mercado Mercado financeiro reage de forma positiva à indicação de Levy ao BNDES Apesar de ser positivo, quatro agentes do mercado entendem que a possível nomeação tem efeito limitado nos negócios

Por: AE

Publicado em: 12/11/2018 10:40 Atualizado em:

Analistas e operadores consideraram positiva a possível indicação de Joaquim Levy. Foto: Vanderlei Almeida/AFP
Analistas e operadores consideraram positiva a possível indicação de Joaquim Levy. Foto: Vanderlei Almeida/AFP
O mercado de câmbio doméstico opera com viés de alta, na manhã desta segunda-feira (12/11), alinhado à valorização do dólar no exterior em meio a apostas em novas altas graduais dos juros nos Estados Unidos. Os investidores estão na expectativas pelo CPI dos EUA e um discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, na quarta-feira, dia 14.

O euro e a libra também são pressionados para baixo por preocupações com o impasse sobre a saída do Reino Unido da União Europeia e o novo plano orçamentário da Itália para 2019. 

Segundo o operador de uma corretora que preferiu o anonimato, é bem recebida pelos investidores a escolha do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy para assumir o BNDES. O fluxo cambial está no radar dos investidores assim como as definições de nome para o Banco Central e a proposta de reforma da Previdência que o novo governo vai defender no Congresso. 

Na sexta-feira à noite, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse em uma rede social que "pouca coisa pode ser aproveitada para o ano que vem" dos projetos que recebeu até agora de reforma da Previdência do atual governo e de parlamentares. Os investidores estarão atentos às articulações políticas de Bolsonaro no Congresso nos próximos dias.

No exterior, além das expectativas de novas altas no juro americano, pesam também contra a libra e o euro o impasse em relação à saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) e, na Itália, em torno do novo plano orçamentário para 2019, cujo prazo de entrega à Comissão Europeia termina nesta terça-feira (13/11).

Às 9h42 desta segunda-feira, o dólar à vista subia 0,03%, a R$ 3,7395. O dólar futuro de dezembro avançava 0,17% neste mesmo horário, a R$ 3,7445.

Taxas curtas caem, enquanto juro longo sobe
Os juros futuros de curto prazo operam com viés de baixa, na manhã desta segunda-feira (12/11), dando continuidade ao movimento da sessão estendida de sexta-feira (9/11). As taxas de longo prazo, porém, exibem viés de alta, em linha com o sinal do dólar ante o real. No mercado de câmbio, os investidores precificam as apostas em novas altas graduais dos juros nos EUA.

Segundo o operador de renda fixa Luis Felipe Laudisio dos Santos, da Renascença DTVM, o mercado reage bem às "novas sinalizações de figuras que devem compor o time de Jair Bolsonaro. Joaquim Levy no BNDES e Mansueto Almeida ficando no cargo (Secretário do Tesouro) são ótimas sinalizações", explicou. 

Às 9h51 desta segunda-feira, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 caía a 8,12%, ante 8,16% do ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2025 estava em 10,10, ante 10,07% no ajuste de sexta. No câmbio, o dólar à vista subia 0,19% neste mesmo horário, a R$ 3,7455. O dólar futuro de dezembro avançava 0,27%, a R$ 3,7480.  

Ibovespa começa com altas e baixas
O Ibovespa oscila ora em alta, ora em baixa muito perto do último fechamento. Em queda de mais de 4% nos últimos cinco pregões, o índice apresenta espaço para recuperação, a qual é limitada nesta segunda-feira (12/11) pela provável liquidez menor no mercado local e pelas indefinições sobre a agenda e a equipe do futuro governo Bolsonaro. O volume de negócios no Brasil tende a ser limitado porque, apesar de as bolsas em Nova York funcionarem nesta seguna, é feriado pelo Dia do Veterano nos Estados Unidos. O feriado americano deixa mercado de Treasuries fechado. 

Sobre o futuro governo, analistas e operadores consideraram positiva a possível indicação de Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda, para a presidência do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

A notícia, ainda não foi confirmada oficialmente, foi dada em primeira mão pela colunista do jornal O Estado de S. Paulo Sonia Racy no domingo. Apesar de ser positivo, quatro agentes do mercado, ouvidos pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), entendem que a possível nomeação tem efeito limitado nos negócios. 

Do exterior, a influência para a Bolsa continua mista. O petróleo sobe, os futuros de Dow Jones e S&P500 caem. 

O petróleo sobe após o ministro de Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Fahih, afirmar no domingo que o país pretende cortar a oferta, num momento em que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e outros produtores mostram dificuldades de chegar a um acordo para uma redução conjunta. 

Na Europa, Londres e Madri exibem sinal positivo, mas as variações estão praticamente estáveis. Em Frankfurt, o principal indicador acentuou a queda e perdia 0,88% às 10h32. No mercado global de moedas, todas divisas de emergentes, exceto o rublo russo, perdem para o dólar americano.

Perto do horário acima, o Ibovespa perdia 0,05% OAS 85.599 pontos. Na mínima, foi a 85.420 pontos (-0,26%). Na máxima, marcou 85.831 pontos (+0,30%). O barril do petróleo do tipo Brent subia 1,11%. 

Apesar da queda de 1,49% do minério de ferro no mercado à vista chinês (porto de Qingdao), a Vale ON sobe mais de 1% nesta manhã O dólar à vista subia 0,28% aos R$ 3,7490. O DI para janeiro de 2021 exibia 8,15% ante 8,16% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2023 exibia 9,49% ante 9,47% no ajuste de sexta-feira

Nesta última semana da temporada de balanços corporativos, a atenção do investidores vai para Eletrobras, Braskem, CPFL e Light. As quatro empresas divulgam resultado do terceiro trimestre após o fechamento do mercado. 

Na terça de manhã, Itaúsa e Bradespar apresentam seus relatórios Depois do pregão, será a vez de JBS, BRMalls, Banrisul, entre outras. 


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.