Construção civil Empresa oferece controle nas manutenções no pós-obra Startup Facilitat faz o planejamento e controle das manutenções preventivas nos empreendimentos, mantendo as garantias e gerando mais economia

Por: Luciana Morosini

Publicado em: 06/10/2018 09:00 Atualizado em: 04/10/2018 20:57

Alerta sobre serviços necessários serão enviados e haverá um controle se eles estão sendo cumpridos. Foto: Gabriel Melo/Esp. DP
Alerta sobre serviços necessários serão enviados e haverá um controle se eles estão sendo cumpridos. Foto: Gabriel Melo/Esp. DP

Quem tem um bem, independentemente de que tipo, sabe da importância  de fazer manutenção. Quando realizada de forma preventiva, pode garantir uma vida útil maior e, principalmente, economia para o bolso. O serviço evita problemas maiores e gastos desnecessários. Porém, nem todo mundo tem a disposição para ler um manual e seguir à risca a manutenção necessária. Isso vale não apenas para bens com uma vida útil menor, como ar-condicionado ou um veículo, mas também para um que pode durar a vida inteira, como um imóvel. E neste último caso, pela demanda maior, que envolve a incorporadora e o proprietário, a complexidade é maior e o controle menor. Afinal de contas, o que é obrigação de cada um? A startup Facilitat nasceu baseada nesta demanda e promete facilitar esse processo, indicando e controlando as manutenções necessárias nos empreendimentos, mantendo garantias no pós-obra e evitando gastos desnecessários para o condomínio ou para a construtora.

A Facilitat tem como objetivo maior fomentar a cultura da manutenção preventiva e estimular que incorporadoras e clientes finais façam os serviços necessários. “O brasileiro, de uma forma geral, não tem o hábito de fazer manutenção. Mas queremos criar esse tipo de rotina nos empreendimentos porque pode gerar economia. Até porque a manutenção preventiva é mais barata e só precisa ficar fazendo com constância. Qualquer problema que der, só vai precisar da manutenção corretiva, que é mais fácil e barata”, explica o sócio Thiago Melo.

Como são muitos os sistemas de edificação, a startup promete ajudar as incorporadoras na fase pós-obra. “São muitas garantias diferentes e muitas responsabilidades, seja da fabricante, da própria construtora ou do morador. Existe uma complexidade muito grande de gerir o que é responsabilidade de quem. Têm coisas que vencem no primeiro ano, outras no segundo, outras no terceiro e assim por diante. Se gerir um empreendimento pequeno já é difícil, imagina um grande como os que são construídos hoje”, acrescenta.
Apesar de existir um manual com todas as orientações, são poucas as pessoas que se interessam em ler. Então a Facilitat chega com a intenção de orientar sobre os tipos de manutenção preventiva que devem ser feitas.

A ideia é facilitar a comunicação para que os serviços não deixem de ser realizados. “Vamos mandar alertas, por email e telefone, informando sobre a necessidade da manutenção e também vamos conferir as responsabilidades, ver se elas estão sendo cumpridas”, afirma Thiago Melo. “Se no manual diz que em dois anos tem que fazer a limpeza da fachada, por exemplo, a incorporadora precisa ter a certeza que isso está sendo feito e ela vai poder cobrar. É um sistema que dá tranquilidade para que a construtora deixe em nossas mãos essa parte mais chata”, completa.

Todos os registros ficam armazenados pela Facilitat e a consulta vai beneficiar não somente construtora e moradores. “Quando você vai comprar um carro, você pega logo o manual para ver se as manutenções foram feitas. Elas são uma obrigação para manter a garantia. O Facilitat é como se fosse um caderno de anotações e o imóvel e empreendimentos precisam ser tratados como algo que precisa de registros. Isso é bom também porque, quando alguém for comprar um apartamento, vai poder ver todo o histórico, registro de chamados de assistência técnica e manutenções. Ele vai ter a segurança que está tudo certo”, diz. 

Thiago Melo afirma que ferramenta ajuda a manter garantias. Foto: Ademi/Divulgação
Thiago Melo afirma que ferramenta ajuda a manter garantias. Foto: Ademi/Divulgação

Expertise aliada para entender mercado


A Facilitat recebeu investimento inicial de R$ 150 mil, mas, como toda startup, espera escalar e crescer, não só no número do aporte, como também em sua atuação. O modelo de negócios foi pensando justamente para que a startup pudesse ser escalada, recebesse rodada de investimentos e expandisse. O primeiro passo já foi dado e já foi feito o spin off, o que significa que a Facilitat já trabalha com CNPJ próprio. Hoje, a Facilitat está embarcada no Over Drive, centro de inovação da Maurício de Nassau, onde é possível estar em contato com outras startups. Além disso, ela foi convidada a participar de um programa de mentoria na aceleradora Cesar Labs. A expectativa é que, já no próximo ano, ela esteja atuando em outros estados brasileiros e, em um futuro, em outros países.

A ideia da Facilitat nasceu dentre tantas outras de Thiago Melo, que há alguns anos investe em startups do setor e incentiva o incremento da inovação na construção civil. Como ele é também sócio da incorporadora Porto Engenharia, entende as necessidades do mercado através da sua própria experiência. Com a ideia pronta baseada em sua expertise, levou o projeto para a empresa Tecomat, que entrou junto como investidor.

“O conhecimento do mercado ajuda muito. Nós, incorporadores, somos obrigados a entregar no final de cada empreendimento um manual do proprietário e, nele, existem todas as informações sobre as tecnologias construtivas usadas, a tabela de manutenção, tudo que deve ser feito. Mas o comum era jogar aquilo dentro de uma gaveta e nunca consultar, o manual servia apenas para cumprir uma exigência da ABTN porque existe uma norma para isso. O manual não era prático e ninguém usava, era um trabalho danado para o cliente fazer as manutenções. A Facilitat quer facilitar esse processo”, explica Thiago Melo.

O desenvolvimento da ferramenta foi feito em 2017 e no início deste ano já estava pronto. Apesar do pouco tempo, Thiago Melo já comemora a atuação. “Como a startup surgiu de dentro de uma incorporadora, ela já nasce sabendo qual tipo de problema vai resolver. O primeiro módulo já está em funcionamento, já temos clientes e o retorno do investimento já está chegando. Este é o objetivo inicial, ajudar a incorporadora no período pós-obra. Mas, em um segundo momento, queremos ampliar a atuação, levar para síndicos, condomínios já prontos, chegar em outros mercados, como hospitais, por exemplo”, explica o sócio. 




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