ELEIÇÕES 2018 Mercado vê dólar a R$ 3,50 com a eleição de Jair Bolsonaro Expectativa de analistas é de que, com vitória do candidato do PSL, a B3 atinja os 100 mil pontos. Ontem, divisa norte-americana encerrou o dia em queda de 0,32%, a R$ 3,721. O Ibovespa fechou o pregão em alta de 2,83%

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 17/10/2018 08:33 Atualizado em:

Foto: Arte/CB
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Após o resultado da pesquisa Ibope para as eleições presidenciais, divulgada na noite de segunda-feira, apontar diferença de 18 pontos percentuais de Jair Bolsonaro (59%), do PSL, em relação a Fernando Haddad (41%), candidato do PT, o mercado financeiro viveu dia positivo ontem. Os investidores estão confiantes de que o capitão reformado vencerá no segundo turno. O dólar encerrou o dia negociado a R$ 3,721. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), teve alta de 2,83%, aos 85.718 pontos. Segundo analistas, o mercado já vê a divisa dos Estados Unidos a R$ 3,50 com Bolsonaro eleito.

O dólar chegou a ser negociado a R$ 3,696, na mínima do dia, valor que não era atingido desde o pregão de 6 de agosto (R$ 3,6928). Segundo Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, o movimento de ontem sinalizou uma depreciação que poderá ser observada nos próximos pregões antes do segundo turno. “Saímos, nas últimas semanas, de um dólar negociado a R$ 4,20 para R$ 3,70. Nesse patamar, acho que o mercado vai implementar o suporte de R$ 3,50 até a véspera das eleições”, previu.

Galhardo também destaca as boas perspectivas de investimento no país para o próximo ano. “Em 2019, a expectativa é de que o investidor estrangeiro volte, com mais intensidade, ao mercado brasileiro. Após as eleições, confirmando-se a vitória de Bolsonaro, o mercado vai apostar tudo. Assim, imagino que poderemos esperar por um momento de bastante valia. Claro que vai ter especulador vindo para aproveitar o lucro, mas essa aferição de uma rentabilidade maior pode ajudar o Ibovespa a bater os 100 mil pontos, tornar o dólar mais barato e fazer com que o risco-país caia”, projetou.

De acordo com Tiago Mori, assessor de investimentos da Eixo Investimentos, o aspecto positivo no pregão se deve a dois fatores: o fato de a pesquisa ter apontado a consolidação de Bolsonaro em primeiro lugar; e a inversão da rejeição entre os dois candidatos. “No primeiro turno, por exemplo, Haddad tinha uma rejeição menor que a de Bolsonaro”, constatou. De acordo com ele, o movimento no exterior também é favorável. “Estamos vendo um movimento positivo nos Estados Unidos, após alguns solavancos na semana passada, com a fuga de dólares para ativos mais conservadores.”

O intenso rally — compra e venda de ações — observado nas últimas semanas deve arrefecer nos próximos dias, nas previsões de Tiago. “Acredito que investidores estão adotando uma tendência de mais calma. O mercado costuma precificar boas notícias de forma rápida, sinalizando altas significativas”, complementou.

Nível histórico
O Bank of America Merill Lynch (BAML) divulgou que, em pesquisa realizada com investidores que administravam US$ 646 bilhões, a percepção de 51% dos entrevistados é de que as divisas emergentes estão no menor nível histórico. A situação seria consequência da crise argentina, que recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) neste ano, da instabilidade envolvendo a Turquia, além da alta de juros estadunidenses.

Para Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas, o impacto da desvalorização das divisas emergentes pode atingir, em menor escala, o Brasil, caso o país promova reformas na área econômica. “O Brasil não vai se livrar do resto do mundo, mas acho que podemos ter uma performance melhor do que outros emergentes, se as promessas de campanha de Bolsonaro e Paulo Guedes forem realizadas em um eventual governo. O Brasil não tem força para ir contra um movimento mundial, mas, em comparação a emergentes, sim”, afirmou.

Para Pablo Syper, diretor de operações da Mirae Asset, o investidor passa a ficar, no momento, com um pé no cenário internacional, mantendo, é claro, o outro no radar eleitoral. “Para mim, nos próximos seis meses, a expectativa é de crescimento global robusto, capitaneado pelos norte-americanos. Agora, quem opera no mercado precisa levar em conta algumas questões: a possibilidade de uma guerra comercial, envolvendo os Estados Unidos e a China; se a inflação norte-americana vai acelerar e, se isso ocorrer, qual será o comportamento dos juros nos EUA”, explicou.


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