Modelo de negócio Aposta em novo conceito de cartório Antecipando-se às exigências do mercado, o Andrade Lima investiu em modernização e se mudou para um empresarial para se adequar às tendências

Por: Kauê Diniz

Publicado em: 23/09/2018 09:00 Atualizado em:

Felipe assumiu o cartório há dez anos, após ser aprovado em concurso público. Foto: Gustavo Penteado/Divulgacao (Foto: Gustavo Penteado/Divulgacao)
Felipe assumiu o cartório há dez anos, após ser aprovado em concurso público. Foto: Gustavo Penteado/Divulgacao
Os cartórios se eternizaram no imaginário dos cidadãos, até pela sua trajetória secular no país, com as devidas exceções, como sinônimo de burocracia. Um espaço onde os carimbos servem para gerar taxas e os papéis se empilham em estantes enfileiradas e empoeiradas com os registros do passado. Uma ideia que pode ser até natural para um negócio no qual os preços são tabelados. O mais antigo cartório de Notas de Pernambuco, datado de 1841, o Andrade Lima - passou a se chamar assim há dez anos, antes era Pragana - resolveu romper definitivamente com essa imagem do passado e, há cerca de três anos, vem apostando em um novo conceito de se fazer cartório no Brasil para oferecer um serviço mais qualificado à população e, consequentemente, vencer a concorrência.

“Há uma tendência natural de modernização dos cartórios, que surgiu a partir do processo de dejudicialização no país. Antes, tudo dependia do Poder Judiciário e agora o tabelião público já pode fazer, como exemplo, inventários, divórcios extraconjugais e usucapião. Então há uma tendência sobretudo de escrituras públicas e são serviços de maior valor agregado”, explica Felipe Andrade Lima, tabelião responsável há dez anos pelo cartório, que passou a ter seu sobrenome após aprovação em concurso público.

Desde 3 de setembro, Felipe deu mais um passo para consolidar o novo perfil do negócio. Ele evita falar em números, mas diz que com a capitalização dos recursos dos últimos dez anos, investiu em inovação, inclusive inteligência artificial, capacitação da equipe e, como parte desse novo momento, deixou o espaço que tinha em uma casa na Avenida Agamenon Magalhães para ocupar uma área de 362 metros quadrados em um empresarial ao lado do RioMar. 

A equipe jurídica do cartório foi toda renovada e o time gerencial, além de algumas atendentes, tem domínio em dois idiomas, inclusive o italiano, já que se observou um aumento na demanda de pernambucanos, com descendência no país europeu, que precisam dos serviços cartoriais para dar entrada no pedido de cidadania.

Além disso, oferece serviço especializado como se fosse de escritório de advocacia, mas sem sobrepor a essa atividade. “Temos agilidade para resolver os problemas dos outros. Nosso lema é pensar prático e agir de forma segura. Se você tem conhecimento jurídico sólido, consegue soluções não óbvias para resolver os problemas”, diz Felipe, que é vice-presidente do Colégio Notarial do Brasil e conselheiros na União Internacional do Notariado.

O cartório vem crescendo, sobretudo, no perfil de clientes corporativos, que demanda grandes volumes e abrange escritórios de advocacia, construtoras, grandes bancos de financiamento de imóveis e grupos empresariais em geral. O resultado se apresenta nos números. Saiu do sétimo para o segundo lugar em faturamento entre os cartórios de nota do estado e prevê um crescimento em 2018, em relação ao ano anterior, de 30% dos dividendos.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.