energia EPE quer seguir com consulta sobre novas térmicas no Nordeste A potência estimada é suficiente para aumentar a oferta local e substituir a geração térmica a carvão, com menor custo e de forma mais limpa

Por: AE

Publicado em: 12/11/2018 13:58 Atualizado em:

Foto: Reprodução / Wikimedia
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O presidente da Empresa de Planejamento Energético (EPE), Reive Barros, defendeu nesta segunda-feira (12) a contratação de 13.600 MW de potência para o sistema elétrico da região Nordeste. Ele informou que ainda não houve nenhuma reunião com a equipe do novo governo. Mesmo assim, após se reunir com o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, propôs realizar ainda este ano uma consulta pública para realizar o leilão de contratação de novas térmicas a gás na região para cobrir essa demanda.

Barros rebateu as críticas do diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Luiz Eduardo Barata Ferreira, contra essa proposta. Segundo ele, o modelo de geração local que está sendo proposto pela EPE é muito mais seguro do que o sistema integrado que vigora hoje e leva energia do sistema Sul/Sudeste para o Nordeste no período seco.

"Todo segundo semestre nós passamos no limite (de capacidade para o Nordeste). É preciso dar uma solução estrutural. Estamos trazendo uma solução mais limpa, que dá segurança", disse, citando o comportamento da oferta de energia para a região no período seco.

Pelos estudos realizados pela EPE, a potência estimada é suficiente para aumentar a oferta local e também substituir a geração térmica a carvão, com menor custo e de forma mais limpa. Segundo Barros, as térmicas que serão construídas não enfrentarão as restrições hídricas que afetam as unidades mais antigas. O objetivo é que todas tenham sistema de tratamento e dessalinização de água.

Em apresentação no workshop Incentivos ao Desenvolvimento de Hidrelétricas, realizado nesta segunda, no Rio, a EPE informou que seus estudos apontam potencial para geração de 52 GW em 192 usinas hidrelétricas. Dessas, 64% estão localizadas na Bacia Amazônica e 58% interferem diretamente em áreas indígenas. Apenas um quarto não tem nenhum tipo de comprometimento, mas a maior parte são usinas pequenas. Além disso, muitos estudos estão defasados, datando das décadas de 90 e até de 80.


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