Levantamento Estudo aponta existência de minérios em Buíque Região nos arredores da cidade de Buíque, no Agreste pernambucano, é rica em minerais metálicos ainda inexploráveis na localidade, sobretudo o tório

Por: Rochelli Dantas - Diario de Pernambuco

Publicado em: 27/10/2018 10:00 Atualizado em:

Para Geyssom Lages, estudo também traz benefícios para o gesso da região do Araripe. Foto: Divulgação/CPRM ( Foto: Divulgação/CPRM)
Para Geyssom Lages, estudo também traz benefícios para o gesso da região do Araripe. Foto: Divulgação/CPRM
Todos os dias novas descobertas são realizadas nos mais diversos campos. Estudos também podem auxiliar no desenvolvimento de novos negócios, principalmente no Agreste e Sertão, regiões que sofrem com prolongadas estiagens. Um mapeamento realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) pode trazer mudanças para a região de Buíque, no Agreste pernambucano. Hoje, o local é predominantemente dependente da agropecuária, mas o levantamento aponta que é promissor para depósitos de minerais metálicos. 
No estudo, os técnicos e geólogos envolvidos no mapeamento cadastraram 41 ocorrências consideradas inéditas. Entre os pontos, há importantes anomalias de terras raras, enriquecidos notadamente em tório, matéria-prima de grande relevância econômica e estratégica, cuja produção mundial hoje concentra-se 97% na China. Entre outras aplicações, é usado na produção de energia nuclear em algumas usinas.

A chamada Folha Buíque, como está sendo tratado o trecho que abrange os municípios de Itaíba, Tupanatinga e Buíque e as vilas Carneiro, Catimbau, Cabo do Canto, Jirau, Salgadinho, Tanque, São Domingos e Negras, apresenta um quadro que se mostra promissor quanto à existência de depósitos de minerais metálicos. Ao todo, foram registradas 41 ocorrências consideradas inéditas.

“A área situada na mesorregião do Agreste pernambucano é o semiárido, com economia fundamentada na agropecuária, atividade que registra baixo rendimentos e são vulneráveis na seca. Esses estudos, se aprofundados por empresas interessadas em explorar a região, podem contribuir para o desenvolvimento de novas atividades. A ampliação do período geológico na região abre perspectivas de novas explorações minerais”, afirma a geóloga do Serviço Geológico Brasileiro, Maria Angélica Batista.

O relatório desenvolvido pelo órgão aponta ainda a existência de um arenito amarelo amarronzado, no qual foram encontradas anomalias radioativas que podem indicar uma associação com mineralização de urânio. “A ampliação do conhecimento geológico na região como um todo abre perspectivas de novas explorações minerais e norteia a exploração dos itens reportados”, pontua a geóloga Maria Angélica.

O órgão também realizou estudos na Bacia do Araripe, que representa 95% do mercado nacional de gipsita, matéria-prima utilizada na fabricação de gesso no país. “Nesse caso, nosso objetivo foi avaliar a presença de outras substâncias minerais que pudessem agregar valores a cadeia produtiva e a exploração de gipsita. Encontramos zonas com presenças de minerais importantes que podem contribuir para os produtores da região”, pontua o geólogo Geyssom Lages.

Na região do Araripe, o estudo foi realizado entre os estados de Pernambuco, Ceará e Piauí. Por lá, foi identificada a presença de substâncias minerais importantes como, por exemplo, a ocorrência do mineral celestita (sulfato de estrôncio) e sulfetos de Zn (zinco), Pb (chumbo) e Cu (cobre).

“O nosso estudo apontou, entre outros pontos, duas zonas anômalas de estrôncio, uma localizada na parte norte-nordeste da bacia, nas proximidades da cidade de Santana do Cariri, onde já existe um registro conhecido de celetista, e a outra, inédita, localizada sobre os depósitos de gipsita em exploração, na parte sul da bacia. São pontos que podem despertar o interesse de empresas realizarem estudo mais profundos”, pontua Geyssom Lages.


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