Especial seguros Pernambuco entra no mapa das insurtechs No Brasil, existem mais de 70 empresas de tecnologia que trabalham no setor de seguros e Pernambuco é o único estado do Nordeste com startups no segmento

Por: Thatiana Pimentel

Publicado em: 20/10/2018 14:07 Atualizado em: 22/10/2018 16:37

ZeroPay está rodando em versão teste e deve ser oficialmente lançada ao mercado nacional em novembro. Foto: Marina Curcio/ESP. DP
ZeroPay está rodando em versão teste e deve ser oficialmente lançada ao mercado nacional em novembro. Foto: Marina Curcio/ESP. DP

Você sabe o que são insurtechs? O nome é uma junção de insurance e tecnology e denomina empresas de tecnologia que trabalham no setor de seguros. No Brasil, o segmento ainda está se consolidando, mas já existem mais de 70 empresas em todo o país trabalhando nele. Pernambuco representa menos que 2% deste mercado, ainda assim é o único estado do Nordeste com startups no mapa do setor. Por aqui, já existem, inclusive, empreendedores trabalhando nas duas principais áreas de insurtechs: cotação e análise de riscos. Este ano, com a Resolução nº 359 sendo colocada em prática, que permite a uma segurada ser 100% digital, o número de empresas dobrou segundo dados da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara e-net) e deve crescer 100% em 2019.

Caetano Altieri, vice-coordenador do Comitê de Insurtechs da Camara-e.net, afirma que as primeiras insurtechs brasileiras remontam o ano 2000, mas essa tendência dentro da tecnologia só se consolidou no Brasil em 2016. “Essas empresas surgiram para tornar os processos menos burocráticos. Assim como o setor bancário, as seguradoras brasileiras não inovavam”, avalia. Dentro deste cenário, para Altieri, a evolução do segmento acompanha a expansão da Inteligência Artificial e Big Data. “O maior foco das insurtechs é usar dados para beneficiar o processo e o produto. Por um lado, temos empresas que fazem cotação, precificação e personalização dos seguros de forma totalmente online e, do outro, temos as startups que usam os dados das próprias seguradoras para diminuir riscos e fraudes”.

A primeira área citada por Caetano, a de cotação, precificação e personalização, é justamente o foco da ZeroPay, criada pelo pernambucano Douglas Ferro em 2015. A empresa já está rodando sua aplicação beta, de testes, e será lançada no mercado nacional no dia 1º de novembro. Na prática, ela realiza todas as operações que um corretor faria, com economia de 80% de tempo. “Nosso desafio é melhorar a experiência do usuário dos seguros de automóveis. Hoje, em média, quatro milhões de seguros são renovados todos os anos no Brasil, com uma movimentação de R$ 35 bilhões apenas em 2017 e perspectiva de R$ 40 milhões em volume de contratos em 2018. Queremos entrar nessa cadeia”, explica o gestor, que já tem quatro sócios-investidores.

“Criei o ZeroPay a partir de uma necessidade minha que queria fazer a cotação e contratar um seguro de forma 100% digital, algo que faltava no mercado. O corretor online, inclusive, eliminará vários intermediários e acredito que nos próximos 10 anos todo o setor de seguros irá se tornar digital”, detalha. Com investimentos de quase R$ 150 mil, a empresa espera em 2019 abrir a sua própria seguradora de objetos portáteis, oferecendo também o serviço de cotação online. “Queremos expandir para pequenos objetos, tipo celulares e notebooks, seguro viagem, seguro bagagem e até seguro de vida”. Em três anos, a meta é entrar no mercado internacional. Como vantagens, quem contrata um seguro na ZeroPay e indica a um amigo, ganha ainda 40% de desconto no seu próprio seguro. A apólice é enviada por e-mail e uma vistoria é agendada no momento da contratação.

Germano Vasconcelos: tecnologia para reduzir sinistros. Foto: Facebook/Reprodução
Germano Vasconcelos: tecnologia para reduzir sinistros. Foto: Facebook/Reprodução

Um dos maiores faturamentos está aqui


Neurotech. Essa é a empresa que colocou Pernambuco no mapa de insurtechs não só brasileiro, mas mundial. Trabalhando com análise de riscos desde 2003, a marca é uma das empresas com maior faturamento do segmento no Brasil, com movimentação em 2017 de mais de R$ 30 milhões, e já tem 25% de seus negócios ligados a seguradoras. Na prática, o que a Neurotech faz é estudar dados e avaliar incidências de roubos e assaltos por região e ainda buscar uma precificação de forma mais personalizada. Para isso, ela utiliza informações da própria seguradora e cruza com dados públicos como os demográficos do Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE) e a geolocalização. Com isso, conseguem uma redução de 20% em registros de roubos e fraudes, o que significa um retorno de cinco vezes do investimento. Como clientes, a empresa já trabalha com a Mapfre, Bradesco, HDI, Tokio, Allianz e outras.

“A gente trabalha mais com o segmento de veículos, uma vez que o roubo de carros no Brasil cresce em torno de 30% ao ano. Logo, é necessário e urgente que a gente use a tecnologia para estudar esse segmento e diminuir os sinistros”, explica Germano Vasconcelos, sócio-fundador da Neurotech e professor do Centro de Informática (CIn) da UFPE. De acordo com ele, o consumidor também ganha pois os riscos são avaliados de forma mais aproximada da realidade, o que causa um barateamento geral, que também é provocado pela diminuição de fraudes. “Ainda temos uma redução de 10% na frequência dos sinistros”, completa Vasconcelos. Segundo o gestor, a perspectiva de crescimento em 2019 do segmento de seguros dentro da empresa é de 50%. “Queremos avançar em outras áreas, como seguros residenciais, viagens e até o seguro saúde”, ressalta. A Neurotech trabalha ainda com avaliação de riscos para o varejo e para o mercado financeiro. 




Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.