Especial seguros Jeito seguro de olhar para o próximo Carlos Valle escolheu como profissão ajudar as pessoas e, com essa convicção, fez crescer a corretora que leva o seu sobrenome e é referência no mercado

Por: Luciana Morosini

Publicado em: 20/10/2018 14:08 Atualizado em:

A profissão de corretor de seguros surgiu na vida de Carlos Alberto Valle meio que por um acaso. Ele trabalhava em uma multinacional vendendo compostos químicos para a construção civil até o dia que um amigo disse que ele deveria trabalhar como corretor e apresentou as pessoas que abririam as portas para ele. A atração pelo novo trabalho se deu menos pela profissão em si ou pela remuneração, mas muito mais por acompanhar o seu estilo de vida: o de ajudar os outros. A convicção que sempre permeou a vida de Carlos Valle, no âmbito pessoal e profissional, naturalmente foi passada através de exemplos ao longo da vida e da educação dada aos filhos. Tanto que Mariana e Carlos Alberto, conhecido como Cacá, escolheram, por livre e espontânea vontade, seguir os passos do pai. Os três, hoje em dia, trabalham juntos na Valle Corretora e impulsionam o crescimento da empresa familiar fazendo o que realmente amam: olhar para o próximo.

A princípio, Carlos Valle não deixou em definitivo o emprego na multinacional e ficou conciliando com o cargo de preposto de corretor de seguros. “Mas chegou o momento que precisei me decidir e percebi que eu me identificava mais com o seguro como uma atividade, isso me fazia mais feliz, foi aí que escolhi a minha profissão”, diz. Então, ele sentiu a necessidade de se formalizar e, em 1986, fez o curso para ser corretor. Um ou dois anos depois, ele abriu a Valle Corretora e, nos primeiros 10 anos, esteve sozinho à frente da empresa. Para dar conta de um crescimento exponente na carteira de clientes em uma época que ainda não existia o computador, Carlos Valle criou um sistema próprio de controle das apólices. “Eu chegava de noite em casa e preenchia uma planilha com o nome do cliente, o ramo, a companhia, o prêmio e a comissão e eu conseguia ter controle de tudo. E, como eu guardava as apólices pela data de vencimento, fiz uma agenda de telefone com os clientes por ordem alfábetica e, quando eles me ligavam, eu consultava a agenda e já sabia onde encontrar a apólice”, explica, mostrando, com orgulho, os documentos dos anos 90 guardados cuidadosamente até hoje no seu escritório.

Ao longo dos 30 anos de atuação, Valle se tornou um sobrenome de referência quando o assunto são os seguros. A identidade forte, inclusive, é mola propulsora para os resultados positivos. E a corretora não para de crescer, inclusive no período que os efeitos da crise econômica afetaram a economia brasileira. A empresa cresceu 10% em 2017 em comparação com 2016. Para este ano, a expectativa é ter um incremento de 6% em relação ao ano passado. “Não sentimos a crise. A nossa maior carteira de clientes é para seguros de carro e só tratamos uma vez por ano. Mesmo que tenha a crise, as pessoas não deixam de fazer e não acompanhamos o decréscimo por conta da instabilidade econômica”, afirma.

Com a corretora que carrega o seu sobrenome já consolidada, Carlos não para em sua missão de ajudar as pessoas e, aos 62 anos, mostra todo o vigor para dividir o seu tempo com outras atividades que, de alguma forma, voltam o olhar para o próximo. Em uma planilha que está ao seu lado em cima do seu birô está a sua agenda de novembro. Viagens, reuniões, encontros e tantos compromissos que se estendem nos dias de semana e finais de semana. E nem tudo com foco na sua própria empresa, como é de costume de tantos empresários. “Há 20 anos, faço parte do Rotary Club (instituição que tem como objetivo criar mudanças no mundo) nesta missão de ajudar, mas este ano meu tempo está mais apertado porque sou governador do distrito 4500, que engloba Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte”, conta. Além disso, ele é presidente do Sindicato dos Corretores do Estado de Pernambuco (Sincor-PE) e vice-presidente da Federação Nacional de Corretores de Seguros (Fenacor) em uma forma de ajudar a categoria. “Temos conquistas registradas como a inclusão da categoria no Simples e a redução do ISS de 5% para 2%”, comemora.

Convivência familiar é suporte para o crescimento 

A Valle Corretora foi crescendo e, 10 anos depois de inaugurada, já não dava mais para Carlos Alberto seguir sozinho nos negócios. Apesar de ser uma operação enxuta, o quadro de funcionários foi crescendo junto com a empresa e hoje, com 30 anos de atuação, além dele, são oito empregados. Todos são valorizados, mas é inegável que dois deles são especiais. Os filhos Mariana e Cacá resolveram seguir os passos do pai na profissão. Ter na família uma empresa referência no ramo de seguros e um sobrenome que se apresenta por si só na categoria foi um atrativo. Porém, a decisão também passou por valores que foram assimilados com a educação que receberam, sempre norteada por exemplos que falavam sobre ajudar as pessoas. A chegada dos meninos, como Carlos Valle costuma chamar, na empresa ampliou os negócios em uma sucessão comercial da corretora. Além disso, o trabalho possibilita uma convivência maior entre eles, o que intensifica a admiração ao profissional que o pai é e também fortalece os laços familiares.

Mariana Valle, de 31 anos, decidiu desde cedo o caminho que iria seguir. No último ano do curso de Contábeis, não estava satisfeita com o estágio e o rumo profissional que estava seguindo. “Era aquele momento que eu não sabia o que fazer e decidi conciliar a faculdade com o curso de corretora. Dura um ano e é superpuxado e, no final dele, eu comecei a trabalhar na Valle Corretora para enteder a rotina na parte administrativa. Mas logo depois comecei na área de vendas”, conta. Do primeiro seguro vendido,  de vida, até hoje já se passaram 10 anos. Já Cacá, formado em Administração e com 29 anos, só entrou na sociedade há três anos. “Trabalhei em vários lugares antes de vir para cá e me arrependo de não ter vindo antes. Em 2016 fiz o curso para corretor e bati na porta do meu pai. Hoje vejo que é um privilégio participar de um negócio de sucesso e que tem o respaldo do nome dele”, afirma.

A questão é que o sucesso nem sempre é a chave para a felicidade. Mas, no caso da Valle Corretora, uma coisa está interligada com a outra, mas talvez pelo caminho inverso: a felicidade de terem se realizado profissionalmente e trabalharem com o que gostam, ajudando o próximo, é o segredo do sucesso. E tudo isso com uma convivência em harmonia. “Trabalhar com meu pai foi mais fácil do que imaginava. Em muitas empresas familiares, existem brigas pelos conflitos de geração, quando o mais velho não quer ceder e o mais novo quer chegar e revolucionar. Aqui não tem isso e meu pai é uma referência, a gente aprende muito com ele”, conta ela. “Ele é incansável na busca de atender e o cuidar fica intrínsico. A remuneração vem como consequência”, completa o filho.

Carlos Valle não ganha apenas em elogios. Ele sabe que tem os benefícios também em conviver por mais tempo com os filhos. Junto com tudo isso, vem o contato direto com a neta Duda. Mariana leva a filha de sete meses todos os dias para o escritório e a pequena é tão bem-vinda que tem uma sala para ela, com brinquedos e um tapete infantil. Entre uma mamada, um beijo do avô e um afago do tio, segue o trabalho. E do alto de sua experiência, o empresário sabe que a presença dos filhos como sócios também ajuda nos negócios. “Os filhos dos meus segurados conseguem se comunicar melhor com os meus filhos, ficam mais confortáveis. Eles conseguem apresentar a essa nova geração as novidades dos seguros. Conseguimos fazer uma sucessão comercial”, ressalta, deixando claro que não se trata em uma sucessão empresarial, já que ele não pretende largar o trabalho nem tão cedo. “Com a gente tem a questão da confiança e ele consegue repassar as tarefas, inclusive já remodelamos os processos e conseguimos trazer novos negócios. Mas a sucessão da empresa implica na aposentadoria dele e isso está longe de acontecer. Ele tem prazer em ser útil, em ajudar a todos”, conclui Cacá.



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