DP NOS BAIRROS Via Mangue altera cenário imobiliário da Zona Sul Segundo o Sinduscon/PE, fator indutor na região, entre o Colégio Boa Viagem e via expressa, assemelha-se ao da chegada do Shopping Recife ao bairro

Por: Patrícia Monteiro

Publicado em: 05/10/2018 08:36 Atualizado em: 05/10/2018 08:45

Quadrilátero se transformou em um grande canteiro de obras em Boa Viagem. Foto: Leo Malafaia/Esp. DP.
Quadrilátero se transformou em um grande canteiro de obras em Boa Viagem. Foto: Leo Malafaia/Esp. DP.
Se a praia impulsionou o surgimento dos primeiros imóveis e concentrou, no seu entorno, a especulação imobiliária em Boa Viagem, um outro componente vem ampliando, geograficamente, esse cenário há alguns anos: a presença de uma das principais obras viárias da história do Recife, a Via Mangue, que liga os bairros do Pina e Boa Viagem como alternativa de trânsito na Zona Sul, desafogando as avenidas Domingos Ferreira e Conselheiro Aguiar, principais da região. A partir da inauguração da via, em janeiro de 2016, a quantidade de imóveis no local vem crescendo em ritmo acelerado às margens do seu trajeto, em um movimento que, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Pernambuco (Sinduscon/PE), assemelha-se ao fator indutor da chegada do Shopping Recife ao bairro. 

De acordo com o presidente do Sinduscon/PE, José Antônio Simón, nos últimos dois anos, de acordo com observações empíricas, 80% do movimento imobiliário de todo o bairro foi nesse local. “O comparativo do impacto da chegada da Via Mangue naquela área é semelhante ao da construção do Shopping Recife, por exemplo. Isto está relacionado ao fato da evolução das centralidades dos bairros. Na década de 1970, esta centralidade era o ambiente natural: as praias. A partir dela foram nascendo as casas e prédios que se transformaram, ao longo dos anos, em moradias definitivas. A Via Mangue virou esta nova centralidade de moradia”, afirma. 

Essa região compreende, sobretudo o quadrilátero posterior aos fundos do Colégio Boa Viagem, entre a instituição de ensino e a Via Mangue. Hoje, circular por algumas ruas circundantes é ter a certeza de escutar barulhos de bate-estacas a todo instante. Apenas nessa área, composta pelas ruas José Brandão, Antônio de Sá Leitão, Professor Eduardo Wanderley Filho e Amaro Albino Pimentel (e que compreendem também a Nelson Hungria e a Luiz de Farias Barbosa), há cinco empreendimentos em obras das construtoras Vale do Ave, Romarco, Freitas, LG e Dallas. No perímetro, existem também pelo menos 10 residenciais recém-construídos. A grande maioria deles empreendimentos de grandes dimensões, equipados com quatro quartos. 

Apesar dessa crescente, Simón não enxerga que este panorama vá continuar pelos próximos anos. “De acordo com o novo Plano Diretor da cidade do Recife, em processo de finalização, o coeficiente de Boa Viagem diminuiu de quatro para dois, então esse ritmo deve estancar em um futuro breve”, explica.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.