Observatório Econômico Ainda dá tempo de escolher bem

Por: André Magalhães

Publicado em: 01/10/2018 10:58 Atualizado em:

Faltando menos de uma semana para o primeiro turno das eleições nos deparamos com um cenário difícil, tanto na esfera federal quanto na esfera estadual. Perdemos, mais uma vez, a oportunidade de debater os problemas reais do país e buscar soluções factíveis, tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista político. 

Poucos candidatos trabalharam para fazer propostas reais, que caibam no tamanho do orçamento do estado. Os que o fizeram foram massacrados pelos demais. O que sobrou foi um conjunto de medidas desconectadas da realidade. Coisas como: o problema do déficit vai desaparecer em dois anos! Ou, vamos gerar 10 milhões de empregos. Ou ainda, ninguém vai aumentar imposto, ou se vai, só os ricos vão pagar mais. Quem são os ricos? Ninguém se arrisca a apontar. 

Se fôssemos acreditar nas propostas apresentadas teríamos mais educação, saúde, mais investimentos, mais empregos, mais infraestrutura, menos juros, ninguém vai ter dívida, os juros serão menores. Como? Com crescimento! Mais fácil falar do que fazer. E no final é isso. É fácil falar. 

Ninguém, ou quase ninguém, está realmente debatendo os reais problemas. Previdência, gastos públicos, burocracia, reforma tributária são temas que deveriam estar no centro do debate. Mas é um processo político e é uma disputa por votos. 

O mais preocupante, talvez, seja o fato de que os dois principais concorrentes apresentam propostas completamente antagônicas. De um lado, um defende o aumento dos gastos públicos (com que dinheiro?) e uma série de medidas populistas que levarão o país de volta ao fundo do poço. Do outro, uma agenda de aumento de eficiência que poderia ser interessante, mas que destoa de tudo que o próprio candidato defendeu durante a sua vida pública. Em que devemos acreditar? Temos os extremos. E nada no meio! 

Na agenda estadual, não temos um cenário muito melhor. Com dois candidatos à frente nas pesquisas, a disputa saiu da pauta propositiva para as acusações pessoais. Alguns candidatos apresentaram ideias interessantes, mas que foram ofuscadas pela briga política. Acabamos ouvindo ideias estranhas, como a de um 13º para o Bolsa Família, ou isenção de tributos para grupos específicos, como se o estado estivesse em condições financeiras para isso. 

Com um déficit de mais de R$ 2,5 bilhões da Previdência pública, mais de R$  1,5 bilhão em restos a pagar e gastos elevados com a folha de pessoal, deveríamos estar debatendo formas de melhorar a gestão pública, aumentar a eficiência, reduzir custos e não formas de drenar ainda mais os já escassos recursos públicos. 

Não estamos num jogo de futebol. Não é um time que vai ganhar. Quem ganhar irá governar para todos nós. Ainda dá tempo para ler as propostas e cobrar soluções. Mais ainda, dá tempo de dar respostas nas urnas indicando o país e o estado que queremos. O primeiro turno permite essa escolha. Não é hora de pensar em voto útil ou escolher o menos ruim. É hora de escolher o que acreditamos ser o melhor. Lembrando que no dia seguinte, e todos depois dele, teremos que conviver com as nossas escolhas.


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