o lado mais fraco. Essa produção em conjunto, no formato de cooperativa, coloca esses trabalhadores em outro patamar, porque faz aquele criador que tem uma produção pequena participar de mercados que ele não conseguiria sozinho, já que precisa de licenças e adequações que são inviáveis para o pequeno. Com a cooperativa, o ovo passa por avaliação de qualidade e é a soma que entra no mercado. Hoje, são 24 cooperados e a meta é chegar em 60 nos primeiros dois anos de atividade da cooperativa", destacou.

Recém inaugurada, a cooperativa já fez uma venda de 150 mil ovos e mais duas de 90 mil. E nessa primeira leva, participaram produtores de portes diversos. "Tem gente que possui mil galinhas e tem gente que tem 50 mil. A dinâmica da cooperativa funciona de forma que a gente oferece um preço saudável para comprar a todos os cooperados e a venda fica a cargo da cooperativa. Além de colocar os pequenos para participar, ajuda o setor, que sofre com a participação de intermediadores que puxam o preço do nosso produto muito para baixo. Então esse movimento representa um ganho na organização do setor e financeiro para todos", detalhou o presidente da cooperativa e produtor de ovos de codorna, Tobias Aguiar.

O criador de galinhas Givaldo Melo é um exemplo do ganho da implantação da cooperativa. Produz "apenas" 6 mil unidades de ovos por dia das 7 mil galinhas que cria. Pouco, comparado com outros cooperados que extraem dos criadouros quase 30 mil unidades por dia. "O que acontece é que a gente sofre com os atravessadores, que conseguem clientes que a gente não pode atender por questão de legislação, burocracia e outras exigências, mas trabalha com um preço muito baixo e incerto. A partir da cooperativa, o preço fica mais vantajoso, fica a certeza de venda do que eu produzo e eu posso me planejar pra fazer investimentos na produção, que a incerteza me fazia segurar os gastos", pontuou.

José Rezende fez mudanças, aumentou a produtividade e vai produzir queijo. Nando Chiappetta/DP FOTO.
José Rezende fez mudanças, aumentou a produtividade e vai produzir queijo. Nando Chiappetta/DP FOTO.
Bacia leiteira recebe investimentos para inovação Entender o processo produtivo do leite tem sido tarefa constante de vários agentes do estado, principalmente pela seca que não dá trégua. A falta de chuvas ocasionou queda na produção, morte de gado, redução de oferta e ajustes de preços que a demanda não acompanhou. O resultado foi o fechamento de empresas e que provocou outro movimento paralelo para a sobrevivência do setor.

As fazendas precisavam se transformar em empresa rural e esse movimento começou no Agreste de Pernambuco. O Sebrae em Pernambuco, por meio da Unidade Agreste Meridional, e o governo do estado, por meio da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), está realizando o programa Produção Intensiva de Leite.

A iniciativa, que beneficia 70 produtores de cinco municípios da região, utiliza orçamento de R$ 300 mil reais. O investimento vem realizando ações de inovação e tecnologia com objetivo de aumentar produção de leite das propriedades, como transferência de embriões para renovação do gado leiteiro, treinamentos para nutrição animal mais eficaz e gestão da fazenda, para que se tenha no campo o controle de receitas e despesas nos moldes empresariais adequados ao porte de cada criador.

A fazenda de José Rezende, na zona rural de Pedra, no Agreste, possui 18 vacas holandesas. Dessas, 14 estão em lactação produzindo os 300 litros de leite diários que José tenta comercializar diretamente enquanto não coloca em prática sua "fábrica" de queijo artesanal. Mas não era assim.

"Eu produzia com a mesma quantidade de vacas 220 litros por dia. A melhora foi só por mudanças no dia a dia da fazenda que fiz a partir do treinamento que recebi. Outra mudança foi nos custos. Eu dava alimentação errada, com excesso de proteína, gastando mais e sem necessidade. Eu tava perdendo dinheiro sem saber e não pensava em mais nada. Agora eu já penso em produzir o queijo. Vai ser meu próximo passo", detalhou, citando que, mensalmente, a redução nas despesas foi de R$ 1 mil.

Jefferson Fernandes, gestor do Projeto Leite e Derivados da Unidade Sebrae Agreste Meridional, esclarece que, na prática, está sendo realizada uma extensa consultoria aos produtores beneficiados. “Esse trabalho acontece há cerca de seis meses, em que o acompanhamento está desenvolvendo e implementando a transformação da propriedade em uma empresa rural com a busca de eficiência nos índices econômicos/zootécnicos nos quais tragam rentabilidade para o produtor”, detalha o gestor.

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