DP NOS BAIRROS Praça de Casa Forte atrai o comércio Um dos símbolos do bairro de Casa Forte é um canalizador de negócios, dos mais diversificados, para o seu entorno, entre eles bares e livraria

Por: Patrícia Monteiro

Publicado em: 10/10/2018 08:30 Atualizado em: 10/10/2018 08:40

Empreendimentos se instalaram ao redor do espaço público. Um deles é o de Daniel Dantas, que já está analisando novos investimentos para o seu bar: o Na Praça. Foto: Gabriel Melo/Esp. DP
Empreendimentos se instalaram ao redor do espaço público. Um deles é o de Daniel Dantas, que já está analisando novos investimentos para o seu bar: o Na Praça. Foto: Gabriel Melo/Esp. DP

A Praça de Casa Forte é, praticamente, o principal ponto de referência do bairro que leva o mesmo nome. O espaço foi o primeiro jardim público idealizado pelo paisagista Roberto Burle Marx, em 1934, e assim nomeado em alusão ao Engenho da Casa Forte. Hoje, 84 anos depois da sua fundação, a praça abriga vários jardins inspirados em moldes franceses e espelhos d’água contendo plantas aquáticas, rodeados por passeios intercalados por vegetação. E é o espaço ao redor no qual existe uma pequena, mas diversificada malha comercial com livraria, academia, salão de beleza, empório e variadas opções de alimentação.

Dentre elas, um estabelecimento que já a homenageia no nome: o Na Praça - Espaço Gourmet. Há cinco anos funcionando no mesmo endereço, é, segundo o seu proprietário Daniel Dantas, um rock bar com apresentações musicais. Em uma área mista de grande rotatividade de alguns restaurantes e longa permanência de outros, Daniel acredita que a concorrência no segmento não o incomoda. “Acredito que mais ajuda do que atrapalha. É bom para todo mundo, pois sabendo que há várias opções disponíveis, um verdadeiro polo de gastronomia, os clientes tendem a buscar mais esta região”, explica. Recebendo uma média de 500 clientes no fim de semana (aproximadamente 1/3 da movimentação semanal), oferece almoço executivo com, inclusive, cinco opções de refeição saudável: low carb. À noite, há shows de pop rock. Ele conta que não sentiu redução de procura do público nos últimos três anos e está pensando em reformas. “Vou fazer a ampliação do salão principal anexando a ele o espaço lateral a partir da próxima semana”.

Há dois anos, a Livraria Praça de Casa Forte encontrou o que buscava de acordo com a demanda do seu público: espaço. Desde 2016 em novo endereço na mesma Praça, a casa de quase 700m2 e capacidade para 150 pessoas passou a ser local de abrigo para uma diversidade de itens que vão de livros a papelarias, passando por artigos de decoração e adega com 300 rótulos. Segundo o proprietário Fernando Chaves, apenas de livros são 14 mil unidades, entre adultos e infantis. “A mudança aconteceu para atender uma demanda de clientes que crescia em torno de 20% e buscava tanto o nosso acervo quanto um espaço para a realização de eventos”, explica. Com uma ampla área destinada à literatura infanto-juvenil e onde acontecem todos os sábados, a partir das 16h, sessões de contação de história, Fernando enxergou nesse público um nicho importante de mercado. “A demanda infantil é muito grande e não há, nas proximidades, quem a atenda. Além disso, a criança sempre vem acompanhada de um ou mais adultos. Então, a presença deste público impulsiona as outras áreas também”, afirma.

Shopping precisou se reinventar para se manter viável

Espaço passou por várias transformações de conceito. Foto: Gabriel Melo/Esp. DP
Espaço passou por várias transformações de conceito. Foto: Gabriel Melo/Esp. DP


Há quase 24 anos, quatro anos antes da chegada do Plaza (1998), o Shopping Parnamirim dava início às suas operações. Atualmente com 60 lojas (metade no térreo e as outras 30 no andar superior), já passou por várias fases e mudou de perfil algumas vezes, segundo o síndico que o administra, o também lojista Hélio Coutinho Neto. “No primeiro andar, sempre houve a tendência de existirem muitos escritórios. No térreo, era o espaço das butiques. Há 18 anos, aproximadamente, éramos considerados o shopping do celular, por vendermos muitos artigos para estes aparelhos. Foram várias fases buscando nossa sustentabilidade. Até porque não é fácil concorrer com shoppings maiores, já que não podemos contar muito com a compra por impulso. Quem vem até nós, vem direcionado em busca de algo”, afirma. Segundo Hélio, a fase atual é de serviços, como de odontologia e cabeleireiro, comércio variado e o fortalecimento de um incipiente polo gastronômico.

Ratificando essa observação de Hélio sobre o setor de alimentos e bebidas do local, no canto direito de quem olha de frente para o shopping, há quatro estabelecimentos vizinhos: Kebbab, Dom Rei, Capitão Taberna e Creptixo. Leonardo Leal e Carla Duarte, proprietários deste último, estão no local há aproximadamente dois anos. Inseridos no setor de buffets há 7 anos, resolveram atender aos pedidos dos clientes para montar um ponto fixo de vendas diretas. “Eles reclamavam que para ter acesso aos nossos produtos precisavam esperar a próxima oportunidade de uma festa ou organizar um pequeno evento”, conta Leonardo.

A escolha pelo ponto aconteceu meio que casualmente. “Eu estava correndo por aqui e percebi que havia um espaço do jeito que eu queria: com amplo estacionamento gratuito, mas pequeno, para comportar poucas mesas e onde, consequentemente, assumiríamos um risco menor. Afinal, estávamos em pleno auge da crise econômica que assolou o país”.

Eles fizeram um investimento de R$ 100 mil na criação do espaço onde, atualmente, circulam aproximadamente 100 pessoas por dia. O cardápio traz 25 opções de crepes salgados (sete a mais do que o menu do buffet), 13 doces e dois veganos, além de saladas, tapiocas e crepioca. Passará por modificações a partir de novembro.

Um pouco mais distante desses vizinhos conjugados fica o restaurante mexicano Escalante´s Tex Mex. Antes localizado em Boa Viagem, há quase um ano ocupa um espaço valorizado no Shopping Parnamirim: bem em frente à entrada principal. Às vésperas de comemorar o primeiro aniversário do estabelecimento, o proprietário Rodolfo Moura recebe em média 300 pessoas por dia e possui um público variado de acordo com a programação da casa. “Às quintas, por exemplo, temos karaokê, então recebemos um público mais jovem. Oferecemos rodízios mexicano e texano de terça a domingo, o que corresponde a clientes de variadas faixas etárias”, afirma.

Sobre a escolha do local, Rodolfo enumera uma série de vantagens em relação aos shoppings verticais. “Neste ano, tivemos oscilações de mercado, altos e baixos, em função da sazonalidade, mas acredito que temos, em nosso favor, o amplo estacionamento público e seguro, além de estarmos em uma área central da Zona Norte”, conclui.


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