negócios Michael Bloomberg faz a maior doação da história para uma universidade Político e empresário americano mostra que os bilionários também são responsáveis pelo nível de ensino de seus países

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 21/11/2018 08:31 Atualizado em:

Michael Bloomberg anunciou nesta semana que irá doar US$ 1,8 bilhão à Johns Hopkins University. Foto: Patrik Stollarz/AFP
Michael Bloomberg anunciou nesta semana que irá doar US$ 1,8 bilhão à Johns Hopkins University. Foto: Patrik Stollarz/AFP
O ex-prefeito de Nova York e empresário da área de comunicações Michael Bloomberg anunciou nesta semana que irá doar US$ 1,8 bilhão à Johns Hopkins University, uma das principais instituições acadêmicas de pesquisa do mundo. Trata-se da maior doação já feita para uma instituição de ensino, e uma verdadeira lição de como os grandes bilionários podem contribuir para melhorar o nível de ensino em seus países.  

Segundo o acordo firmado entre Bloomberg e a Johns Hopkins, os recursos serão usados de forma exclusiva para a oferta de bolsas de estudos e programas de assistência estudantil para famílias de baixa e média renda – uma exigência do ex-prefeito, que diz sonhar com a igualdade de oportunidades entre ricos e pobres.

A doação – que se soma a outro US$ 1,5 bilhão que o empresário já doou à instituição – permitirá que a Johns Hopkins se torne uma das poucas universidades “need-blind” dos Estados Unidos. Ou seja, aquelas instituições que levam em consideração apenas os méritos dos estudantes no momento da admissão, independentemente de suas condições financeiras.

Em artigo publicado no jornal The New York Times, Bloomberg disse que está extremamente preocupado com o fato de que as universidades de prestígio dos Estados Unidos estão cada vez mais reservadas apenas aos estudantes de famílias ricas. 

“Isso machuca o filho de um fazendeiro em Nebraska tanto quanto a filha de uma mãe trabalhadora de Detroit”, disse o empresário, que foi prefeito de Nova York por três mandatos. “A América está no seu melhor quando recompensamos as pessoas pela qualidade do seu trabalho, e não pelo tamanho do seu bolso.”

Acesso ao ensino
Estudo recente mostra que em 38 das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos, como Yale, Princeton, Dartmouth e Brown, mais estudantes vieram do topo dos 1% mais ricos da escala de renda do que de toda a base dos 60% mais pobres – apesar de muitos desses estudantes de baixa renda terem as qualificações para entrar. 

Para ilustrar a transformação que o acesso a um ensino de qualidade proporciona, Bloomberg apelou à própria história. Filho de um contador que nunca ganhou mais de US$ 6 mil por ano, Bloomberg só conseguiu pagar sua faculdade de engenharia mecânica na Johns Hopkins graças a um empréstimo estudantil e a um trabalho de meio período no câmpus da universidade. 

Mas a oportunidade, escreveu ele, mudou radicalmente a sua vida: “Meu diploma na Hopkins abriu portas que de outra forma teriam se mantido fechadas para mim”, destacou Bloomberg. “E permitiu que eu vivesse o sonho americano.”

Bloomberg, que anunciou recentemente que pretende se candidatar à Presidência dos Estados Unidos em 2020 pelo Partido Democrata e que tem sido uma das vozes mais críticas ao governo de Donald Trump, fez sua primeira doação para a universidade um ano depois de se formar, quando deu apenas US$ 5. “Era o que eu podia na época”, explicou.

Desde então, o empresário destinou mais de US$ 1,5 bilhão de sua instituição de caridade, a Bloomberg Philanthropies, à universidade, principalmente para ajudar nas pesquisas acadêmicas e nos programas de assistência.

Bloomberg reconhece que sua doação para uma única universidade não deve mudar o cenário dos Estados Unidos. Mas ele dá a receita do bolo: “Como país, podemos enfrentar esses desafios e abrir portas de oportunidades para estudantes com três passos: primeiro, melhorar a orientação das universidades para que mais estudantes com backgrounds diversos tenham acesso a ensino de qualidade; segundo, persuadir um número cada vez maior de universidades a aumentar seus programas de assistência estudantil; e terceiro, estimular que mais ex-alunos contribuam com doações para os programas de assistências das universidades.


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