Construção Mercado mira reformas de final de ano Varejo de materiais de construção tem boas expectativas para o último trimestre e espera aumentar vendas no período, fechando o ano com resultado

Por: Luciana Morosini

Publicado em: 03/11/2018 11:00 Atualizado em: 01/11/2018 20:55

Quando chega o final do ano, muita gente pensa em reformar a casa para receber os convidados e também para entrar no novo ano com o espaço renovado. O movimento acaba resultando em um crescimento das vendas de materiais de construção, principalmente com foco no último trimestre do ano. Esses números serão importantes, inclusive, para as boas expectativas para 2018. A estimativa é que o setor feche pelo segundo ano consecutivo em crescimento, com alta de 7% em relação a 2017, segundo a Associação Nacional de Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).

O varejo de material de construção não sentiu os efeitos da crise econômica de forma muito intensa ao longo dos últimos anos. Pelo contrário, a instabilidade até beneficiou, de certa forma, o segmento. “A construção civil teve uma queda, mas ela compra da indústria diretamente. Para nós, do comércio, esse consumo de varejo, da reforma, não influenciou muito. Até porque podemos tirar um proveito disso, já que as pessoas acabam não investindo em um imóvel novo e reformam os antigos para passar mais tempo neles”, diz Cláudio Conz, presidente da Anamaco.

No acumulado do ano, o varejo de material de construção apresenta aumento de 4,5% sobre o mesmo período de 2017, enquanto nos últimos 12 meses a alta é de 6,5%, de acordo com a Pesquisa Tracking da Anamaco mensal. Os números poderiam ser ainda mais positivos, caso a alta do preço do frete e também do dólar não tivesse influenciado o mercado de forma negativa. Tanto que setembro registrou retração de 5% em relação a agosto no país. “Pernambuco é um mercado que sofre um pouco por conta da nova tabela de frete, que aumenta os custos. Isso porque o Nordeste ainda compra muito do Sudeste e a distância é muito grande para abastacer o mercado”, afirma Conz.

Porém, a expectativa é retomar o crescimento em outubro, justamente no período que se inicia o último trimestre do ano. Cláudio Conz ressalta que 61% dos entrevistados na pesquisa acreditavam que a alta seria retomada no mês passado, inclusive porque historicamente outubro costuma ser um mês superior a setembro - os números ainda não foram fechados. “O último terceiro trimestre do ano é muito forte.

Além das reformas para deixar as casas bonitas para o final do ano, as pessoas também preparam as casas de praia para o veraneio e as pousadas acabam tendo que melhorar as instalações. Tudo isso influencia”, conta o presidente da Anamaco.

O mercado pernambucano também está confiante no bom resultado do último terceiro trimestre. Na loja Comercial Batista, por exemplo, nos últimos três anos, o período entre agosto e janeiro apresentou crescimento nas vendas. “Neste ano, estamos otimistas e, até janeiro, vamos ter incremento de 6%. Na verdade, a gente sonha em chegar a uma alta de 15%, mas estamos fazendo uma projeção mais realista. E, no final das contas, o mais importante é que não haja queda”, ressalta a presidente Adeilza Batista.

As reformas de final de ano são um dos fatores que devem influenciar positivamente, mas não o único. “O nosso termômetro é o dólar. Se ele estacionou, as coisas tendem a melhorar. Talvez não haja aquele crescimento que havia antes em Pernambuco, mas um crescimento razoável, com certeza, vai acontecer”, acrescenta.

Com alta da demanda, período é o ideal para os serviços?

O aumento da demanda por reformas no período de final de ano se faz pela vontade de ter a casa bonita para o período festivo e também pelo incentivo natural do próprio comércio com o pagamento do décimo terceiro salário. O movimento faz muita gente questionar se esta é a época ideal para dar aquela organizada na casa. Levando em consideração os preços dos materiais de construção, eles não são fatores que influenciam de forma negativa na decisão, já que não tendem a ficar mais caros neste período. Porém, é preciso levar em consideração também outros fatores, como a questão da mão de obra. Com a procura maior ela pode ficar mais escassa e ter valores mais altos sendo cobrados.

Para quem deseja realmente fazer a reforma neste período, o ideal é não deixar para começar o serviço muito próximo do final do ano, já que a mão de obra fica mais escassa e alguns profissionais disponíveis podem aumentar o preço, apesar de não ser uma regra do mercado. “Isso vai depender do serviço a ser realizado e também do profissional. Muitos profissionais fogem de pequenas reformas ou aumentam o valor para tornar pequenos trabalhos atrativos para si”, explica o arquiteto Artur Diniz. Além disso, deixar para última hora pode dificultar a compra do material. “Dependendo do produto, nem sempre as lojas têm o material anunciado para pronta-entrega. Então, o cliente, na ansiedade de renovar logo a casa, acaba por substituir algo que sonha por algo disponível em loja”, acrescenta.
Se as reformas são pequenas ou mais simples facilitam o processo. “Essas que envolvem pintura ou renovação de pequenos ambientes são mais corriqueiras. No caso, o próprio cliente vai à loja e define os materiais sozinho ou com a ajuda de algum vendedor. Dependendo do perfil do cliente e do tipo da reforma, não vai existir a participação de um arquiteto ou designer de interiores”, ressalta Artur Diniz.

Além disso, existem maneiras de baratear a obra. Uma delas é tentar fazer você mesmo uma parte do serviço. “Isso pode ser feito para alguns serviços que sejam mais simples, mas tenha em mente que um profissional poderá fazer melhor do que você e, no quesito qualidade, um bom acabamento é 100%”, acrescenta o arquiteto.

Para uma obra de maior proporção, é necessário um bom planejamento e um prazo para elaboração de projeto e execução da obra. “Isto garante uma boa coordenação entre os diversos profissionais envolvidos na obra, o que proporciona maior êxito no resultado final, possibilita mais tempo para pesquisar preços e comprar materiais antecipadamente, possibilita comparar valores de mão de obra, torna mais viável atender os prazos e minimizar os imprevistos comuns em toda obra. Neste tipo de trabalho, a procura por arquitetos e designer de interior é maior. Mas depende do perfil do cliente: mesmo que ele esteja visando uma reforma a ser concluída no final do ano, ele se planeja com bastante antecedência”, explica. “Por isso, quem pretende estar com a casa de cara nova no final do ano, deve estabelecer metas o quanto antes, até porque nada mais desastroso do que mudar os planos por causa de uma reforma que não foi finalizada a tempo”, conclui.


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