inflação O risco da disparada do dólar impactar na inflação e na taxa de juros Analistas acreditam que Banco Central poderá agir para acalmar investidores

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 24/08/2018 08:29 Atualizado em:

Mau humor afetou também as bolsas de valores no exterior, como a de Nova York, que recuou 0,30%. Foto: Drew Angerer/Getty Images/AFP
Mau humor afetou também as bolsas de valores no exterior, como a de Nova York, que recuou 0,30%. Foto: Drew Angerer/Getty Images/AFP
Puxado pelas tensões no exterior e repercutindo ainda os resultados das últimas pesquisas eleitorais, avançou para R$ 4,12 na ponta de venda, com elevação de 1,73%. Foi o sétimo dia consecutivo de alta da moeda norte-americana, que se valorizou também frente a moedas de outros países. Refletindo o clima de aversão ao risco, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), recuou 1,65%, para 75.633 pontos.

A contínua valorização da divisa norte-americana, que alcançou o maior patamar desde janeiro de 2016, intensificou o debate entre analistas sobre a possibilidade de o Banco Central intervir no mercado para conter a volatilidade das cotações. “Está assustador o movimento de depreciação do real. Acho que ninguém imaginava isso. Na minha opinião, está exagerado, dado o momento turbulento que ainda teremos que enfrentar (por conta das eleições)”, apontou Fernanda Consorte, estrategista de Câmbio do Banco Ourinvest.

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes, prevê que o BC pode, em breve, abandonar a postura de imobilidade que tem adotado diante do nervosismo do mercado. “Uma intervenção pode ocorrer nas próximas semanas. O cenário de desvalorização, fortemente influenciada pelo quadro político, não é saudável, levando-se em conta que essa queda forte (do real) ocorreu em um curto intervalo de tempo”, ressaltou.

Na visão de Bentes, a subida do dólar deve impactar a inflação, levando o Comitê de Política Monetária (Copom) a elevar a taxa básica de juros, a Selic, no início de 2019. A alta da moeda norte-americana impacta o preço de produtos importados e matérias-primas essenciais, como o trigo, que é a base para a preparação de massas e do tradicional pão francês. O efeito sobre os índices de preços, portanto, pode ser grande. “Para este ano, não sei se é o mais provável termos alta de juros. Mas projetaria, sem dúvida alguma, um início de aperto monetário logo no início do ano que vem”, avaliou Bentes. A Selic está atualmente em 6,5% ao ano.

O dólar se valorizou em vários mercados ontem, em resposta ao aumento de tensões geopolíticas. Os Estados Unidos e a China aplicaram, reciprocamente, novas tarifas comerciais, aumentando os riscos de enfraquecimento do crescimento global. O clima negativo afetou também as bolsas de valores. Na de Nova York, o índice Dow Jones caiu 0,30%. O mercado monitora ainda os movimentos dos juros norte-americanos, aguardando com expectativa o discurso de Jerome Powell, presidente do BC local, no evento que reunirá representantes de bancos centrais em Jackson Hole, nos EUA.

No Brasil, o mau humor do mercado também ocorre por conta das pesquisas que não descartam a possibilidade de eleição de um presidente avesso às reformas necessárias ara equilibrar as contas públicas.

Arrecadação surpreende
O governo federal arrecadou R$ 129,6 bilhões em julho, o que representa o melhor resultado em sete anos, segundo dados da Receita Federal. Houve alta real (descontada a inflação) de 12,8% nos ganhos do último mês, se comparados com o mesmo período de 2017. As estimativas de analistas no relatório Prisma Fiscal, divulgado pelo Ministério da Fazenda com as projeções, eram de R$ 119,1 bilhões. Ou seja, a arrecadação de julho surpreendeu positivamente. No acumulado do ano, os ganhos foram de R$ 843,8 bilhões, o que representa uma alta real de 7,74% em comparação com o mesmo período de 2017. Já no acumulado de 12 meses (agosto de 2017 e julho de 2018), a arrecadação atingiu R$ 1,427 trilhão, aumento de 4,65%.


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