DP NOS BAIRROS Os livros refletem a vida de Genésio em seu Sebo Voraz leitor, comerciante se mantém escrevendo, todos os dias, uma nova história da sua aposta em sobreviver vendendo livros em seu sebo

Por: Patrícia Monteiro

Publicado em: 14/09/2018 08:44 Atualizado em:

Comerciante consegue, no final do mês, arrecadar entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil. Foto: Leo Malafaia/Esp.DP
Comerciante consegue, no final do mês, arrecadar entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil. Foto: Leo Malafaia/Esp.DP
Seguindo pela Rua Padre Lemos, em Casa Amarela, um exemplo de resistência ao tempo e às novas tecnologias e amor à literatura. O comerciante Roberto Genésio é proprietário de um sebo localizado em um pequeno quiosque na esquina da Padre Lemos com a Senador Soares Meireles e trabalha no local há 10 anos. Conhecido simplesmente como o Sebo de Casa Amarela, abriga, em seu reduzido espaço, mais de 2 mil exemplares dos mais variados estilos - dos didáticos aos de ficção, passando pelos de suspense, autoajuda e engenharia. Romance, suspense e terror são os gêneros mais procurados, mas os primeiros, de autores como Nora Roberts, Sidney Sheldon ou Danielle Steel, são campeões de venda. 

Roberto comercializa cerca de sete a dez livros por dia (custam de R$ 5 a R$ 200), o que lhe confere uma renda mensal de cerca de R$ 1.500 a R$ 2.000. Quem quiser levar exemplares para trocar, também pode negociar com ele.

O contato com a literatura começou cedo para Roberto. Seu tio era proprietário de um sebo em frente ao Mercado Público de Casa Amarela, para onde o então garoto de 12 anos ia sempre que saía do colégio. Passar a auxiliar nas vendas foi consequência e, anos depois, adquirir seu próprio local de trabalho também. O endereço era o mesmo em que ele hoje se encontra. “Comecei saindo de prédio em prédio, no próprio bairro, em Casa Forte e outras localidades próximas, perguntando aos porteiros se havia livros abandonados pelos moradores que eles pudessem doar ou vender”, conta.

Se antes ele ia atrás dos produtos, hoje os livros “vão” até ele. “As pessoas me informam que têm material disponível e vou até o local verificar o estado de conservação das obras e se vale a pena adquirir, de acordo com a popularidade do autor. Afinal, não adianta comprar uma grande quantidade e ficar estocado”, explica. Roberto tem, dentre o público geral, grande clientela de estudantes das escolas estaduais próximas. Na compra de livros didáticos, entretanto, o maior público é dos colégios particulares. Como não poderia deixar de ser, o vendedor também é um ávido leitor. Contabiliza já ter lido mais de 300 livros ao longo da vida e tem preferência por biografias. “As que mais me marcaram foram aos que contam as histórias de Adolf Hitler e Fidel Castro”.
 


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