DP Empresas Mais recursos para desenvolver projetos de audiovisual Núcleo Criativo da Ateliê Produções, braço de produção autoral da empresa, foi renovado pela Ancine e receberá R$ 1 milhão para cinco novos projetos

Por: Rochelli Dantas - Diario de Pernambuco

Publicado em: 11/08/2018 13:00 Atualizado em: 10/08/2018 13:55

Cezar e Pollyana acreditam que investimentos fazem cadeia andar. Foto: Ateliê Producões/Divulgação
Cezar e Pollyana acreditam que investimentos fazem cadeia andar. Foto: Ateliê Producões/Divulgação

Ter recursos para desenvolver projetos pilotos é o desejo de todo produtor cultural. Em sua maioria, o caminho é inverso: com recursos próprios saem os pilotos para depois ter a chegada dos recursos. A participação em editais e concorrências é a saída para viabilizar os projetos. E muitos são beneficiados. O Ateliê Produções é um deles. O Núcleo Criativo da Ateliê Produções, braço de produção autoral da empresa, foi renovado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) e receberá R$ 1 milhão para o desenvolvimento de cinco novos projetos. O Ateliê é a primeira produtora pernambucana a obter renovação do fomento, concedido pela primeira vez em 2014 e proveniente do Fundo Setorial Audiovisual (FSA) da Ancine.

"Os núcleos criativos são uma parte de desenvolvimento de projetos. Signifca que amadurece os projetos, mas não chega a gravar. Quando investe em desenvolvimento, consegue fazer a cadeia produtiva toda andar. Os resultados do nosso primeiro núcleo mostram que, quando se investe ainda no início do processo criativo, as obras ficam ainda mais robustas e apresentam mais chances de serem bem-sucedidas. A renovação do nosso núcleo vem ratificar a necessidade da continuidade dessa política de fomento", ressalta a produtora-executiva do Ateliê Produções, Pollyanna Melo. Incluindo os projetos pernambucanos, o FSA contemplou 34 projetos de cinema e 38 de televisão, sendo um total de R$ 59 milhões.

De acordo com Pollyana Melo, ainda há uma concentração de verba para o eixo Rio-São Paulo, porém existem políticas de descentralização de recursos, que oferecem melhorias na competitividade. "De todo o investimento em audiovisual no Brasil, 30% têm que vir para as regiões Norte e Nordeste. Com isso, podemos competir com um pouco mais de igualdade. Nos aproximar porque muitas das produtoras possuem um histórico bacana, projetos de qualidade artística excelente, mas é difícil competir", enfatiza.

Com 18 anos de atuação na área, Cezar Maia, sócio e cofundador da produtora, junto com Marcelo Barreto, diz que esta foi a primeira vez que recebeu recursos para desenvolver um projeto. Segundo ele, a participação também fortalece a viabilidade comercial das obras no futuro, estruturando a cadeia do audiovisual como um todo. "Essa ideia do núcleo termina criando uma rede não só das pessoas. Com as discussões, com os consultores, as ideias fluem melhor. A gente tende a valorizar a interação e a troca. Isso deixa os projetos fortes porque aumenta o networking. Escrever um roteiro é uma atividade solitária porque não tem recursos para a consultoria. A partir do momento que tem essa chance, é uma oportunidade de pensar o projeto. Não é só ter grana, é obrigação", pontua.

Roteiros
O primeiro núcleo, formado em 2014 sob a liderança do cineasta Paulo Caldas, viabilizou seis projetos de diferentes roteiristas e diretores, dos quais três já foram finalizados: a série Nosso Ofício, o documentário Saudade e o longa-metragem Câmara de Espelhos. Nessa nova fase estão o longa-metragem Evolution (Déa Ferraz), que adota uma linguagem híbrida entre documentário e ficção e trará às telas o debate sobre habitação e o mundo exclusivo dos condomínios fechados; a série documental Hoje Pode Ser Amanhã (Tuca Siqueira), propondo o exercício de substituição da máxima "que país estamos deixando para nossos filhos?" pelo "que cidadãos estamos deixando para o nosso país?"; Uma História do Amanhã (Cezar Maia), que abordará, no formato de longa-metragem, um debate sobre humanidade, futuro e solidão; a série documental Tô Fora! (Rafael Marroquim e Ricardo Mello), com histórias de pessoas que decidiram encontrar uma nova forma de convivência, distanciada da velocidade e dos valores que regem o cotidiano das grandes cidades; e, por fim, a série documental Liberdade (Paulo Caldas), com uma busca pelo conceito de liberdade por meio da arte contemporânea.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.