DP Empresas Planos para alavancar Pernambuco Antônio Xavier fala sobre os projetos à frente da Agência de Desenvolvimento de Pernambuco

Por: Luciana Morosini

Por: Rochelli Dantas - Diario de Pernambuco

Publicado em: 12/08/2018 10:00 Atualizado em: 12/08/2018 12:47

Foto: Vitória do Monte/AD Diper/Divulgação
Foto: Vitória do Monte/AD Diper/Divulgação

A Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper) tem como objetivo atuar no desenvolvimento econômico e social do estado através de ações de apoio aos diversos setores, atividades e arranjos produtivos. Os desafios não são poucos e vão desde incentivar as grandes indústrias que já investem em Pernambuco, como também captar novos investidores para o estado.

A ideia é tratar bem quem já atua aqui para gerar uma cadeia positiva para atrair novos negócios. Não só isso. Os pequenos produtores também fazem parte do plano de ação da AD Diper, que incentiva os arranjos produtivos locais com capacitações. Conhecimento que se faz necessário para gerar emprego e renda e fazer girar a cadeia produtiva estadual. A ideia é de também inserir a população com renda menor na cadeia produtiva.

Há um mês à frente da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Antônio Xavier sabe que tem muito trabalho pela frente e fala dos planos na presidência da AD Diper. O primeiro deles a sair do papel é a criação de câmeras setoriais e temáticas, que vão abordar 20 setores da economia pernambucana, mas que pode evoluir e se desmembrar para outras atividades. Com elas, os atores de cada ramo de atividade vão poder elencar as prioridades para se conectar com o poder público para criar uma política voltada para a evolução da atividade de forma planejada e estruturada.

Além dos projetos, o novo presidente também aborda as prioridades de sua gestão, as novas demandas e ainda sobre o atual cenário econômico de Pernambuco. Currículo Sou advogado, tenho escritório de advocacia e há 13 anos sou procurador de empresa pública federal da Caixa Econômica Federal.

Fui conselheiro da OAB, diretor do Instituto dos Advogados de Pernambuco e sempre atuei na área empresarial de compliance. Recebi o convite do secretário de Desenvolvimento Econômico para ser assessor dele e, depois, ele me convidou para eu assumir a AD Diper para avançar em algumas pautas que ele tinha e queria alguém que fosse executivo e fizesse as coisas acontecerem de forma dinâmica. Assumi a agência faz pouco mais de um mês.

Primeiros projetos

As finalidades da AD Diper são voltadas para o desenvolvimento econômico do estado. Vimos que na Agência de Desenvolvimento do estado do Ceará existem câmeras setoriais e temáticas. São iniciativas que reúnem os atores de cada ramo da atividade para que eles identifiquem quais as possibilidades, dificuldades, faltas, sugestões para que se conectem com o poder público para que a atividade econômica evolua de forma planejada, estruturada, organizada.

Percebemos que nós, historicamente, não sabemos quais os planos de desenvolvimento dos setores econômicos. Ter a noção permite que se decida com mais segurança os investimentos a serem realizados. Então, estamos traçando um projeto a longo prazo para cada setor da economia para que você tenha planos de desenvolvimento econômico de curto, médio e longo prazos para que independentemente do político você tenha a política. Não podem ser planos que mudam de acordo com o governo. Se a gente criar em cada setor a política de desenvolvimento, dificilmente qualquer que seja o político irá derrubar isso.

Câmaras temáticas

Serão lançadas este mês as câmaras temáticas, com 20 setoriais e dez temáticas. E aí deixaremos alternativas de, em um segundo momento, o governador estruturar a câmara transversal, que seria para que se desenvolvam os planos. O chefe do poder executivo pode estruturar uma câmara temática para que ele designe que terá as políticas formadas nas câmaras setoriais e temáticas, mas precisam se conectar com CPRH, Ibama, fazenda, Legislativo, Executivo. Com isso pavimentado, quando chegar em um processo de decisão, você mostra que coletivamente superou as partes de discussão.

A ideia é conectar todos os entes envolvidos no processo de desenvolvimento. Setores mapeados Inicialmente trabalharemos com 20 setores mapeados, mas são setores iniciais. Acreditamos que muitos outros irão nos procurar para serem câmeras setoriais. Então avaliaremos. Porque percebemos que temos recursos finitos e mão de obra e demanda infinitos. Mas as pessoas que forem mais interessadas, mais ativas, mais atuantes, vão gerar mais pautas, mais atração de atenções do poder público e produzir mais iniciativas do poder econômico. Queremos gerar interlocução, que o empresário seja ouvido. A ideia é ouvir aflições, dificuldades, questão logística, escutar a demanda e sugestões.

Esses 20 setores foram mapeados inicialmente, mas devem surgir novas demandas. Estamos lançando as ideias para estruturar. Criamos uma câmara setorial ampla, mas podemos ter as subdivisões para atender a um publico que queira desenvolver. Setores prioritários A pauta de exportação e a pauta econômica de arrecadação, que reflete o potencial econômico, está baseada no polo automotivo. Então, tudo que diz respeito a ele é potencializado. Além do petroquímico, que também é fortíssimo. Qualquer coisa nestes setores geram impacto em toda a cadeia. Seja na pauta fiscal, na geração de empregos, na atividade econômica. Agora todos os setores da economia são importantes. A gente tem que investir mais em alguns para que eles tenham o protagonismo que podem ter, para que desenvolvam os seus potenciais.

Novas demandas

Acredito que pelo nosso papel de gerar oportunidade e cumprir uma função social, porque somos uma empresa pública do estado, os grandes polos já têm uma condição de se desenvolverem sem necessitar do estado. Vamos apoiar sempre porque são importantes. Tenho a percepção que os recursos que a gente dispõe precisam ser trabalhados em arranjos produtivos locais que permitam que a população que mais precisa seja inserida na cadeia produtiva. Então, por exemplo, falei com o IPA, que é parceiro da agência, e disse que os arranjos produtivos locais deles seriam apoiados pela AD Diper e os nossos feitos em conjunto com eles.

Mudar não é jogar o dinheiro em um projeto. É mudar a realidade das pessoas e da economia do local para criar um ambiente que se desenvolva plenamente. Temos o estado todo e o IPA e a AD Diper têm que encontrar alternativas para que a gente conviva com o clima, regime de chuvas, para aquilo não virar um deserto populacional porque isso não interessa ao estado. Pelo contrário, a gente quer desenvolver o estado como um todo. Iniciativas que gerem capacitação e inclusão na cadeia produtiva serão prioritárias. Os outros grandes grupos têm condição de se autofinanciar, mas esse público que não tem tanta formação é nossa maior preocupação.

Queremos ensinar e dar as condições técnicas, estrutura, ajudar na gestão, para que eles se tornem independentes e gerem a movimentação de toda a cadeia produtiva de forma autônoma. A ideia é apoiar os grandes polos, mas cuidar dos pequenos, que precisam de mais apoio do estado. Interiorização dos projetos A finalidade do Prodepe é a interiorização. É um atrativo, mas, para ampliar isso, vamos ter os arranjos produtivos locais que iremos junto com IPA, Sebrae, secretarias de governo e órgãos responsáveis, criar o eixo de interiorização para levar cada vez mais empresas, indústrias e capacitação, qualificação e desenvolvimento de atividades econômicas para que essas regiões deixem de ser desertos comparadas com outros estados. Para que pessoas se integrem, gerem receita, renda e tenham desenvolvimento para o estado.

Momento econômico

Há uma melhora gradativa do cenário econômico em todos os setores. Passamos por um período muito ruim nos últimos anos. O estado conseguiu superar isso sem atrasar folha de pagamento, o que poderia impactar nas comunidades mais carentes.

Conseguimos superar a fase crítica com um nível de sucesso invejável comparado a outros estados. Inclusive percebemos empresários vindo para cá e registrando que Pernambuco é um marco logístico pela centralidade. Está equidistante das outras capitais do Nordeste, é Oriental para a África, para a Europa, EUA, América Latina, para o Sul. E logística é fundamental. Em uma economia virtual, onde as pessoas não se deslocam para comprar e precisam receber fisicamente, a questão logística é fundamental.

O Porto do Recife, por exemplo, está em posição privilegiada e historicamente todo o desenvolvimento do Nordeste partiu de lá para dentro. A logística ganha cada vez mais importância. Temos muitas empresas que instalaram o Centro de Distribuição aqui pela localização. Então a logística é uma vantagem competitiva.

Demanda industrial

Percebemos que as empresas voltam a procurar o estado. Temos desde a área de tecnologia, a farmacoquímica, a têxtil, a alimentícia. Tanto plantas que querem expandir, quanto que querem ser instaladas. O BNB tem R$ 5 bilhões para investir no Nordeste e Pernambuco deve ter protagonismo na captação desses recursos. Então, no que depender da AD Diper, vamos trabalhar para que a superintendência do banco em Pernambuco seja a primeira colocada na captação. Ficaram de produzir um material para que possamos apresentar aos empresários que cheguem aqui. Nosso objetivo é tratar do que pode resolver imediatamente e ter algo que todo mundo possa desenvolver para saber para onde vai.

Se eu tenho um plano de desenvolvimento econômico definido, vou ao órgão público e digo onde é que eu quero que o desenvolvimento aconteça. Com setores conversando no essencial, isso avança. Arrumação da casa Nossa prioridade é que toda indústria ou empresa que queira se instalar em Pernambuco saberá que iremos recebê-la da melhor forma. Mas o foco será priorizar quem já acredita no estado, quem já investe aqui. Na última pauta do Condic, 90% dos investimentos são de empresas que estão aqui e estão expandindo atividades. Lógico que continuamos o trabalho de captação. Quem já é de Pernambuco não tem medo de investir.

Os novos investimentos teremos que captar mais. Se eu tratar bem, se tiver uma boa apresentação com depoimentos dos que estão aqui, o resultado é maior. Se temos credibilidade para dar uma referência, temos o retorno. Então, temos que cuidar de quem está em Pernambuco porque este é o maior retorno. A pessoa interessada em investir está geralmente prospectando e ela faz isso através de consultores, que buscam opções. Então investiremos em material de áudio e vídeo para munir esses consultores.

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