negócios Fake news em outras redes transformam o Instagram na bola da vez Enquanto Facebook e WhatsApp se transformam em canais de disseminação de notícias falsas, a rede social de compartilhamento de imagens ganha cada vez mais adeptos no mundo

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 31/10/2018 08:21 Atualizado em:

 (Instagram, rede social de compartilhamento de imagens adquirida por Zuckerberg há seis anos, deve faturar. Foto: Justin Sullivan/Getty/AFP)
Seis anos depois de Mark Zuckerberg pagar cerca de US$ 1 bilhão pelo Instagram, a rede social de compartilhamento de imagens deve faturar US$ 9 bilhões neste ano. Se fosse listada separadamente, seu valor de mercado seria próximo de US$ 100 bilhões, segundo cálculos realizados pela Bloomberg Intelligence. Trata-se, muito provavelmente, da melhor aquisição já feita no mundo digital — e também aquela com o potencial de crescimento.

Enquanto Facebook e WhatsApp se transformaram numa arena de acalorados debates políticos e canais de disseminação de fake news, o Instagram floresce como uma espécie de ilha da fantasia digital preferida dos millennials.

Com 1 bilhão de usuários, o Instagram já responde por 18% do faturamento do Facebook. E é, dos três grandes negócios de Zuckerberg, o mais saudável. De acordo com os mais recentes dados disponíveis, o Instagram responde por 38% de cada novo dólar investido em publicidade no Facebook. Em 2020, essa fatia deve chegar a 68%, segundo análise realizada pelo KeyBanc.

A popularidade do Instagram é coisa para millennial nenhum colocar defeito. Em seu estudo semestral sobre marcas e comportamento de consumo dos adolescentes, chamado de “Taking Stock With Teens”, a corretora Piper Jaffray mostra que 85% dos adolescentes usam a rede social pelo menos uma vez por mês. No Snapchat, o índice é próximo de 84%. Enquanto isso, apenas 47% usam o Twitter todo mês e 36% o Facebook. Pela primeira vez desde que o levantamento começou a ser realizado, o Instagram ultrapassou o Snapchat como a rede social mais usada pelos mais jovens.

A incapacidade do Facebook de atrair a nova geração também é crescente. Há dois anos, 40% dos jovens de 15 anos estavam no Facebook. Hoje em dia, o índice é de apenas 28%. O estudo entrevistou 8,6 mil adolescentes nos Estados Unidos. Quando perguntados sobre qual é a rede social preferida, o Snapchat ainda aparece na frente, indicado por 46% dos entrevistados. No Instagram, o número é 32%.

O Instagram também é citado por mais de 60% dos adolescentes como seu canal preferido para manter contato com as marcas. Em segundo lugar no levantamento, aparece o e-mail. Ironicamente, a popularidade do Instagram aumentou depois que ele começou a clonar ferramentas do próprio Snapchat, como o “Stories”, e também o envio de imagens efêmeras no privado (direct).

No mercado de luxo, a presença no Instagram começa a chamar a atenção das marcas. Na semana passada, o UBS recomendou a inclusão de métricas como números de seguidores, “likes” e interações no Instagram nas análises e decisões de investimento na hora de se avaliarem ações de empresas como Gucci, LVMH e Burberry.

“Percebemos uma relação claramente linear entre o número de seguidores em uma dada rede social e as vendas da marca no varejo. Mesmo para fãs que não podem comprar alguma peça imediatamente, o interesse nas redes vai provavelmente significar que esse consumidor vai comprar algo mais cedo ou mais tarde”, diz o UBS em seu último relatório sobre a indústria de luxo no mercado europeu.

O banco comparou o crescimento do volume de “likes’ nos posts no Instagram com o crescimento das vendas de algumas marcas de luxo. No caso de Gucci, uma das marcas mais desejadas pelos millennials, a correlação foi de 76%, considerando o período de 2016 até o segundo trimestre deste ano.

O estudo do UBS também mostra que as marcas de luxo têm aumentado os gastos com o impulsionamento de posts e também com cachês de influenciadores para a promoção dos produtos. Há dois anos, a Gucci gastava 30% de suas receitas de publicidade e promoção em mídias digitais. Neste ano, essa fatia deve ser de 55%. Projeções indicam que o número irá ultrapassar 60% em pouco tempo.

Os números da rede social
1 bilhão de usuários

US$ 9 bilhões de faturamento

US$ 100 bilhões de valor de mercado

Responsável por 38% de toda a publicidade do Facebook


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